Não tenham medo de usar o Dicionário

Não há que ter medo de recorrer aos Dicionários, sejam os de idiomas, em papel, em formato digital, antigos ou recentes.

Durante muito tempo afirmei: “O meu dicionário é o melhor do mundo.”

O meu dicionário é muito velhinho, quase tão velhinho como eu. Mas a minha memória mais acesa, quando penso nele é: tinha sempre tudo. Qualquer que fosse a palavra, ele tinha. Mesmo quando parecia que ele já seria demasiado velho para conter um termo mais moderno, procurava e lá estava a palavra a olhar para mim. (E quando não estava exactamente a palavra que procurava, existia uma variante dela)

Recordo-me de aprender a mexer num dicionário, de me ensinarem qual a lógica por trás daquele maço de papel de capa vermelha. Da ordem alfabética seguida impreterivelmente em todas as páginas.

Mais tarde passei para outros dicionários, mas rara era a ocasião em que não recorria primeiro ao meu velhinho, que por incrível que pareça está tão estimado (nem um risco nas suas margens) quanto está amarelecido pelo tempo.

Depois descobri os dicionários de Inglês e rapidamente passei para os Inglês/Português ou Inglês/Inglês. Actualmente, não passo sem eles. Sobretudo nas suas versões digitais, eles ocupam posição de destaque nos Favoritos dos meus PC’s.

Mas isto é a minha história pessoal com os meus dicionários.

Há pouco tempo apercebi-me que, actualmente não é esta a experiência das crianças com os dicionários. Ouvi mesmo um assustador “isso dá muito trabalho” em resposta à minha afirmação “Quando não sabes o que uma palavra significa, vês no dicionário.”

Ou então a versão adulta que se traduz num certo constrangimento, senão mesmo vergonha, por recorrer a um dicionário.

Ninguém nasce ensinado, ninguém sabe tudo, aliás não é possível ou desejável tentar saber tudo. O que é importante: face a um desafio ou a uma vulnerabilidade nos nossos conhecimentos, é necessário procurar ajuda.

Os dicionários (e as enciclopédias) existem para servir essa necessidade, para colmatar falhas, para serem usados sem vergonha de assumir que não se sabe. Só assim podemos vir a saber.

 Conheço algumas pessoas que os lêem por desporto, para fazer crescer o seu vocabulário e alargar os seus conhecimentos, isto também não é algo que me anime particularmente mas consigo entender o objectivo. Já o desprezo ou a vergonha associada à consulta dum dicionário, não entendo.

E para muitos de nós, estas são as ferramentas para um trabalho bem feito.

E vocês? Quais são os vossos hábitos de consulta?

ΦΦΦΦΦ

Deixem aqui os vossos comentários ou enviem e-mail para: sara.g.farinha@gmail.com

 

 

2 pensamentos em “Não tenham medo de usar o Dicionário”

  1. Tenho vários dicionários em casa (Português, Inglês-Português, Português-latim, etc) e gosto muito de alargar a minha colecção sempre que posso. O que mais uso nos dias que correm é o de “sinónimos-Antónimos” por causa da minha escrita criativa e não tenho vergonha nenhuma em os usar, antes pelo contrário.
    Agora enquanto escritora (amadora) tento é não o usar simplesmente para que as minhas histórias tenham palavras mais ‘eruditas’. Há que haver um equilíbrio em tudo.

    1. Ana, espero que mais pessoas pensem como tu. Fiquei estupefacta quando percebi que, há quem tenha vergonha de admitir usar o dicionário. Percebi que é associado à falta de conhecimento, coisa inadmissível em público. Pessoalmente, não vivo sem os meus dicionários, qualquer que seja o seu formato. E por falar nisso, qual usas no “Sinónimos-Antónimos”? Preciso de um bom 😉

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