Recursos do Escritor: Cria os teus Rituais de Escrita

 

rituais de escrita

Velas acesas espalhadas pela divisão. Incenso a queimar. O quadro de cortiça cheio de frases inspiracionais. Um copo de vinho na mão. Todas as luzes acesas. Uma música de fundo… qualquer outra coisa assim do género.

O que vos inspira a sentar o traseiro na cadeira e escrever?

Pessoalmente, quando não sinto que tenho as coisas no lugar, ou quando não estou confortável por algum motivo, é muito mais difícil sentar-me e escrever seja o que for. Como aconteceu durante a gravidez, em que todos os assentos me pareciam feitos de pedra mármore, e o barrigão transformara-me num T-Rex de braços curtos.

Nem sempre temos um espaço nosso, afastado do burburinho da casa, onde possamos refugiar-nos para escrever. Tempos houve em que tinha a casa só para mim e podia escolher as rotinas sem interferência de ninguém. Agora, tal não acontece. Com uma criança pequena, é ainda mais importante definir o meu espaço criativo. Mesmo que seja, apenas, espaço mental.

Nos tempos dedicados aos meus escritos, vejo-me a acelerar o processo de me concentrar, de entrar na “zona criativa”. Mas tenho-me cercado de outros desafios, livros e blogues criativos, nos tempos em que não estou a escrever, ando sempre à procura das ideias, ambientes e exercícios que facilitem o meu ritual de escrita.

Reescrevo este artigo, no dia a seguir à vitória da Selecção Portuguesa, no Campeonato Europeu de Futebol de 2016. Outro bom exemplo de persistência e dedicação que, finalmente, deu os frutos que desejávamos. Outro incentivo a insistir e persistir.

Assim, aqui estão 6 dicas para criares o teu ritual de escrita:

  • Identifica os teus rituais habituais que antecedem a escrita. Comigo, começa com o pequeno-almoço. Trabalho melhor ao acordar do que ao final do dia. Enquanto como, aproveito para ler algo que me inspire, no tablet ou no telemóvel, num livro ou numa revista, acompanho a refeição com inspiração, lendo o que me atrai. Estes minutos de leitura, muitas vezes, ajudam a entrar na “zona”.
  • Vai para o local onde costumas escrever. Apesar de haver dias em que não chego a sair da cozinha, e em que um simples caderno chega para registar ideias, na maioria deles vou para onde tenho as minhas coisas: o meu computador pronto a arrancar, os meus cadernos, alguns livros, canetas, garrafa de água, e tralha diversa. Tempos houve em que ia para a minha secretária, rodeada das minhas coisas… mas, acabava sempre por voltar para o sofá, ou para a mesa da sala, ou para a mesa da cozinha. Continuo a usar todos os sítios, com excepção da secretária do escritório, que agora é um quarto. E, na prática, a sala sempre foi o local primordial.
  • Reúne tudo o que precisas. Certifica-te que tens tudo o que vais precisar enquanto escreves… para não teres de te levantar assim que o traseiro toca na cadeira. Para mim, é imprescindível a garrafa de água, os lenços de papel, o computador, os cadernos, as canetas, os livros, o repousa-pés. Odeio sentar-me por dois segundos e, de repente, lembrar-me que falta qualquer coisa… e não convém assoar o nariz à camisola. A ideia é estar o mais confortável possível para que as pequenas coisas não nos distraiam do que estamos a fazer (e como eliminar a praga de mosquitos deste Verão?)
  • Entra na tua “zona criativa”. Qual é a ambiência que te inspira? Velas? Música ambiente? O Timer Tab? A vista da janela? O som da chuva? Eu, quando escrevo, prefiro o silêncio. Quando faço pesquisa prefiro música ambiente ou sons da natureza… Ultimamente, os sons das taças tibetanas.
  • Isola-te do mundo. Desliga os telefones, o e-mail e sai das redes sociais. Por aqui, nunca acontece. Apesar de preferir o silêncio não posso abafar o mundo lá fora. A minha ansiedade não me permite isolar-me dessa forma… e, a da minha mãe também não. E, informar o mundo que vou escrever, é meio caminho andado para não conseguir escrever nada.
  • Não interrompas o “fluxo criativo“. Escreve. Não edites. Não pares para confirmar uma qualquer trivialidade, não te distraias. Mantém o fluxo criativo a funcionar. Ao início, qualquer distracção, notificação, janelinha de e-mail retirava-me da “zona”. Agora, só algumas interrupções o fazem. E, se eu tiver um plano definido, como durante o primeiro rascunho deste artigo, posso ausentar-me durante uns minutos e retomar o que estava a fazer. Claro que, a escrever ficção, já não é bem assim. É difícil voltar à “zona” se estiver constantemente a ser interrompida.

Resumindo, podes apaparicar a cena, ir para aquele sítio especial, com aqueles objectos por perto, a ouvir a tua música preferida, ou de copo ou cigarro na mão.

Mas, no final, interessa aquilo que produzimos, e a nossa capacidade de abstracção da realidade, para entrarmos na nossa arte. O resto, não interessa nada.

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