Opinião: ‘Cem Poemas Para Salvar a Nossa Vida’ organizada por Francisco José Viegas

Bastam ‘Cem Poemas Para Salvar a Nossa Vida’? É só isso que é preciso? Jácem poemas_capa podiam ter dito… teria lido o livro mais cedo.

Não tenho por hábito fazer artigos de opinião sobre compilações de poesia… salvo raras excepções. Isto porque, antologias reúnem vários poemas, poetas e estilos, o que faz com que a opinião global da obra acabe por prejudicar uns (aqueles cujos poemas mais me tocaram) e beneficiar outros (os que não me disseram nada). Não gosto de opinar sobre este e aquele, cujos poemas merecem menção, e depois evitar aqueloutro. Mas ‘Cem Poemas Para Salvar a Nossa Vida’ é uma das excepções.

Este é um conjunto de poemas, uma evolução histórica dos poetas e poemas que nos “salvam a vida” nas ocasiões menos favoráveis (e mais oportunas). No início, não entendi o porquê deste título e desta premissa. Como leitora assídua de poesia, e poeta em laboriosa (e frutífera?!) formação, compreendo a realidade dos poemas que, ao lê-los, parece que me lêem a mim.

Poeticamente falando, é uma noção que faz sentido. Para as pessoas comuns, aqueles para quem a poesia é demasiado obscura para ser lida, não terá qualquer cabimento. E é sobre este ponto que quero também mencionar a Nota Final, escrita por Francisco José Viegas, o organizador desta antologia.

“Para aqueles que julgam que a literatura é um corpo animado no grande conjunto das virtudes cívicas, não vale a pena pensar em poesia. Ela é pura salvação; e sem porquê. Não nos ensina quase nada. Não faz de nós melhores cidadãos, mais cumpridores ou mais responsáveis. Aliás, o que ensina – ou o que mostra como uma evidência – é geralmente o contrário dessas virtudes. Por isso, ler cada poema é como aceitar o nosso lugar num assentamento no meio do deserto, rodeado daquilo que cada um de nós leva consigo. O resto são versos. E nem é literatura. É sempre outra coisa.” Nota Final por Francisco José Viegas

E é isto. Ninguém o teria escrito melhor. A poesia não nos torna melhores.Cem poemas_contracapa Socialmente, é mesmo o contrário, pois debate-se com o ilícito, a dor, a negação absoluta das mentiras que vivemos diariamente. Ela é um repositório do que trazemos connosco, do que pensamos, da forma como encaramos determinado assunto. E lemos-a imbuídos daquilo que nos define como pessoas, do que somos. Projectamos nela o que somos e interpretamos-a da mesma forma. O que ela é, e o que faz por nós, depende de quem somos e da perspectiva que temos da vida e do mundo que nos rodeia. Os versos em si são palavras, formatadas em determinado estilo e/ou métrica, que podem dizer qualquer outra coisa.

“Eu sou a poesia e a poesia é minha escrava.

Eu sou a harpa de todos os cantores e músicos.

A minha poesia é uma coroa para os reis.

Uma tiara nas cabeças dos poderosos.

Eis-me aqui com dezasseis anos

Mas a minha alma é como a de um octogenário.” Solomon Ibn Gabirol

Em cem poemas seleccionei vinte favoritos. Nada mau para uma antologia. ‘Cem Poemas Para Salvar a Nossa Vida’ foi um presente que me ofertei no Dia Mundial da Poesia em conjunto com ‘Vinte Poemas de Amor e Uma Canção Desesperada’ de Pablo Neruda.

Esta é uma quadra de um poema que adorei (e tenciono dedicar um tempo a pesquisar mais poesia deste autor):

“Já na minha alma se apagam

As alegrias que eu tive;

Só quem ama tem tristezas,

Mas quem não ama não vive. (…)”

‘Quem não ama não vive’ de António Botto

Para os leitores de poesia: na minha opinião, é uma antologia merecedora das cinco estrelas. E, é um livro com um design fantástico. Capa dura, e lindo, de uma simplicidade com muito bom gosto.

Para os restantes… não se incomodem. Apreciem a vida pelo que ela é. Deixem os obtusos preocuparem-se com as obscuridades da mente e coração humanos.

A poesia também nos ensina que, com o tempo, aprendemos a aceitar que há coisas que não conseguimos mudar. Podemos, apenas, dar o exemplo… e ter coragem para aceitar e superar.

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