Um exercício de escrita. Escreve música.

escreve música

“Este livro vai ajudar-te a escrever pedidos de resgate melhores.”

Ocorre-me aquela conversa sobre a importância da primeira frase (ver aqui…), aquele murro no estômago, a gargalhada inesperada, os calores no rosto… Foi assim, com esta frase: “Este livro vai ajudar-te a escrever pedidos de resgate melhores”, que Gary Provost se apresenta na primeira frase de “Cem Maneiras de Melhorar a Escrita”.

Sabe Deus que precisamos disto. Nós, os aprendizes de escritores, precisamos disto… E, os outros também.

Mas, não foi para vos falar deste livro que comecei este artigo. Nem para desfiar o quanto podemos aprender com este escritor/professor americano, com um rol impressionante de títulos, de onde podemos escolher a nossa próxima leitura para os #recursosdoescritor.

Quero propor-vos um exercício.

Um exercício criado, em toda a sua forma, por Gary Provost, e relembrado por alguém que segue esta página no Facebook (Obrigada, Cláudio Lopes).

Então, começamos assim… Leiam a seguinte imagem (traduzo em epígrafe):

comprimento de frases

Traduzindo:

Esta frase tem cinco palavras. Aqui estão mais cinco palavras. Frases com cinco palavras estão bem. Mas várias juntas tornam-se monótonas. Ouve o que está a acontecer. A escrita começa a ficar aborrecida. O som começa a afogar-se. É como um disco riscado. O ouvido exige alguma variedade.

Agora ouve. Eu vario o comprimento da frase, e crio música. Música. A escrita canta. Tem um ritmo agradável, uma melodia, uma harmonia. Eu uso frases curtas. Eu uso frases de médio comprimento. E, por vezes, quando tenho a certeza de que o leitor está calmo, eu envolvo-o com uma frase de um comprimento considerável, uma frase cuja energia queima, construindo com todo o ímpeto de um crescendo, o rufar dos tambores, o bater dos címbalos – sons que dizem Ouve isto, isto é importante.

Assim, escreve com uma combinação de frases curtas, médias e longas. Cria um som que agrada ao ouvido do leitor. Não escrevas apenas palavras. Escreve música.

Com a excepção feita ao início que, por exigência do meu Português, usei 6 palavras e não as 5 usadas no texto original, mantive-me fiel à cadência do texto.

Só esta tradução é já um grande UAU. Sente-se o ritmo das frases, o crescendo do significado do texto, e a conclusão como um grandioso desfecho num concerto de música clássica.

Mas, continuando com o exercício…

Agora, vamos pegar num dos nossos textos, seja de que género ou extensão for, e procurar semelhanças. Ao fazer isto, devemos procurar medir a variedade de comprimentos nesse texto. Podemos mesmo transcrever excertos e contá-las.

O que concluímos? Usamos frases muito curtas? Muito longas? Variamos os tamanhos? Criamos uma cadência?

Ou, como Provost diz, escrevemos música?

O que nos falta para Escrevermos música? Não do género mínimas, semínimas e colcheias, em pautas. Mas, do tipo Cadência que provoca uma Experiência Emocional, como este simples exercício de escrita conseguiu provocar em mim. Se preferirem, experimentem traduzi-lo. Garanto-vos que não é tempo perdido.

Então? Vamos escrever música?

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2 comentários em “Um exercício de escrita. Escreve música.”

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