Recursos do Escritor: 10 Regras da Escrita – A saber para opinar

As regras da Escrita são o tema mais quente desta vida de autor…

Quais são as regras? Há uma fórmula mágica, ou pior, matemática para ser um escreverescritor de sucesso? Devemos acreditar em tudo o que dizem ser regras a seguir?

Não é a primeira vez que abordo estes temas aqui no blog e, sem dúvida, que não será a última. Regras de formatos, diálogos, e escrita, têm merecido uma consideração constante… Mais não seja porque, para quebrar as regras, é preciso sabê-las. Mas, e quanto às regras menos textuais?

Não existem fórmulas mágicas para passarmos a escrever realmente bem. Existe trabalho árduo. Existe a nossa forma pessoal de criar e cunhar um texto. Existem algumas ideias a ter em consideração. Existem opiniões sobre os significados da coisa. E, o que significam elas para ti?

Aqui encontram o que representam para mim:

  1. Escreve sobre o que sabes…

E, eu acrescento “Sabe Mais”. Investiga, aprende, procura conhecimento, vive experiências novas. Um autor não vive de mesmices (alguns vivem, mas há géneros que se predispõem mais a isso do que outros).

Para mim, escreve sobre o que sabes significa:

– Dominar os temas sobre os quais se escreve
– Procurar o conhecimento que enriqueça a história
– Acrescentar valor. O valor que, só tu, como indivíduo poderás conseguir
– Fazer sobressair o que é pessoal, apaixonado e verdadeiro
– Criar personagens mais inteligentes do que nós somos
– Proporcionar a tua visão própria, aquilo que sentes profundamente, e que sabes que é importante para nós
– Dar uma perspectiva original sobre um tema
– Transformar o comum em extraordinário e inovador

 

  1. Agarra os teus leitores na primeira página…

Este ponto será curto e doce… Isto porque há vários artigos que podem ler aqui sobre a importância da primeira frase, outro sobre 6 inícios a evitar, e 5 estratégias para escrever um 1º Capítulo notável.

– Lemos ficção por puro entreternimento. É na primeira frase, na primeira página, no primeiro capítulo, que desejamos ficar agarrados à história
– O nosso trabalho como escritores consiste em proporcionar uma poderosa experiência emocional. Mexer com as entranhas do leitor é fundamental
– Foge das frases feitas, dos clichés, das afirmações demasiado introspectivas e/ou confusas
– Há um motivo melhor para arrumar um livro (e nunca mais o voltar a abrir) do que o autor nos inundar de descrições narrativas, histórias passadas e enquadramento das personagen?. Queremos acção, suspense, e emoção logo no primeiro capítulo. Queremos interessar-nos pela personagem, de tal forma que, não a consigamos largar

  1. Mostra, Não Contes…

Qual a diferença entre ambas? Algo que podem ler em mais pormenor no artigo Mostrar e Contar e, que se encontra intimamente ligado às 7 técnicas narrativas que, também, podem ler aqui…

– Cada uma delas tem o seu propósito numa narrativa literária
– É importante saber quando usar uma e outra
– Mostrar ajuda-nos a proporcionar uma poderosa experiência emocional, na medida em que nos permite dotar o texto de uma vivacidade única

  1. Escreve Primeiros Rascunhos da treta…

Não é que possamos evitar, certo? Toda a escrita começa como um primeiro rascunho da treta, algo incipiente, duma inspiração momentânea. Mesmo que tenhamos tudo planeado de antemão, colocar as palavras em frases, e as frases em blocos de texto, implica seguir um guião que criamos à medida que vamos imaginando e escrevendo. E, é a prática que faz a perfeição.

– Não evites o primeiro rascunho só porque sabes que será uma treta
– Escreve na certeza que voltarás para o editar, corrigir, cortar e acrescentar
– Põe o teu crítico interior fora de casa… e não o deixes regressar enquanto estiveres a escrever (bom mesmo era desalojá-lo por tempo indeterminado)
– Todos nós escrevemos primeiros rascunhos da treta… aliás, a maioria de nós também escreve últimos rascunhos da treta. Mas, cada novo rascunho, e cada obra, é um passo mais perto do objectivo final

  1. Escreve todos os dias…

Escrever é Trabalho. Escrever é o nosso trabalho, e deve ser encarado como todos os outros trabalhos, com seriedade. Se não aparecermos no local de trabalho oficial para trabalhar somos despedidos. E, é com isso em mente que devemos encarar a escrita. Escrever é uma escolha pessoal mas, e acima de tudo, é Trabalho que escolhemos fazer.

Sugiro que espreitem mais técnicas para gerar, organizar e usar ideias, num dos artigos mais visitados desde sempre, neste blogue…

– Escreve qualquer coisa todos os dias (ou na maioria dos dias
– Leva ferramentas de escrita (bloco de notas, telemóvel, tablet…) cada vez que te ausentas de casa
– Define ritmos, estratégias e práticas de escrita que possas repetir todos os dias
– Define quotas diárias, semanais ou mensais a cumprir
– Estabelece os teus tempos de pausa. Descansa para recarregares baterias e poderes regressar com planos e ideias novas

  1. Elimina os teus excertos preferidos…

Aquilo que eu chamo de floreados ou prosa Rococó. Aqueles excertos que são tão poeticamente trabalhados que não fazem qualquer sentido para quem os lê. Mesmo em poesia, isso é considerado mau. E, atenção, que falamos de poesia que vive de jogos de palavras. Em prosa, estes laivos de inspiração são… amadores.

