13 factos sobre a Criatividade

13 Factos sobre a criatividade

Criar, Criatividade, Arte, Engenho, é tudo uma ÚNICA coisa. No vasto espectro das nuances, é este o conjunto de palavras que define aquilo que considero o mais importante, nesta minha vida criativa.

Aquilo sem o qual não saberia SER…

E, já tentei. Acreditem. Passei a maior parte da minha vida a recusar. A tentar perceber porque gosto disto, ao invés daquilo. Porque prefiro uma coisa quando todos os outros preferem outras.

Ser a peça redonda, a esforçar-se por encaixar no buraco quadrado, é… doloroso.

Mas, nada disso importa agora. Sempre curiosa sobre esta minha “dificuldade” comecei a investigar o que poderia usar para manter a minha Criatividade viva.

Experimentei muitas coisas, testei uma variedade de Artes, li e investiguei (e investigo) tudo o que me parece interessante sobre este domínio, e tenho escrito muito sobre isso aqui no blog na esperança que outros, como eu, saibam que não estão sozinhos nas vossas buscas Criativas.

Há largos anos que procuro compreender os meandros Criatividade. O que nos faz sentir mais ou menos criativos. Quais as condições que rodeiam aqueles momentos de Flow. O que se passa na minha cabeça enquanto os diferentes processos se desenvolvem. O que soterra qualquer vontade de fazer seja o que for. Quais as actividades e pensamentos que mantêm a minha chama criativa activa ou, apenas, em modo de manutenção. Tenho procurado as bases, mais e menos, científicas para o funcionamento do cérebro antes, enquanto e após, criar algo.

Descobri que há muitos outros a estudar o mesmo. Cada um de nós, Criativos, seja qual for a arte que executemos (ou o conjunto delas) procuramos sempre uma versão deste conhecimento. Juntamos uns bocadinhos de ideias pré-concebidas, adicionamos uns romantismos, algumas crenças, uns pozinhos de saber científico, e formamos aquilo que, durante a nossa existência, nos permite encher o nosso poço criativo e executar.

Ao fim de três décadas de actos aleatórios de criação, entre poesia, ficção, não ficção, artesanato, costura, gestão, publicidade… cheguei a algumas conclusões que quero relembrar.

Assim, partilho convosco algumas coisas a não esquecer sobre a Criatividade:
  1. Não podemos deixar o poço da nossa criatividade esvaziar.

Nutrir a pessoa que somos é imprescindível para mantermos a nossa vida criativa e feliz. Como Pessoa devemos a nós mesmos procurar resolver as nossas questões e colocarmo-nos acima de tudo aquilo que nos esvazia o poço de criatividade… em especial, se o balde que nos rouba a água não nos pertence.

2. A vida é Criar. Mudança e adaptação ao dia-a-dia requerem isto.

A mudança é inevitável por isso aprender a recriar quem somos, a inovar no que fazemos, a Criar como puro acto de vida, é a chave para andarmos por cá felizes e contentes por mais uns tempos.

3. Nenhuma obra é criada no vazio mas sobre os ombros de gigantes.

Ahhh! como eu gosto desta metáfora. Para Criar algo é preciso conhecer o que foi criado, adaptar, desconstruir e voltar a conjugar. O cérebro trabalha com milhões de ligações eléctricas que funcionam assim. Quantos mais caminhos a funcionar, mais eficiente o cérebro é. Criar deve ser assim também.

4. Reservar tempo para a Arte não é egoísmo, é sobrevivência.

Quantas vezes adio dedicar-me seja ao que for das minhas artes? Quantas vezes adio até sentir que estou a sufocar? Ter uns bocadinhos para me dedicar não é egoísmo é auto-preservação. Porque sem Criar não sou feliz e os que me rodeiam também não conseguem sê-lo.

5. Conjugar experiências diferentes é a chave da Criatividade.

Por vezes, coisas que não pertencem sequer ao mesmo Universo são os pares ideais. Desconstruir e construir. Recolher e transformar. Juntar coisas distintas que encaixam na perfeição.

6. Não há fracasso, há aprendizagem.

Muito medo temos nós de falhar. Irra! Se não fizermos nada, não falhamos na mesma? Tentar alguma coisa que não funciona é, no mínimo, uma aprendizagem para o que pode vir a funcionar. Dói? Pois. Por vezes, não falhar também dói. Por vezes, concretizar como queríamos até dói mais. Aprendemos e continuamos a tentar Criar.

