Recursos do Escritor: O que nos impele a continuar?

O que nos impele a coninuar

Escrever é uma tarefa solitária, que exige uma boa dose de isolamento e reflexão. Mas é também uma vontade de partilhar com os outros aquilo que criamos.

Escrever é um misto de servitude e egoísmo, de observação e auto-análise. Partilhar o que escrevemos significa ajudar os outros quando procuramos ajudar-nos a nós próprios. É usar aquilo que sabemos, simplificando e potenciando a passagem de conhecimento.

Como escritores a nossa recompensa não é imediata, como seria se fôssemos músicos ou dançarinos. Não ouvimos aplausos quando tentamos reescrever uma frase ou aperfeiçoar uma ideia. É preciso criar primeiro e esperar… esperar pelas reacções daqueles que atribuem valor.

Isto implica que a persistência pode ser afectada pela demora e significa que temos de amar aquilo que fazemos de forma inequívoca, ou sentir-nos-emos rapidamente desanimados com a fraca ou tardia recompensa.

E quando isto acontece, o que nos impele a continuar? Como aprofundamos a vontade de cumprir o objectivo? Como nos sentirmos recompensados pelos esforços feitos?

Aqui ficam algumas ideias para responder a estas perguntas.

Escreve para o leitor 

O acto de escrever, e não apenas o produto acabado, é um presente que oferecemos aos nossos leitores. Escrever é ajudar o leitor. É dedicar-lhe a nossa atenção e com isso servimo-lo. Servir o leitor é inspirá-lo, é proporcionar-lhe direcção, é usar a nossa visão com o objectivo de o ajudar. Não escrevemos para nós mas para prestar um serviço aos que nos lêem. E é neles que nos devemos concentrar.

Escreve com autenticidade

Ser autêntico é usar aquilo que somos, a nossa realidade, nos nossos textos. A experiência só é recompensadora para ambas as partes quando escrevemos baseando-nos na nossa realidade. É quando usamos a nossa experiência pessoal nas nossas palavras que permitimos que o leitor se relacione connosco.

Escreve usando experiências pessoais

Seja ficção ou não, podemos sempre usar as nossas experiências pessoais e a nossa forma de ver o mundo. Partilhar erros e vitórias pessoais significa partilhar a nossa aprendizagem individual e ajuda o leitor a relacionar-se com as nossas palavras.

Escreve para ensinar

Proporcionar uma leitura prazerosa quando esta está recheada de conteúdos é o melhor presente que podemos dar ao leitor. Partilhar novos conceitos e ideias, sem ser condescendente ou sentencioso, impulsiona o desejo de conhecimento dos leitores. Ao partilhar conhecimentos sólidos, de forma interessante e agradável, servimos o leitor.

Escreve para inspirar

As nossas palavras devem reflectir aquilo em que acreditamos. Quando os nossos valores fundamentais nos permitem incentivar a mudança de perspectivas, quando acreditamos no bem, na verdade, na tolerância, devemos transpô-los para os nossos escritos. Não devemos reter o uso das nossas crenças e valores pois elas são fonte de inspiração pessoal e dos leitores.

Escreve com boa-disposição

O humor ajuda a suportar as mais terríveis situações. Mesmo que não sejamos humoristas natos, que é o meu caso, temos sempre uma veia onde a perspicácia e a boa-disposição flui livremente. Imbuir os nossos textos com essas características torna-os mais cativantes para quem lê. Às vezes, rir é mesmo o melhor remédio.

Escreve com conhecimento de causa

Se os leitores são o mais importante então temos de os conhecer. Evitar o isolamento pessoal e manter-nos inquisitivos e alertas das respostas e comportamentos das pessoas que nos rodeiam são factores determinantes. Inspirar os leitores passa por inspirarmo-nos neles.

Escreve para deixar um legado

Num mundo em que todos desejam os seus cinco minutos de fama, merecê-la é mesmo o mais importante. Nada se sobrepõe ao sentimento de objectivo cumprido, de meta atingida, de satisfação com o contributo dado à sociedade. Ao contemplarmos o passado, quer tenhamos sido ou não atempadamente reconhecidos pelos nossos esforços, o sentimento de deixar algo tangível, de criar alguma coisa significante, de contribuir para o meio que nos rodeia, é uma força inextinguível. Deixar um legado é concretizar o desejo de ajudar os outros, de contribuir para a sociedade, é tatuar no futuro da história humana a nossa vocação.

O que nos impele a continuar?

Manter presente os motivos pelos quais o fazemos e acreditar que, independentemente dos resultados, estamos dispostos a viver o sonho.

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Deixem aqui os vossos comentários ou enviem e-mail para: sara.g.farinha@gmail.com

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