
Olá! Sê bem-vindo a este [diário de bordo].
Janeiro de 2026… passou num instante. E, foi um mês bastante complexo, em diversos níveis. Cheio de entradas, para os meus registos, e de saídas, como os artigos deste mês no blog, entre outras criações.
No final do mês, encontrei um conjunto de atitudes que vão continuar a guiar-me através deste 2026. Assim, espreitem as melhores referências de janeiro, e as que seguem comigo para fevereiro ou para o resto do meu tempo. Talvez encontres algo útil para o teu processo criativo.
Journalling
Começo pelo universo de journalling, tradução para português: escrever em diário? Qual é a palavra para isto! Começo pelo universo das Anotações?! Se quiserem contribuir para esta tarefa, deixem um comentário a este artigo com as vossas sugestões.
Olhando para o que escrevo no blog, eu própria diria que, tenho este processo de recolha, anotação e tratamento de referências bem estruturado.
Afinal, parece haver um método na minha loucura! E, aquilo que vou absorvendo acaba por aparecer no que escrevo, e transformá-lo, em certa medida, como todas as referências acabam por fazer: influenciar e transparecer.
Avanço já que, tenho a certeza, que não possuo essa estrutura toda. Adorava ter esse processo aperfeiçoado… mas, não tenho. Vou apontando aqui e ali, formando uma série de folhas soltas, e cadernos, nos quais vou registando a informação com que me cruzo, e quando vou em busca de algo específico, nunca sei ao certo onde está.
Não foi Janeiro de 2026 que viu a solução milagrosa para esta situação.
O que Janeiro viu foi um alívio da pressão sobre este tema. Encontro o que encontrar e, a informação irá aparecer quando for, de facto, cosmicamente necessária. O que não significa que eu não a procure, por vezes, com algum desespero e fervor.
Para colmatar esta confusão, em Janeiro lá me decidi a reunir tudo o que considerei importante, em formato imagem, numa espécie de lista que posso revisitar sempre que queira porque, desta vez enfiei-a no meu filofaz.

Claro que este é apenas um sistema que me permite uma rápida visualização, de uma ínfima parte, do que aconteceu em Janeiro. Cada uma destas referências trouxe informações que não podem ser contidas aqui.
E, acabo de notar que me esqueci de colocar um projecto (uma saída, portanto). Enfim, falta sempre qualquer coisa, certo?
Filofaz
No ano passado, tive esperança que o sistema filofaz me salvasse do problema de nunca saber onde enfiara referências específicas. Não salvou. Pelo contrário, colocou-me numa situação muito desagradável porque, agora, tenho as folhas todas duplamente furadas, com furação para 6 e 2 anéis, algo que me incomoda profundamente.
O sistema de 6 anéis tem uma falha gravíssima em soluções de arquivo. Isto, porque eu não quero arquivo morto. Não me interessam caixas onde enfiar as folhas, para nunca mais as recuperar. Interessa-me, sim, arquivo bem vivo, daquele que fica aqui no armário atrás de mim, e ao qual posso aceder, esticando o braço, e puxando para fora um qualquer dossier.
No entanto, não há dossiers formato A5, lombada larga com furação de 6 anéis. Há, apenas, uma marca no mercado e, sinceramente, não me parece adequado pagar o preço pedido (ficava em qualquer coisa como 80€, por unidade) por uma lombada de cartão que, nem sequer tem boas classificações dos clientes. Por isso, aprendi a conviver com furação dupla, também conhecida por folhas esburacadas, e alguma contenção de custos.
Outra ocorrência, no filofaz, foi a sua evolução natural para um agregador de actividades de calendário, com uma espécie de diário em formato entradas tipo telegrama, acompanhadas de pequenas imagens. Este, é também, o sítio onde coloco as minhas listas principais de livros lidos, projectos a decorrer, orientações específicas para acontecimentos importantes e informações de saúde. Este meio tem na imagens um apoio muito prevalente. Elas são a base para que o filofaz seja útil e mantido com facilidade.
