Como Escolher o que Escrever

como escolher o que escrever

Como escolho o texto que vou escrever a seguir?

Não sei se vos acontece mas, por aqui, tenho sempre esta dúvida. Misturo o que desejo produzir, com o receio de não estar a produzir o texto “certo”, com o tempo de que disponho para escrever qualquer coisa, com o objectivo final a que o texto se destina e, por aí fora, no Universo da Dúvida Escritural Existencial.

open your eyes

 

Quando era nova não pensava nisto nestes termos. Nem podia. Com aquela idade, não tinha referências para o que quer que fosse no mundo da escrita… escrevia o que me apetecia, quando me apetecia.

Isto significava que tinha uma contribuição errática para com a minha prática. Significava, também, que tinha um ímpeto criativo muito dependente da inspiração. E, pouca ou nenhuma orientação, para o que queria fazer.

Agora, entendo que isto é um pouco do amadorismo inicial desta profissão. Aparecemos quando queremos, e não temos um plano para… bem, para nada.

free

 

Um bom pianista treina todos os dias, várias horas por dia. Assim como um atleta de competição profissional, uma bailarina, um pintor… qualquer bom executante, usa boa parte do seu tempo a praticar.

À medida que fui envelhecendo, e que a vida me foi ofertando todas aquelas belas chapadas! na cara! de mão cheia! descobri que escrever desta forma, quando a musa nos atinge com o seu belo raio inspirador, não se coaduna com a evolução natural da escrita.

books on craft

 

Todas aquelas pequenas coisinhas que vamos ouvindo, e lendo, ao longo do período de maturação da nossa prática criativa, voltam para nos assombrar pelo resto dos nossos dias e, se não conseguimos descobrir o que nos faz voltar, cada dia, todos os dias, a uma página, temos a prática condenada.

Durante uns bons anos, vi-a bem condenada.

Quando estava a tentar descobrir o que entalhava uma actividade destas, a vida adulta mandava-me ficar quieta e calada. Fazer o que me diziam. Aceitar que não era nada. Encaixar no molde. Não querer nada. Nada por nada?!? Prefiro adultar como quero. Pelo menos, livro-me do bullying… (falam de bullying na escola?! Vejam a versão local de trabalho!!!)

Lembra-me aquele poema de Fernando Pessoa:

Fernando Pessoa

 

Agora, parei de me importar com o que os outros pensam sobre o assunto. Ou, passei uns anos a limpar-me disso.

Tenho ideias. Tenho uma prática. Tenho uns anos de tentativas e erros. Tenho o acto de Descobrir do meu lado e a Vontade de o fazer.

Descobri que ninguém nos ensina nada que não estejamos maduros o suficiente para aprender.

Descobri que não há um texto “certo”, um grande objectivo final ou, sequer, um objectivo pequeno ali à esquina da rua.

Descobri que não importa o que escrevo, sob que género literário escrevo, ou onde se enquadra o que escrevo.

Ando à procura de algo e, por mim, vou continuar até acertar… e, enquanto me for possível fazê-lo. Porque isto de Covids, falta de apoio financeiro, e (a novidade que não o era!) vacinas que causam coágulos em alguém que tem trombofilia hereditária, não confio ter muitas tentativas para desperdiçar…

perguntas e respostas

 

Assim, quando penso em responder a:

Como escolho o texto que vou escrever a seguir?

Escolho ouvindo a intuição e obedecendo ao que coloquei na lista de foco para aquele dia.

E, penso que, será o que será. O que tem de ser. Aparece no momento que me sento para escrever. Tem sido isso que construir o Impromptuarium me tem mostrado.

Uma parte da solução que me permitiu chegar aqui? Fazer isto aqui, com total empenho. E, mais umas coisinhas que decorreram, antes e depois, deste transformador de vidas.

Se houve um livro que me mudou foi este.

Se procuram uma consistência na vossa prática criativa, ultrapassar um bloqueio criativo, repensar as vossas escolhas criativas, aconselho-vos a ler este livro, empreender o que ali se diz, e vão ver como, em breve, tudo muda de forma orgânica e consistente.

Sem querer arrotar santidade… (acho que há demasiadas pessoas a dizerem aos outros o que fazer, quando não sabem o que fazem, procurando lucrar com isso… e, eu estou a milhas disso tudo!) fazemos as nossas escolhas de acordo com a maturidade que temos.

E, é impossível ver mais para lá do que sei hoje, sabendo que amanhã saberei outras coisas diferentes.

Por isso, pensem no que querem de facto. Se o querem acima de tudo. E, no trabalho que têm de fazer para o obter de forma honesta. O que têm de aprender. Quanto têm de escrever. Como abordam o que querem com profissionalismo. Façam-no e voltem a fazer. Milhões de vezes, se necessário (porque é isso que é necessário).

Now is the time

Preparem-se e executem.

Aproveitem, com prazer, cada passo desse processo.

É suposto o acto ser a recompensa em si.

O resto, logo se vê.

Obrigada e Até Breve!

Sigam o Vlook, o canal YouTube deste blog, só sobre livros…

Não se esqueçam de subscrever o blog por e-mail e recebem, todos os Sábados, um vislumbre exclusivo sobre os bastidores.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.