Diário de Bordo: Estratégias (falhadas) de pesquisa

Por vezes dou comigo dedicada a projectos parvos. Não daquele tipo de coisas que não se consegue voltar atrás, mas daquele género de ideias que inicialmente me parecem boas e que poderiam resultar. Na maioria dos casos acabo por constatar que devia ter escutado a minha opinião formada sobre o assunto, mas não é por isso que deixo de avaliar um desafio.

Nestas situações a minha curiosidade costuma vencer a minha racionalidade. O projecto parvo a que me refiro (sim, porque gosto de ter coisas destas frequentemente) consistia em algo tão simples como: comprar uma daquelas revistas dedicadas ao público feminino para poder estudar como se criam títulos que atraiam leitores.

Esta ideia veio de um dos blogues de referência sobre o tema, por isso nada de desvalorizar! Aliás, continuo a achar que é uma boa ideia, assim como inúmeras outras que tenho lido por lá, mas precisa de alguns ajustes.

O problema colocou-se quando cheguei à papelaria e constatei que não tinha o mínimo interesse em comprar uma revista daquelas. (E é aqui que aqueles que me conhecem começam a revirar os olhos e a dizer “A sério!!!”)

“Dez formas de perder a celulite” ou “Como apanhar um marido traidor” atraem assim tanta gente??? Mesmo que seja esse o caso (e eu desconfio que é cada vez menos o caso), como poderia transformar isso em algo aplicável ao blogue?! Aquilo que eu podia utilizar aqui, pressupondo que conseguia ignorar por completo o tema original, iria soar sempre a aldrabice. Porque é isso que esses títulos me dizem.

Este género de estratégias poderia ensinar-me uma coisa ou duas se estivesse a começar e nunca tivesse lido nada sobre a construção de títulos, mas como não é o caso decidi alterar o desafio.

Confesso que ainda ponderei se deveria comprar uma revista daquelas, só para poder levar a experiência até ao fim. Mas mudei de ideias quando fui assaltada por um sentimento de ataque à minha inteligência provocado pelos conteúdos das ditas publicações.

Acabei por constatar que havia um motivo para eu não ter uma única revista do género em casa. Não gosto de ler aquele género de publicações. Costuma ser suficientemente irritante quando alguém decide ler o artigo em voz alta (sim, isto acontece-me! E agradeço a boa-disposição que provocam).

Acabei por comprar um outro tipo de revista, só porque ao fim de um bom bocado tive vergonha de sair da loja sem nada. Mas pelo menos considero que esta não era uma afronta à inteligência… apesar de também não ter servido para construir títulos melhores.

Com isto aprendi três coisas: Se quero construir títulos melhores é melhor manter-me nas publicações da especialidade; Que nem todas as técnicas são construtivas; E que é preciso escolher as nossas aprendizagens com tanto cuidado como escolhemos as nossas revistas.

PS: E expositores de revistas mais organizados, não?! Mesmo que haja alguma coisa interessante, ela desaparece no meio de tanta poluição visual.

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