Opinião: ‘Amores Contados’ Antologia de Contos da Alfarroba

Amores ContadosAcabei de ler ‘Amores Contados’, arrepiada até aos ossos com ‘Um, Dois, Três’ de Rosa Bicho Gonçalves e motivada com ‘Café Avenida’ de Jorge Campião.

Mas, vou começar pelos contos que menos me disseram, porque acho que devo manter um crescendo nestas coisas e fornecer aos autores a minha opinião sincera.

‘As fotografias falam baixinho’ de Cristina Milho. A ideia é interessante mas não consegui relacionar-me realmente com este conto, não sei se por alguma confusão na apresentação das cenas e personagens, se por algumas partes serem descritas de forma muito superficial. Não ressoou, pelo que fico-me pelo ‘Gostei, mas não fiquei deslumbrada’.

‘Amor de Viagem’ de Francisco Vilaça Lopes, segue a linha do conto anterior. Um conjunto de cenas que, apesar de escolhidas para despertar sentimentos fortes, para mim, ficaram aquém nesse propósito.

‘Uma Questão Matemática’ de Ana Ferreira. No seu estilo próprio, toca alguns temas interessantes. Numa linguagem crua e, de certa forma, mais real, proporciona uma mistura de sexo, amor, problemas conjugais, e vivências daqueles que escrevem. Não gostei particularmente do início, nem do final. Ambos soam a uma espécie de justificação para a história, o que não era necessário. O texto é o que é, sem desculpas, sem medos.

Gostei. Não abanou as minhas fundações, mas é um conto bastante diferente dos restantes. Acho que, a escrita da Ana, possui um estilo bem definido que tem todas as condições para, com o tempo, evoluir e crescer.

‘Café Avenida’ de Jorge Campião. Um conto construído tanto pelo que se diz como pelo que está implícito. Um dos contos que mais gostei nesta Antologia, que toca algumas das subtilezas da falta de comunicação entre casais. A desconfiança, a mágoa, a traição e a sensação de ‘arrancar do tapete’ debaixo dos pés, as ilusões e o inferir da existência de problemas reais mascarados por trás de uma fachada bem construída.

A ironia do final é uma representação perfeita das implicações das acções das personagens. No fim, não importa o que se fez, mas o que se sentiu, e como isso nos impede de voltar à normalidade e impele por outros caminhos, nunca antes considerados. Sem dúvida, um bom conto.

E, por fim, ‘Um, Dois, Três’ de Rosa Bicho Gonçalves. Tão curto, tão poderoso. Como afirmei no início, foi com um arrepio pegado que li estas cinco páginas. A dor da perda é algo demasiado pungente e, quando num texto bem escrito, proporciona-nos vislumbres daquilo que nunca estamos preparados para enfrentar. Um conto, que encerra esta Antologia, com uma nota de algo mais.

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