São aquelas palavras bonitas, expressões elegantes, ou excertos espirituosos que nos deixam deslumbrados… mas cujo resultado fica aquém dessa graciosidade pretendida.

– se disseres “Eu adoro esta parte”, é uma suspeita do crime de prosa Rococó. Afasta-te do texto. Volta a ele, passado um tempo, e lê-o em voz alta. Corta tudo o que não soar genuíno
– Identifica os teus excertos preferidos e submete-os aos olhares atentos dos beta-leitores. Elimina-os, sem misericórdia, na falta das reacções que esperavas
– Se te parece prosa Rococó, com muitas palavras à mistura, muitas ideias divergentes, ou trocadilhos demasiado intencionais… Corta-os
– Pergunta a alguém o que entende quando lê um desses floreados. Se não coincidir com o que tu queres que signifique, sem teres de explicar, elimina-os
– Encontras o equilíbrio na prática

  1. Engrossa a tua carapaça

Todos os artistas padecem da delicadeza das suas sensibilidades artísticas. Todos nós desejamos enfiarmo-nos num buraco e desaparecer para toda a eternidade quando nos encontramos com as vozes críticas ao nosso trabalho.

Nem tudo o que essas vozes dizem é verdade. Mas, nem tudo será mentira. Cabe-nos desenvolver a capacidade para separar uma da outra, e trabalharmos para nos superarmos e colmatarmos as falhas apontadas.

– Vais ser criticado e o teu trabalho será rejeitado
– Terás de separar a crítica construtiva da destrutiva
– Mantém um espírito aberto, e a sede de aprender mais, para colmatar as tuas falhas
– Estás exposto ao crítico destrutivo? Afasta-te. Por vezes, ignorar é a melhor solução (já que dar-lhe um sopapo não é opção)
– Submete os teus beta-leitores a uma lista pré-formatada de termos, para que saibas exactamente a que se referem quando usam determinados termos/adjectivos

  1. Silencia o teu crítico interior…

Aquela vozinha irritante, que passa o tempo a relembrar-te, que não és bom o suficiente. Aquele sentimento, que te impede de escrever seja o que for, porque nada é bom para começar. Aquela moinha que te diz que é impossível seres perfeito, e que se rirá de ti, enquanto tentares sê-lo.

– Senta-te e Escreve. Já o ilustrei noutras ocasiões
– Concentra-te no que for preciso para ignorares essa gaja: “Isto não é para publicar.”; “Irei rever a seguir” qualquer coisa que te faça avançar
– Estuda o que precisares, tira cursos de escrita, lê muitos livros, participa num grupo de escrita, sê beta-leitor de outros escritores, aprende tudo o que achares necessário, mas escreve. Porque sem obra feita não há nada para criticar
– ou encara-a como a ajuda que queremos ouvir sussurrar, aquela que nos aconselha sem forçar, que nos ajuda, se estivermos dispostos a escutar sem julgar

  1. Escreve o que gostas de ler…

O que lês e a forma como lês é importante. Escreve sobre o que gostas de ler pode significar escreve o género que mais te agrada ler mas, pode também significar que, lês com atenção e procuras compreender o que funciona para ti como leitor, e como escritor, e como podes usá-lo e melhorar.

– Escreve no género que mais gostas de ler, frase conhecida também por: Escreve o livro que gostarias de  ler
– Sê um leitor dedicado. Alguém que lê por prazer e disfruta da criatividade alheia
– Sê um leitor/escritor, aquele que pensa sobre o que leu, as técnicas usadas, as falhas e as concretizações da obra
– Lê e relê tudo. Está atento ao que te rodeia, diligente e informado. Não chega ser criativo e, nesta arte, não serve ser-se indiferente. É preciso estar alerta e informado.

  1. Se queres ser rico, dedica-te a outra coisa…

Não há dinheiro fácil em lado nenhum. Mas, no mundo da escrita e das artes em geral, não há MESMO dinheiro fácil se é que há algum sequer… O que existe são muitas horas de trabalho, de aprendizagem, de prática falhada até se acertar em alguma coisa, de dedicação e compromisso sem qualquer recompensa que não seja a que as próprias actividades lhe trazem.

– Há espaço para empreendedorismo e ideias novas. Não há espaço comercial para a forma tradicional de publicação e fama advogada pelos que dominam o circuito.
– Pratica a tua arte, aprende, dedica-te, trabalha muito, e em muitas coisas diferentes
– Se não estás disposto a escrever pela recompensa que a própria escrita te traz, considera se este é o percurso indicado para ti

Mesmo os que decidem trabalhar como freelancers e conseguem talhar uma vida decente da arte que produzem, vivem na certeza que as recompensas nunca são exactamente na medida dos seus esforços.

Mas, e é aí que está o busílis, qualquer vida é uma luta… Qualquer emprego, qualquer profissão. A diferença entre esta, e outra qualquer, é ser-se feliz.

É a escrita que te faz feliz?

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