Uma prática criativa aconselhada

escrita criativa

No momento em que decidi criar uma prática criativa adequada à minha vida, atentando àquilo que me condiciona o tempo, e ao que inspira a minha devoção, descobri que gosto de conhecer várias realidades dentro de um só tema.

E, sobre este tema das paixões que nos alimentam a escrita, sugiro que espreitem o artigo 'Quando a Paixão complica a Vida'

Por exemplo quando me interessei por Realismo Mágico procurei: pintores e pinturas; história sobre a evolução do tema; escritores, livros e contos; imagens conhecidas e desconhecidas; vídeos no YouTube…

Na busca por adquirir conhecimentos, de forma articulada com a minha prática criativa, tenho perseguido temas antigos e recentes.

Durante o mês de Abril reconectei-me com a obra de Jane Austen. E, tal como fiz com outros escritores cuja Obra tenho conhecido de forma pouco profunda, deixei-me guiar pela minha paixão do momento… sempre atenta à possibilidade de vir a transformar-se numa paixão permanente. E, assim se tem demonstrado.

O clube de leitura de Jane Austen

Neste momento, aproveito para introduzir um pedaço de informação que me parece relevante para o tema, em jeito de explicação sobre como nasceu o texto que se segue….

Encontro-me a terminar uma formação em Escrita Criativa. (Se tiverem oportunidade de frequentar alguma, aconselho.) O que aprendi sobre os diferentes tipos de escrita, e sobre as ferramentas que necessito para produzir qualquer coisa que considero adequado, tem sido de valor inestimável.

No desafio proposto por um dos exercícios, dei comigo inclinada a escrever sobre algo difícil, algo que me obrigasse a sair da minha zona de conforto.

O mote era este:

exercício de escrita criativa

Porque me pareceu um tema difícil?

Primeiro, porque significava admitir a minha ignorância sobre tantos aspectos do tema.

Depois, porque quaisquer que fossem os aspectos que decidisse aprofundar, ficariam sempre aquém daquilo que uma investigação mais completa me inspirariam a produzir.

E, por fim, porque o original em Inglês de época, nunca me permitiria sequer arriscar reproduzir expressões que me são tão difíceis de compreender com a correcção histórica devida.

Logo, a minha escolha foi óbvia.

Jane Austen
Parte da obra de Jane Austen…

Não vos maço com o texto na íntegra. Se quiserem lê-lo podem fazê-lo parte 1 aqui… e parte 2 aqui…

Em baixo, deixo-vos apenas alguns vislumbres:

Jane Austen. Aquilo em que acreditei… Escritora de romances de amor. Viveu algures no tempo da Inglaterra Vitoriana. Num tempo em que o papel das mulheres na sociedade era ininteligível nos dias de hoje. As suas histórias eram, para mim, símbolo de quase restricta devoção à temática de amor romântico. (…)

Hoje, trago bem perto do meu coração a história de Jane Austen. Numa sociedade patriarcal, monárquica e déspota na qual cada mulher é nada mais do que um pedaço de propriedade, de maior ou menor valor, consoante a riqueza pecuniária, ou o herdar de títulos através da sua família de origem.

Em tempos que, pensar com independência era considerado impróprio, e algo a evitar, em especial se nos referíssemos ao género feminino, conhecer a história de Austen e, de como a ocupação da escrita era tão danificadora da sua pessoa, transformou a minha opinião por completo. (…)

Citando o filme “Nada destrói o espírito melhor do que a pobreza.”, diz-lhe o pai, procurando convencê-la a casar com o herdeiro mais rico das redondezas. (…) Verdade. (…) Ser confinado nas suas paixões é outro tipo de morte para o espírito. Austen provou que a escolha difícil foi a mais acertada. O mundo literário agradece-lhe.

Como sub-produto deste meu curto texto, retiro duas ideias-base para a prática criativa de um escritor:

  • Conhecer a vida e obra daqueles que nos antecederam.

  • Fazê-lo da forma mais pura (também conhecida por, a forma menos preconceituosa) possível.

Isaac Newton
Cedálion sobre os ombros de Órion, da tela Cego Órion Procurando o Sol Nascente, de Nicolas Poussin, 1658

Como naquela metáfora de Anões sobre os ombros de gigantes…

 criamos assentes nos ombros de gigantes - leiam 13 factos sobre a Criatividade

 … significando descobrir a verdade a partir das descobertas anteriores. Suponho que, se começarmos por aí, não temos como não construir com algum semblante da mesma dignidade que eles conseguiram nas suas obras.

Ou, assim peço…

Uma perguntinha…

O que andam a ler

 

 

Eu comecei Mansfield Park

Aguardo comentários…

Obrigada e Até Breve!

 

Um comentário em “Uma prática criativa aconselhada”

  1. Agora estou a ler a obra completa de E. A. Poe. Estou a forçar-me a ler um conto ou dois por dia para acabar depressa as 1000 e tal páginas a fonte n.º 8!

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