7. Construir os nossos desbloqueadores pessoais de criatividade.

Pensa. O que te faz Sonhar? O que te inspira? O que te impele a sair da inércia e ir criar? Identifica-os e usa-os sempre. Criar outras coisas. Outros suportes que te ajudem nas tuas artes. Leituras, áudios, cadernos, rabiscos, objectos, cursos, conversas, passeios, rituais…

8. O Extraordinário nasce do Corriqueiro.

É a combinação certa de coisas diferentes e banais. Todos desejamos Criar algo de extraordinário. Que evoque Uhs e Ahs daqueles que observam. Mas, como nada nasce do vácuo, é preciso enchermo-nos de corriqueiros, misturá-los todos, e atirarmo-nos à hipótese do extraordinário. Tudo o que seja menos do que isso, não é nada.

9. A Criatividade e a expressão artística são terapias e curam muito do que nos aflige.

Tantas pessoas há que se dizem não criativas e padecem dessa maleita. Quantas se dizem indiferentes às artes porque recusam que a parte que lhes alimenta a alma é aquilo que fazem com satisfação? Quantas receberam os julgamentos alheios e aceitaram não ser artisticamente dotados? Quantas acham que Ciência, Gestão ou Matemática, não envolvem Criatividade? Quantas descobrem nos passatempos uma fonte de satisfação? Quantas descobrem que Criar algo é a terapia que precisavam?

10. A vida tem valor e a Criatividade é essencial para viver feliz.

Aquilo que colocamos no mundo é a nossa maior fonte de felicidade (ou infelicidade). Não só os passatempos nos trazem satisfação como as atitudes que temos para com os outros nos contentam. Não só cozinhar uma refeição pode ser uma dádiva especial como pintar um quadro nos traz felicidade. Quando exteriorizamos e partilhamos aquilo que criamos, vivemos mais felizes, e com um sentido de pertença e gratidão.

11. É preciso abandonar o caminho de menor esforço, e a zona de conforto, e perseguir sem medo as coisas que nos fascinam.

Conto-vos uma das minhas histórias… Todos os anos, pelo Natal, passo uns dias a cozinhar os doces que serão servidos na noite de Consoada. Todos os anos oiço a mesmas coisas: Porque continuo a cozinhar? Porque faço tanto esforço? Porque não comprar? Não ficaria mais barato comprar do que fazer? Mas, todos os anos, eu faço doces. Eu gosto de cozinhar. Gosto em particular de cozinhar doces. Ao longo do ano tenho poucos motivos para o fazer. Mas, no Natal não. Todos os anos faço uns clássicos e depois procuro, pelo menos, um doce que possa experimentar fazer pela primeira vez. Na maioria das vezes, a primeira tentativa sai mal. Mais uma vez, todos os anos oiço o mesmo, porque tento? Porque não faço só aqueles em que já tenho prática. A minha resposta é sempre a mesma. Não. Adoro fazer doces. Adoro experimentar receitas. Adoro vê-los comer. Filhoses, Bolo-Rei, Tarte de Amêndoa, Pudim de Leite Condensado, Molotof, Mousse de Chocolate Branco, Cupcakes, Popcakes, Tiramisu e mais uns quantos que já não me lembro. Invento receitas. Faço uma Tarte de Limão espectacular e uma espécie de brownies que só provando… Serviu, até para inventar uma receita Fantástica de Túbaros de Troll Estufados que muito me divertiu. Nada de verdadeiramente bom vem sem esforço.

12. É essencial cultivar uma forma de pensar que empurre as convenções e estique os limites que acreditamos existirem.

Tudo se ensina. Tudo se aprende. Com maior ou menor esforço. A nossa evolução como espécie tem assentado na relutância em aceitar que as coisas são como são e pronto. Ou ainda estaríamos de tanga de pele de cervo, a viver em cavernas, e a perseguir mamutes para comer… ou algo semelhante. Os limites que conhecemos são feitos da criatividade de outras pessoas. Cabe-nos a nós, agora, descobrir como podemos passá-los e inovar.

13. E, para mim, o pior: Não ter medo de fracassar… também conhecido como, Acreditar.

O medo não nos deixa fazer as coisas. O medo não nos deixa ser felizes. O medo não nos deixa viver em paz. O medo mantém-nos na nossa zona de conforto, sem despender muita energia em busca de coisas novas, presos às convenções e aos limites alheios, confinados e manietados aos costumes antigos. Não há Criatividade, Vida ou Felicidade que sobreviva, se permitirmos que o Medo nos guie. Mas, cada um Acredita no que quer.

Eu, acredito que o Caminho para a Criatividade, e para a Prática Criativa, nunca será plano e certo. Acredito que vou duvidar muitas vezes. Acredito que vou continuar a batalhar. Acredito que vou continuar a procurar a receita infalível para manter-me Criativa… mesmo que signifique acreditar que nunca haverá nenhuma.

Só posso perseguir aquilo que desejo. Praticar as artes que gosto. E, tentar sempre encontrar espaço para as minhas práticas criativas.

Não podemos prometer resultados mas podemos aparecer sempre para trabalhar naquilo que gostamos. Porque isso nunca será “trabalho”, será sempre descanso, abastecer o poço, e felicidade.

 

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