Palavras Soltas: Sem medo da escada

primeiro degrauEste é um dos primeiros preconceitos a superar quando começamos a pensar em escrever alguma coisa. O medo de dar aquele primeiro passo, de começar algo com intenção, e não apenas ilusão.

Depressa nos acomodamos às nossas convicções e, antes mesmo de começar, sofremos a ansiedade em ver a obra terminada. O receio em acreditar que o produto do nosso esforço é digno, que é bom, e desejamos abarcar toda a realidade de uma só vez… em vez de começar por dar o primeiro passo, subir aquele primeiro degrau, sem o qual nada se constrói.

Mas, se ao subir o primeiro degrau provamos que somos capazes, não significa que temos o que é preciso para subir os restantes.

E sabem outra coisa? Todos os dias, antes de começar a escrever alguma coisa, todos os dias nos debatemos com este primeiro degrau. Mesmo que já tenhamos subido inúmeros degraus, progredido muito, batalhado por algo, ao olharmos para o tamanho da escadaria à nossa frente, faz-nos desejar ter toda a escada controlada, tudo medido e arranjado. Queremos ter a certeza dos resultados do nosso esforço. Queremos saber, sem qualquer margem para dúvida, como tudo acaba… esquecendo-nos que, em vida, a escada nunca acaba. Só se sobe (ou desce) mais um degrau.

Esta ânsia em controlar o mundo à nossa volta faz-nos esquecer que dar aquele primeiro passo é importante. Todos os dias, esse primeiro passo é o mais importante. Milhares de primeiros passos que nos entregam ao caminho. Passos que nos elevam ou, às vezes, nos empurram escada abaixo.

Mas, todos os dias, temos de subir o primeiro degrau. E depois?! Depois, subimos os subsequentes. E continuamos a trepar até chegarmos ao topo da escada ou escolhermos uma outra escadaria que nos leve ao destino desejado.

O que não devemos fazer? Não parar a meio. Não descer degraus. Podemos ser empurrados da escada, por nós mesmos ou por outrem, não importa quem. Não podemos  ceder à vontade de nos sentarmos nesse degrau a observar a vista lá em baixo, ou o que perdemos de vista lá em cima, enquanto a escadaria continua ali à nossa frente.

E se tivermos medo das alturas? É não olhar para baixo. Seguir, trepar, seja qual for a9082_514366705283715_348813987_n escada que tenhamos escolhido para nós.

Todos os dias olhamos para os projectos em andamento, ou ainda em ideia, e temos de ter a coragem de afastar o medo, de dar aquele passo, de subir mais um degrau. Porque mesmo aquilo que consideramos não ter valor ensina-nos alguma coisa. Cada momento de exaustão, tristeza ou cansaço, é também um momento de fé. Fé, não em algo intangível, mas em nós próprios e na nossa vontade de continuar.

E, se hoje o degrau não é uma história nova, pode ser um plano, uma ideia a investigar, uma inspiração que se recolhe para usar daí a uns degraus. Importante é perseverar, manter a fé e continuar… mesmo que, às vezes, não se compreenda como.

Como “falar” é fácil, e já que dei este passo, volto àquilo em que estava a trabalhar. Mais um dia, mais um degrau, numa estrada para lado nenhum… tal como todas as outras.

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