Recursos do Escritor: Seis inícios a evitar

É difícil criar um bom início duma história. Num artigo anterior organizei algumas ideias que podem ajudar a criar um 1º capítulo notável. Neste apresento alguns inícios a evitar ardentemente.

Se o início da história ajuda a vender o livro, a primeira cena é indispensável para atingir este objectivo. Assim devemos evitar, a todo o custo, as seguintes introduções:

1# Uma descrição longa do personagem principal ou do mundo em que ele vive. Nada melhor para retirar toda a alegria da leitura do que um texto extenso e monótono sobre a cidade onde o herói habita e o que ele pensa da vida e do que o rodeia. “Viagens na minha terra” de Almeida Garrett, fiquei pelas primeiras páginas… Um óptimo elixir para a insónia.

2# Iniciar a história com outro personagem que não contribua activamente para o desenrolar da acção. Introduzir o herói cedo é uma estratégia inteligente, pois ajuda a criar empatia com a nossa personagem principal e a mostrar aquilo que ele é e o que o move.

3# Começar o primeiro capítulo com o personagem a acordar. Mesmo que ele seja desperto do seu sono por uma acção que pode fomentar o interesse do leitor como, por exemplo, um fogo ou um ataque à sua integridade física. Para além de ser um início usado frequentemente, o que retira o factor novidade, há que ponderar se esse início acrescenta algo à história. Porque não saltar directamente para a acção, em vez de nos sujeitarmos a perder o leitor por falta de interesse. “Vampire Academy” de Richelle Mead e tantos outros começam assim, um pesadelo e um acordar inquieto. Não digo que não gostei deste livro, pelo contrário, mas é um dos muitos que começam desta mesma forma.

4# Colocar o personagem a olhar para o seu reflexo num espelho. Há formas melhores e mais interessantes de descrever o aspecto da personagem do que ele olhar para si mesmo através dum espelho.

5# Começar com um diálogo, sem ajudar o leitor a situar-se na história. Um bom diálogo é inimigo dum início esclarecedor e pode confundir o leitor, levando-o a desinteressar-se do enredo. E abusar do diálogo, introduzindo informação que não deveria lá estar não é opção. “Wait for Dusk” de Jocelynn Drake, a autora assume que lemos todos os livros da série, iniciando a história com um diálogo misturado na acção que não oferece qualquer explicação. Algumas sagas são bons exemplos de inícios despreocupados.

6# Tentar chocar o leitor logo no início do livro, sobretudo se for algo óbvio que transparece no título da obra. Imaginem se Anne Rice anunciasse que o personagem principal era um Vampiro no “Entrevista com o vampiro”. Aqui não há espaço para surpresas, elas vêm depois.

Outros existirão que facilmente podem cair nesta armadilha do mau início. Mas quanto mais dominarmos as técnicas de escrita melhor evitaremos alguns destes clichés, e suplantaremos outros que nos estão vedados pela falta de prática.

Conhecem outros maus inícios? O que os torna maus? O que pode ser um bom início de uma história?

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