Diário de Bordo: Escreve só para ti ou ‘Write Like It Will Never Be Read’

Write like it will never be read é o mote que incentiva a maioria daquilo que escrevo. É o jargão ao qual volto, vezes sem conta, quando o que necessita de ser escrito me aterroriza.

Estes momentos são inúmeros, prolíferos na mente daqueles que têm medo. E sejamos sinceros, quem deseja escrever e publicar tem sempre medo, especialmente se sentir que aquilo de que “falam” é demasiado pessoal.

Habitualmente escrevemos sobre aquilo que conhecemos. Expomo-nos, falamos de pessoas que nos conhecem, de situações que serão associadas a nós e aos nossos. Mesmo que esses outros sejam mais ou menos desconhecidos ou fora do nosso círculo de confiança, há sempre uma hipótese de sermos reconhecidos por aquilo que somos (o delator das inconveniências, o chibo de serviço ou o traidor), alguém inconvenientemente atento ao que o rodeia.

Como não há forma de sossegar o editor interior sem o fazer rever, analisar, mudar, modelar e readaptar tudo o que foi escrito, a única opção é assumir que não escrevemos para mais ninguém para além de nós mesmos. “Mais nenhuns olhos verão estas páginas, nenhuma mente irá assimilar a mensagem, é um segredo, grande e cabeludo, passível de destruir vidas alheias e a própria existência. Logo, o destino dele é… ser fechado a sete chaves.”

Claro que no final, essa exposição/publicação poderá nunca ocorrer mas, em muitos outros casos o que era vergonhoso hoje, amanhã é colocado em perspectiva e alinhado com aquilo que pensamos da vida. E é aí que esse trabalho vê a luz do dia.

Assim escrevo sempre (ou tento) como se fosse só para mim, só para os meus olhos e para os de mais ninguém. Pelo menos começa com um “Vou escrever isto… Espera, isto não pode ser… Escrevo, mas nunca o irei mostrar a ninguém… Afinal, até está jeitoso… Publica depressa e, não penses mais nisso… Ora o número de visitas aumentou. Fixe!! Estava inspirada! Será que consigo fazer melhor?”

Um tantra a praticar. Qual é o teu?

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