Recursos do Escritor: Tendências Digitais para 2015 – O futuro do que escrevemos

Seguindo aquela máxima “Escreve sobre o que sabes…”, e dando uso àquela partemarketeer que diz “… sabe mais”, nas minhas leituras deste mês incluí uma revista especializada em Marketing.

A ‘Marketeer’ fala um pouco sobre o estado das marcas em Portugal, sobre estudos de mercado efectuados aos consumidores, sobre eventos de sucesso e empresas em mudança, novas formas de fazer negócios e novidades em vários sectores de actividade da venda a retalho. Alguns artigos deixaram-me curiosa, outros ajudaram-me a encaixar ideias e, outros ainda, saltaram do seu domínio e entraram num cruzamento interdisciplinar.

Um dos textos, que mais cativou a minha atenção, foi o “Estudo Microsoft Digital Trends 2015”. Encontrei-o no bloco de artigos “Estudos” sobre o consumidor digital e mostra-nos a evolução das tendências dos consumidores/utilizadores digitais no período entre 2013 e 2015. Citando:

O estudo Microsoft Digital Trends 2015 permite à Microsoft conhecer as expectativas do consumidor em relação ao futuro digital.

Em que é que isto nos serve? Ora, como produtores de conteúdos digitais, administradores de plataformas online, criadores da nossa própria identidade virtual e marketeers da própria marca… serve-nos, e muito.

Esta são 8 tendências macro que devemos considerar e aplicar àquilo que os leitores procuram nos nossos blogues.

O conteúdo digital tem sofrido muitas alterações. Há cada vez menos gatekeepers e cada vez mais produtores independentes. A informação tem crescido de forma exponencial não nos permitindo o tempo para avaliar se devemos/queremos seguir determinada entidade virtual. Os conteúdos cativam-nos nos primeiros segundos ou nunca mais voltamos. O visual agrada-nos ou repugna-nos ou, pior, não é memorável em nada. Entramos, saímos e não regressamos.

Estas são as 8 tendências identificadas pela Microsoft e, para mim, são as 8 características que nos distinguem como leitores e que asseguram que, como bloggers, criamos o conteúdo que faz mais sentido para quem nos lê.

1. Intelligently On: a cura para o “always on”

Já não queremos estar sempre conectados. Queremos estar ligados ao que nos serve, àquilo que nos interessa, ao que é útil e que combina connosco de forma natural. Queremos ligar-nos no momento certo.

Como bloggers, queremos que o leitor tenha acesso aos conteúdos que deseja, de forma amigável e orgânica, organizados de forma inteligente e simples, sempre com um contexto que faça sentido. Queremos que o leitor nos procure porque sabe que o conteúdo é aquele que quer e que precisa.

2. A Redefinição do Real: o digital também é físico

O que se passa nas interwebs, fica nas interwebs… ou não. Redefinimos a realidade porque quem administra um blog, quem escreve conteúdos por nenhuma outra recompensa que ser lido, quem se expõe ao partilhar ideias e opiniões publicamente, redefine o espaço virtual à sua medida.

Somos pessoas. Por trás dos textos, das fotografias e dos perfis nas redes sociais, somos pessoas reais com corpos, maneiras de ser, problemas e circunstâncias de vida. Não há ambientes puramente digitais. Não há hipóteses de nos escondermos atrás de um ecrã. Há interacção entre pessoas que escolhem envolver-se ou não.

3. O Meu Valor: quid pro quo

Os leitores são importantes. A sua atenção, opiniões e  satisfação são importantes. Há uma reciprocidade entre consumidor e fornecedor que define o sucesso da relação.

O mote “Se construíres, eles virão”not so much. Constrói algo de valor, sim. Mas constrói algo que acrescente alguma coisa a quem te lê. E sabe o que é essa coisa que pretendes acrescentar. Construir, só porque sim, não funciona. Construir com um plano, objectivos e aferição de resultados, é prestar um óptimo serviço a quem nos lê. Ofereces algo valioso e, em troca, eles regressam para ler e reler. A comunicação é uma troca benéfica. É dar e receber. É gerar entendimento.

4. A Nova Era da Descoberta: o acaso intencional

Estamos na era das novidades. Da app que desconhecíamos, há uma hora atrás, e sem a qual não conseguimos viver. Da solução para o problema que não sabíamos gerir e que, subitamente, alguém executou de forma maravilhosamente simples. Estamos na era da supressão das necessidades do dia-a-dia com um gadget impressionante que calcula tudo antes de pormos um pé fora da cama. Estamos na era de novos serviços, das soluções interessantes, da interacção objectiva com conteúdo e utilidade.

