Tarefas repetitivas ensinam coisas novas

“We are what we repeatedly do. Excellence, then, is not an act but a habit.” Aristotles

Este texto surgiu na sequência de um trabalho que exige a repetição (quase) interminável de cliques de computador. Uma daquelas tarefas a que eu chamo “encher chouriços” (apesar de não estar propriamente informada sobre qual a repetição que implica encher um chouriço). E como as tarefas repetitivas expandem o nosso conhecimento sobre algo.

Na escola ensinam que repetir é aprender. Repetir uma letra significa aprendê-la, torná-la parte da nossa estrutura mental para que futuramente a possamos utilizar de forma correcta.

Muitas das tarefas que desempenhei até hoje, basearam-se na repetição de determinadas acções. O trabalho diário traduz-se, quase invariavelmente, na repetição de determinadas acções com vista à prossecução de um objectivo final e absoluto. Tão absoluto quanto o final de cada mês o permite.

Uma das coisas que aprendi com a repetição de uma tarefa foi: em cada repetição há (pode haver) algo novo para aprender.

Cometer na memória algo incessante leva o indivíduo a procurar coisas novas dentro do marasmo da mesma tarefa. Leva-nos a procurar a conjuntura em que aquela tarefa se insere e a forma de optimizar movimentos e acções.

Tarefas repetitivas podem ser chatas, e às vezes são abominavelmente entediantes, mas desenvolvem a atenção ao pormenor. Permitem-nos obter uma imagem mais abrangente, fazendo-nos perceber o que torna aquela acção indispensável e, no fim, traduz-se em desempenho medido em tempos e resultados quantitativos e, por isso, motivadores.

A nível pessoal ensina-nos também a disciplina. E ensina a permanecer motivado para clicar 500 vezes num qualquer comando informático, monitorizando os resultados de tarefas que têm um início, meio e fim, expectável e perfeitamente verificável.

E se é possível passar oito ou mais horas nesta cadência repetitiva, porque não o aplicar à arte de escrever? Definir objectivos quantificáveis, que possam ser (e sejam) medidos sem dó nem piedade, usar a repetição da actividade para aperfeiçoar a técnica, e no final ser capaz de perceber se o objectivo (e as expectativas) foram cumpridas.

Escrever cinco páginas por dia, com 3500 palavras no total, em duas horas diárias, é um objectivo concreto e quantificável, facilmente aferido se nos propusermos a medir os resultados duma actividade tão abstracta como escrever.

Ao repetir esta acção diariamente expandimos os nossos conhecimentos, despertamos para os pormenores que nos fogem quando escrevemos por impulso, e colocamos todas essas páginas na perspectiva mais abrangente da obra que pretendemos escrever (seja ela qual for) e, por fim, optimizamos o nosso tempo dedicando-nos àquilo que realmente nos fará progredir. E o melhor de tudo?! É repetitivo, mas não é aborrecido.

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