Recursos do Escritor: Acabar o que se começa

Recursos do Escritor- Acabar o que se começa

Se as minhas gavetas virtuais são parecidas com as tuas então temos o mesmo problema. Coleccionar ideias e iniciar projectos novos não é o problema. Este normalmente aparece quando constatamos que não levamos (quase) nenhum desses projectos até ao fim.

Primeiros capítulos, ideias soltas, artigos semi-construídos, notas e pesquisas várias, tudo isto se acumula nas gavetas virtuais dos nossos computadores e nas dezenas de papéis que nos rodeiam, à espera de um dia melhor.

E como acabar com esta inclinação para deixar tudo a meio?

Aqui vos deixo algumas ideias para tentar solucionar este problema.

# Não começar novos projectos

Claro! Há fases em que as ideias brotam, mesmo nos locais e nas ocasiões menos aconselháveis. Agarrar uma ideia nova é tentador mas é preciso resistir ao impulso. É impossível agarrar todos os projectos novos, e não é aconselhável fazê-lo, para não acabarmos enterrados em ideias sem substância.

Após algum tempo aquele novo texto, que tanto nos entusiasmou, vai perder o seu apelo e encontra o seu caminho para a pilha de projectos inacabados onde, depois de nos fazer desperdiçar horas preciosas, vai permanecer por tempo indefinido.

É imperativo que contrariemos esta tendência com um compromisso pessoal muito sério: Não começar nada novo antes de terminar um projecto antigo.

Como nenhum artista que se preze gosta de perder ideias, a sugestão passa por apontá-las num bloco de notas e guardá-las para uso futuro. Evitar a tentação de persegui-las assim que nascem, mas guardá-las e deixá-las amadurecer no seu lugar. De post-it’s a blocos de notas, ficheiros de word ou ferramentas como o ‘Evernote’, todos são úteis desde que se mantenham arquivados até estarmos dispostos a levá-los até ao fim.

# Analisar todos os projectos a decorrer

Começamos por fazer uma lista de todos os textos que iniciámos e não terminámos, para que possamos identificar aqueles que, neste momento, devem permanecer inacabados.

Há um tempo certo para tudo e insistir num projecto que não se adequa à tua realidade do momento é uma perda de tempo. É perigoso agarrarmo-nos a textos antigos e querer mantê-los vivos a todo o custo. Acabamos assoberbados por coisas inúteis que comprometem o presente e o futuro.

Esta lista divide-se em três, à medida que vais identificando os projectos que: ainda te motivam e que servem um objectivo no dia de hoje; aqueles que estão mortos e que estás preparado para enterrar no fundo da gaveta; e os que podem permanecer num estado de dormência, pendentes de término até sentires vontade de voltar a eles.

# Concentra-te num só projecto

Focar a atenção numa só obra é estar consciente das nossas escolhas e admitir que concentrar-nos no presente é o mais importante. Escolher o projecto que terá mais impacto na tua vida no presente (ou num futuro muito próximo) permite que te concentres em progredir. Por exemplo: escolher o e-book que queres terminar, ou o conto que precisas de escrever para submissão, ou o livro em que investiste mais horas…

Escolhe um projecto de cada vez e torna-o na tua prioridade.

# Identifica aquilo que, para ti, o tornará numa obra concluída

Implica definir à priori quais são os teus objectivos para aquele texto.

Queres que tenha x páginas, que seja revisto e reescrito, com princípio/meio/fim, enviado para uma editora… Qualquer um destes depende dos teus objectivos pessoais para aquela obra específica e impede que o projecto se arraste por tempo indeterminado.

Aponta na tua lista o que é preciso atingires para considerares a obra terminada.

# Define metas e cumpre-as

A maioria dos projectos literários, devido ao seu tamanho e complexidade, precisam de ter metas definidas. É importante definir alguns objectivos intermédios e marcos temporais para os atingir.

As metas podem contemplar escrever o primeiro rascunho num mês, escrever um capítulo em dois dias, rever a obra até à data X…

Definir marcos quantificáveis e verificáveis ajudam-te a criar uma estratégia que supere os atrasos e evite a procrastinação.

Pessoalmente tenho uma série destes, guardados nas gavetas virtuais e nos cadernos de notas, à espera da próxima inspiração consumidora. E já se viu no que isto dá…

Apesar de ter definido prioridades em alguns projectos mais prementes (como escrever pelo menos: dois artigos de 800 palavras por semana para este blogue, um conto por mês entre 1000 e 10 000 palavras (desafio 12 meses/12 contos), um conto até 1000 palavras por mês (Fantasy & Co.), sinto necessidade de avançar com outros textos de maior envergadura, pelo que vou começar a minha lista de prioridades assim que acabe de escrever este artigo. There’s no time like the present. Verdade!

E tu? Há algum projecto que tenha ficado para trás, apesar de pensares nele constantemente? Algum texto que beneficie duma análise racional e desapaixonada?

ΦΦ

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