Palavras Soltas: Medo num mundinho pequenino

1476352_391714077627858_273681537_nTer coragem no medo. Na escrita, como em tudo na vida, acho que aprendemos a viver com o medo. Ignoramo-lo quando é preciso, enfrentamo-lo quando não vemos nenhuma opção viável, acomodamo-lo à nossa forma de ser e de pensar. Acostumamo-nos de tal forma a senti-lo que, por vezes, chega o dia em que reparamos que desapareceu quase por completo.

Aquilo que nos assustava, a simples tarefa que parecia hercúlea, transforma-se em algo… habitual, quase corriqueiro. E, com essa confiança de que somos capazes, advêm novos desafios, o alargar do espectro da nossa consciência.

A luta em escrever, e esconder, os primeiros poemas. Rasgar as folhas onde anotei as primeiras histórias em pedaços tão pequeninos que ninguém seria capaz de as reconstruir. Criar as primeiras letras de músicas que entoei (e ainda o faço) só para mim. Escrever os primeiros artigos de blogue e desejar que o mundo não os notasse. Compor o primeiro livro e desejar enfiar-me num buraco cada vez que alguém o abria à minha frente. Debater-me com o que colocar num Conto que chega com facilidade a 100 pessoas que não conheço (e a quem provavelmente nunca serei capaz de agradar).

 Mas lembro-me, também, de festejar o dia em que o blogue registou as 10 visitas. O momento em que um conto foi aceite para publicação. O primeiro comentário verdadeiramente elogioso. O prazer que senti quando, os que me acompanham, se sentiram felizes em alguma medida relacionada com a minha escrita. E mais umas coisas que nunca julguei ser capaz…

E quando alguém importante me diz “vives num mundo pequenino” penso, em tantos medos escolhi digladiá-los de formas que talvez não compreendam. Em tantos sonhos, escolho aqueles sem os quais nunca soube viver. No meu mundo pequenino, chego onde eles não vêem, o intangível, o irreal, o Meu. No medo tenho encontrado a minha coragem. Quem acha que vive sem medo e sem obstáculos não os supera. Possui-os e não os assume. Pois, se não inflama, vive para que sonho? E se não tem medo, assumindo que tal seria possível, terá coragem? É um mundinho cheio e pequenino? Ou enorme e vazio?

Mas também sei que medos vão e voltam. Nunca os vencemos por completo. Há uns que desaparecem. Outros que nunca irão desvanecer-se. Aproveitamos aqueles períodos em que eles amainam e suportamos aqueles em que se insurgem. Na escrita, como na vida, existem destas marés. Eles próprios são marés e, a cada dia, deixamo-nos banhar pelo constante avançar e regredir daquilo que nos assusta.

Combatemos o medo com tudo o que temos e, no final, há coragem? Dentro do meu mundinho, por vezes, ela passa despercebida. Parece que não, que me limito a fingir que há. Mas, na verdade, já não escondo os meus poemas (também não os publico só porque sim). Não rasgo as folhas onde aponto as minhas histórias. Já não escrevo música… por opção. Partilho os meus artigos em grupos que vão desde as 15 pessoas às muitas mil (que não os lêem). Dos livros escritos, dois foram lidos por outros antes de revisões de maior. Publico contos com frequência. Escrevo sem retribuição que não seja a de ajudar os que me lêem (e muito agradeço aos que decidem enviar comentários). E o resto, que não é para aqui chamado, daria uma lista bastante longa…

É Meu. O mundinho, o medo, a coragem, as vitórias e as derrotas. Tenho de tudo, mesmo que não o saibam. Mesmo que não queiram saber.

Às vezes, sou tão pequenina no meu mundinho. Noutras, ele parece-me tão pequeno…

“I’ve learned that you can feel courageous in the midst of fear. They’re not opposite. Confidence comes as you act…the feeling follows the action. So sometimes I have to fake it. I have to act the way I want to feel, until I learn to trust the feelings will come.” Jeff Goins artigo ‘My Top Four Tips for Writing Awesome Articles

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