Recursos do Escritor: Speed – As histórias de Hollywood

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Sabem qual é o problema de estudar como se constrói uma boa história? Transforma-nos em maus espectadores.

A partir do momento em que começamos a compreender a produção ficcional como um conjunto de partes, com funções específicas, reviravoltas planeadas, experiências emocionais delineadas, eventos que avançam o enredo e personagens coerentes, numa consistência construtiva das fundações de uma história, nunca mais podemos não ver a importância dessas coisas.

Isto é bom, e mau, em simultâneo.

Bom, porque aprendemos a distinguir as histórias consistentes das Outras. Mau, porque quando nos sentamos no cinema, já não nos divertimos com a mesma facilidade. Há coisas que estão sempre lá a fazer comichão ao nosso escritor interior.

Há uns anos valentes (1994?!?! A sério???), vi Speed – Perigo a Alta Velocidade, pela primeira vez. Como apreciadora de filmes de acção, e do actor principal, este filme não me desiludiu.

Actualmente, perdi a conta ao número que vezes que voltei a ver este filme mas, há já uns anos que não o faço. Ontem cruzei-me com ele quase no início. E, em dia de descanso, fiquei a ver.

Curioso é recordar-me das emoções que senti quando vi este filme as primeiras vezes.  Lembro-me do que me fez voltar a vê-lo vezes sem conta. Posso dizer que as minhas lembranças prendem-se mais com o quanto ele me surpreendeu, e como me fez sentir, do que do enredo em si. Pode ser da idade mas, acho que é mesmo da concretização da poderosa experiência emocional, tal como entendida aqui.

O filme parte de uma premissa simples: como impedir um louco de rebentar uma bomba num autocarro e matar uma dúzia de pessoas inocentes?

A história começa com os ingredientes certos: uma situação semelhante, os bons acham que conseguiram travar o louco, impedem-no através de uma reviravolta surpreendente (o herói dispara sobre o colega e trava o louco), e estabelece logo o tipo de pessoa que ele é. O herói faria tudo para salvar vidas inocentes. O vilão faria tudo para ser ressarcido, por aquilo a que pensa ter direito, por sacrifícios passados.

Noutras circunstâncias, e sob outro ponto de vista, os espectadores até podiam concordar com os motivos do vilão, mas nunca com os actos. Uma perspectiva, que é genialmente explorada, na série televisiva Dexter, onde acabamos a torcer pelo assassino em série… que era suposto ser, também, um vilão.

Mas, voltando a Speed, temos também a história de amor. Nunca um filme fica completo sem, pelo menos, a alusão a uma destas. A parceira do herói é parecida com ele, nunca desiste e, quando pensamos que tudo está perdido, até ela, é o herói que se mantém firme. E, é por isso, que acaba tudo em bem.

Finais felizes são, também, um ingrediente para o sucesso de uma história, no entender da maioria dos espectadores, que não procuram histórias muito pesadas.

Com mais mensagem, ou mais acção, esta é uma história que tem os ingredientes certos para o sucesso, como se viu, e ainda se vê. Tem as reviravoltas nos sítios certos, as personagens adequadamente construídas, o fluir arrebatador do enredo… Se há algo que os mestres de Hollywood nos ensinaram é que há êxitos de bilheteira garantidos. Eles têm as formulas para tal e, noventa porcento das vezes, funcionam.

Quem assiste aos filmes, pela experiência em si, fica satisfeito. Quem os usa para aprender, traz uma mão cheia de bons exemplos. Quem sabe mais umas coisas, nem sempre tem uma viagem completamente satisfatória, dependendo do filme.

Eu adorei Speed. Naquela altura e agora. É entretenimento puro, para além de significar meia dúzia de lições sobre ‘ficção que agarra o espectador’.

Estudam os filmes que assistem? Quais vos ensinaram mais sobre as regras da ficção?

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