Opinião: ‘The War of Art’ de Steven Pressfield (e como boicotar o sonho)

the war of artDepois de consumir ‘Turning Pro’ (cuja opinião encontram aqui…) achei que tinha de ler a obra que deu o mote à teoria da Resistência.

Pensei que seria um livro capaz de proporcionar uma poderosa experiência emocional… afinal, (e terá sido só comigo?) parece que ‘Turning Pro’ estragou a novidade.

‘The War of Art’ com prólogo escrito por Robert McKee (o mestre de ‘Story’), o que é um grande elogio, é suposto ser uma forte pancada na cabeça. Atingiu o objectivo, de certa forma. Presumo que o teria feito de maneira mais traumática, se o tivesse lido primeiro. Uma vez que não o fiz, confesso que relacionei-me mais com as experiências de vida de Pressfield, a indigência, a luta e o sacrifício expostos em ‘Turning Pro’ do que com a formulação da Teoria da Resistência em si mesma.

No entanto, e como cada um retira de um livro aquilo que faz mais sentido para si, acabei com três páginas de citações (e um massacre de partilha de texto com aqueles que seguem a minha página de autora no Facebook).

Trocadilho óbvio com ‘The Art of War’ de Sun Tzu (e um inferno para a mente disléxica), divide-se em três partes distintas:

Book 1 – Resistance – Defining the Enemy – sobre o que é a resistência;

Book 2 – Combating Resistance – Turning Pro – sobre como experienciamos as várias facetas da resistência;

Book 3 – Beyond Resistance – Higher Realm – sobre como conquistar o sonho;

E, é uma guerra…

Este livro faz-nos pensar e colocar algumas perguntas como: O que é a Resistência? O que estamos dispostos a fazer para conquistar aquilo que queremos? Será que queremos mesmo? Como enfrentamos os nossos demónios? Porque desistimos do sonho? Porque é que nem todos nascem para “isto”? E, tantas outras coisas em que pensamos quando contemplamos os motivos do insucesso.

Conheço muitas pessoas assim. De áreas diferentes, com sonhos diferentes. Com medo de falhar se realmente se dedicarem seu sonho e que, por isso, o evitam a todo o custo. Aliás, acho que todos começamos assim. Mas depois, uns ficam assim, enquanto os outros lêem Pressfield e acham que descobriram a pólvora 😀

Apenas quando decidimos trabalhar no que gostamos, seja a que horas for e em que condições físicas ou psicológicas, indiferentes ao sucesso tal como é percepcionado pelos outros, mas atentos ao esforço que fazemos e que não desejamos experienciá-lo de outra forma, é que podemos ser levados a sério.

Apenas quando é real, sem qualquer dúvida de que é nosso, e que não escolheríamos qualquer outra coisa ao invés das horas de dores de costas, tendinites agudas, mãos inchadas ou alvo de resistência alheia, é que esta figura de Profissional faz algum sentido.

Depois de ler uns quantos livros sobre a arte da escrita, comportamentos, musa, inspiração, técnica e afins, considero este “menino” um pontapé no sítio certo para aqueles que ainda têm dúvidas sobre a sua “condição profissional”.

Mas, (relembro) aconselho que leiam este primeiro e, só depois, o ‘Turning Pro’ para não adulterarem a experiência… E leiam os dois… seja qual for o vosso Sonho.

Confesso que a última parte (Book 3) causou-me alguma comichão. A assumpção de forças abstractas que regulam a capacidade de criar não me caiu lá muito bem, acho que por estar ligada a uma visão mais metafísico-religiosa que prática. Crença q.b. por favor… No início do livro 3, Pressfield aconselha o leitor a abstrair-se dessa crença (que é sua) e a ligar os conceitos à Musa, tal como tem sido identificada em muitas outras obras. Assim, esta parte torna-se interessante mais pelas referências literárias que emprega, e pelo incentivo à acção, do que pela visão conceptual proporcionada.

Já as duas primeiras partes, ajudam-nos a identificar comportamentos e estados de espírito, e associar recorrências que são como praga no dia-a-dia (de quem adia). Acho que, se formos sinceros connosco (mesmo que não o sejamos com os outros), conseguimos localizar cada momento de dúvida, cada consequência cáustica, cada falha provocada pela ‘Resistência’… eu consigo.

Mesmo sabendo que me sento, todos os dias, nesta cadeira e dou aquilo que acho ser o meu

um dos meus cantinhos de escrita...
um dos meus cantinhos de escrita…

melhor, vejo cada auto-boicote com clareza (é só estar atenta àquilo que dá medo). Mesmo fazendo muito, sei o que não faço… Mas ainda estou aqui, a cumprir prazos, a fazer planos, a escrever. As coisas mudam. Sim, mudam. Mas a minha primeira história foi escrita assim, à noite, sem ninguém saber, num período muito complicado. Depois dessa história, vieram outras. Depois destas, outras… E hão-de vir muitas outras.

Tal como Pressfield defende, a Resistência não é uma guerra que se vença de uma vez. São batalhas constantes, nas quais lutamos todos os dias. Todas as horas do nosso dia. Por isso, é impossível vencer a Resistência.

O que é possível é assumir que somos profissionais. Sentarmo-nos, todos os dias, nessa cadeira e Escrever. Seja bom, mau, assim-assim, não importa. Importa assentar o traseiro, mandar as dores irem dar uma curva, pôr a cabeça a funcionar e os dedos a teclar.

Acho que, mais uma vez, acabei por falar mais do que o livro é para mim do que sobre a obra em si mesma… Típico. Relembro, outras opiniões e críticas (im)parciais podem ser lidas aqui…

Eu, fico-me com aquilo que me deixou a pensar. Depois de lerem, e aos iniciantes aconselho vivamente, espero que façam o mesmo: absorvam, escrevam e partilhem o que estão a pensar.

Afinal, somos amadores ou profissionais?

ΦΦ

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