Recursos do Escritor: O que são Arquétipos Literários

Recursos do Escritor- O que são Arquétipos Literários

“Nenhum arquétipo pode ser reduzido a uma simples fórmula. Trata-se de um recipiente que nunca podemos esvaziar, nem encher. Ele existe em si apenas potencialmente e quando toma forma em alguma matéria, já não é mais o que era antes. Persiste através dos milênios e sempre exige novas interpretações. Os arquétipos são os elementos inabaláveis do inconsciente, mas mudam constantemente de forma.” Carl Jung

Compreender os arquétipos de uma obra é uma das formas mais comuns de análise literária. Um arquétipo é um padrão, um tema universal que se manifesta de forma diferente e individual, cuja mensagem é significante para o colectivo.

O conceito de arquétipo é indissociável do psicólogo Carl Jung cuja investigação contribuiu para as definições deste conceito tal como o conhecemos actualmente. Jung acreditava que os arquétipos eram o resultado do inconsciente colectivo, produto das experiências partilhadas com os nossos antepassados. Este insconsciente colectivo, parte integrante do ser humano, cujas ideias conceptuais podem sem identificadas na história das várias culturas mundiais.

Os arquétipos mais comuns podem ser classificados em três tipos:

Arquétipo de Carácter

Inclui:

  • O Herói – A figura corajosa, aquele que faz tudo para salvar o dia.
  • O Pária – O proscrito da sociedade que foi expulso ou isolou-se da sociedade.
  • O Bode Expiatório – Aquele que é o culpado, justo ou não, de tudo o que acontece.
  • Os Apaixonados Condenados – O jovem casal apaixonado que o destino insiste em separar (imortalizado por ‘Romeu e Julieta’ de William Shakespeare.
  • A Tentadora – A beldade cuja atracção física pode provocar a desgraça do herói.
  • O Ideal Platónico – O ser que inspira uma atracção espiritual no herói.
  • A Donzela em Apuros – A mulher vulnerável que é salva pelo herói.

Arquétipo de Circunstâncias

Inclui:

  • A Tarefa – Quando uma ou mais personagens têm de realizar uma tarefa de proporções monstruosas.
  • A Missão – Quando a personagem procura algo, seja consciente ou inconscientemente. As suas acções, pensamentos e sentimentos centram-se na concretização desse objectivo.
  • A Viagem – A viagem envia o herói em busca de algo que restabeleça a ordem e a harmonia, forçando-o a passar por atribulações que o levem a aceitar a sua responsabilidade pessoal, para que possa retornar ao local de onde partiu.
  • O Fim da Inocência – A personagem recebe uma lição da vida, seja através duma experiência violenta, sexual ou qualquer outra.
  • Conflito entre Pai e Filho – Tensão derivada do afastamento entre pai e filho.

Arquétipo Simbólico

Inclui:

  • Luz vs. Escuridão – A dicotomia entre a Luz (associada à esperança, à renovação, inteligência e a tudo o que é bom) e a Escuridão (associada ao desconhecido, ao desespero, ao medo e a tudo o que é mau).
  • Água vs. Deserto – A água representando a vida, o nascimento e o crescimento espiritual, enquanto o deserto é a ausência de toda a vida.
  • Céu vs. Inferno – A luta entre as forças primordiais que regem o Universo.
  • Significância das Cores – Preto para simbolizar o caos, o desconhecido, a morte… Vermelho para sangue, sacrifício, paixão… Verde para esperança, crescimento, natureza…
  • Significância dos Números – Três simbolizando a Santíssima Trindade; Quatro para os elementos, as estações do ano, a humanidade; Seis para o diabo; Seven para a relação entre o Homem e Deus, os sete pecados mortais, sete dias da semana, sete cores do arco-íris…
  • Significância dos Elementos Naturais – Ar simbolizando a liberdade, o movimento, Terra para feminino e sólido, Lago para mistério e profundidade, Chuva como dádiva da vida, Vento para mensageiro e vida…

Os arquétipos ajudam a dotar a história de significância, estando presentes em algumas das mais conhecidas obras literárias mundiais. São personificações dos defeitos e qualidades humanas, são subtilezas imbuídas numa história, compreendidas universalmente.

Uma boa leitura sobre este tema é: “How to Read Literature Like a Professor” by Thomas C. Foster (espero fazer uma crítica em breve).

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