Estamos na era de oferecer algo que os faça regressar… e continuar a fazê-lo sempre e da melhor forma que nos for possível.

5. Redes Instantâneas: quem sou eu agora?

Procuramos ligações pessoais e genuínas com outros que partilhem as suas experiências do (e no) momento. Seguimos o que nos interessa hoje, que pode ser fundamentalmente diferente do que nos interessará amanhã. Seguimos quem nos propõe soluções, aqueles com quem nos identificamos. Voltamos se o que somos se coaduna com o que lemos e se, aí, encontramos uma possível solução para o nosso problema.

A vida está em constante evolução para todos nós. Não devemos manter-nos estáticos porque aquilo que todos queriam ler ontem não é aquilo que querem ler hoje. Quem sou eu agora? O mesmo de ontem, mas numa versão melhorada. Com mais conhecimento, vivências e experiência. Com problemas diferentes e em busca de soluções novas. E, é isso que oferecemos a quem nos lê, a nossa própria capacidade de mutação e de busca por aquilo que nos move.

6. Direito à Minha Identidade: curadoria do meu eu digital

O anonimato está morto. Ou deveria estar. Todos temos direito a ser quem somos, à nossa personalidade e às nossas opiniões. A noção de que temos este direito, e dever, é que nos leva a visitar determinados sítios em detrimento de outros. Temos direito a relações virtuais (e reais) mais genuínas, a ser quem somos e ler sobre o que queremos. Temos direito a reconstruir, a ver apagado aquilo que éramos ontem, e que já não somos. Temos direito ao controlo sobre o que produzimos, procuramos e desfrutamos.

Quem nos lê tem direito ao seu Eu digital que pode, ou não, identificar-se com o nosso. Cabe-nos ser o que somos e deixar que as tendências se manifestem.

7. Vida em Análise: não só informação, mas insight pessoal

A compilação e mostra de informação não chega. É a visão do comunicador que transmite a ideia de forma cativante, a sua personalidade e opiniões que nos permitem identificarmo-nos com aquilo que lemos.

Aquilo que o leitor nos deixa nos espaços virtuais é útil na criação de conteúdos mais adequados. Para fornecermos soluções precisamos conhecer melhor quem nos lê. Queremos saber do que precisam. Como podemos ser úteis com os nossos conteúdos. Queremos saber o que vos fará regressar.

Se quiserem dar uma ajudinha, respondam a estas 4 perguntinhas aqui… Só demora um minuto e o vosso feedback é muito importante para mim.

8. O Eu Criativo: unicamente eu

Todos somos criativos. Uns apenas escolhem sê-lo através de meios mais públicos.

“Experimentalismo, criatividade e expressão individual…” uma tríade a pôr em prática. Não porque seja Tendência mas porque, através dela, somos capazes de ir em busca daquilo que fará o leitor regressar e fidelizar-se. Todos nós queremos encontrar aquele sítio que parece que foi feito à nossa medida. Aquele em que acreditamos, e que podemos ajudar a customizar para ficar mais ao nosso jeito. Queremos sentir-nos envolvidos, personalizar a experiência e dar feedback. Do outro lado, queremos envolver, personalizar a experiência e receber feedback e, em última análise, maximizar a utilidade para quem nos lê.

E são estas as 8 Tendências Digitais em 2015, adaptadas à nossa realidade de escritores virtuais…

As Tendências Digitais em 2015 consistem no reforço do Eu, a busca pelo melhor, a adaptação do que procuramos àquilo que somos, a identificação e resolução dos nossos problemas.

Quem lê procura exercer os seus direitos: ser respeitado; receber aquilo que procura; obter a retribuição (na forma de ajuda) da confiança depositada; usufruir da criatividade do criado de conteúdos; receber valor na mesma medida em que criam laços connosco; escolher o momento/forma em que recebem o conteúdo; conectar-se connosco de uma forma que não permite ser nada menos do que pessoal.

Estas tendências representam uma evolução inteligente e são brutais naquilo que implicam. São só para os fortes de espírito e os verdadeiramente empenhados em gerar valor e em criar conteúdos verdadeiros, criativos e úteis. Nada menos do que isso.

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