Diário
A 29 de Dezembro de 2025, o último dia do ano passado em que registei uma entrada no meu diário, restavam um terço de páginas livres. Claro que mantive o mesmo porque, por mais que adore começar um novo caderno no primeiro dia do ano é, também, verdade que me incomoda deixar páginas em branco no final dos diários. Incomoda-me, quase tanto, como ter dupla furação no filofaz.
Resolvi o tema, da separação física entre os anos, ao inserir uma colagem com as orientações para o início de 2026 (e do segundo semestre do meu ano pessoal — podem ler um pouco sobre este tema do ano pessoal no artigo Expectativas, Trabalho e Superar Dificuldades).
Esta prática tem visto alguma evolução, e isto tem feito a diferença, naquela minha resistência habitual à sensação de ir escrever no meu diário, como se voltasse aos meus tempos de infância, em que não apreciava a actividade.
Voltei, pela segunda vez, a utilizar uma página de intenções, no início do diário. Isto proporciona uma sensação de estabelecer os objectivos desta prática e de desdramatizar o que escolho escrever nele.
Mantive as colagens várias, com imagens, recortes, autocolantes e, mesmo, desenhos. Acho que, ter imagens a decorar as páginas ajuda a ilustrar o humor, e as inspirações, do momento e, ocasionalmente, potencia mais material de escrita, porque algumas imagens pedem descrição e elucidação. E, são imagens que ajudam a ilustrar partes daquele momento específico em que escrevi aquela entrada individual.
Outra evolução, consistiu na decoração da capa exterior do diário. Costumo escolher, com precisão, a imagem que quero na capa dos meus cadernos, ou se quero sequer uma imagem. Nesta, não foi o caso.
A capa começou por ter, apenas, o suporte de caneta amovível, em metal dourado, encaixado na lateral. Com o tempo, recebeu pequenas peças que não quero perder. Este diário viu um adicionar esporádico, e intencional, de autocolantes na sua capa. Estes, foram todos ofertas ocasionais da minha filha. Agora é uma mescla de presentes, bonitos e mimosos, cheios de significado.
Cadernos vários
Não vou listar a quantidade (estúpida) de blocos de anotações que tenho a uso no momento. Mas, se tiverem interesse, deixem um comentário a este artigo e eu penso numa forma (por YT? talvez?!) de partilhar o que cada um contém. Assim, por alto, contei 26…
Cada um serve um propósito ou um projecto. E, neste momento, consigo compreender porque os meus processos criativos são melhores assim. Mas, sobre isto, convido-vos a ler o artigo ‘Problemas de Criatividade são Problemas de Processos‘. Mas, acho que será compreensível porque me perco neste universo de anotações…
Quero mencionar o dossier de lombada fina, dupla furação, para todas as referências que encontro, e desejo organizar. Neste, entram todas as folhas construídas, com informação relevante, e impressas. E, todas aquelas folhas manuscritas, com informação avulsa, que vou adicionando.
Leituras
Os livros deste mês de Janeiro foram:

Estes foram os livros do mês, mas não são os livros lidos em Janeiro. Alguns, ainda estou a ler. Outros, pude reler. E, ainda há os que servem como guia de consulta.
Todos eles me influenciaram de formas muito específicas. E, o produto das suas influências vai continuar a aparecer, se relerem os artigos aqui no blog, e em projectos futuros.
Blog
Para quem estava a pensar desistir deste blog (eu!), Janeiro viu os meus esforços renovados. Este reajuste de pensamento, e acção, deve-se a 3 motivos:
- à minha vontade de manifestar o quanto discordo com o rumo que as influências online estão a tomar sobre as pessoas. Acho que não devemos retrair-nos de partilhar o que fazemos, mesmo que isso não corresponda à moda do momento. Variedade é essencial à criatividade;
- numa tentativa de fornecer uma alternativa ao conteúdo curto. Avançar com muitas palavras sobre um tema, porque os 20 caracteres, ou os 8 ou 9, não chegam para o universo de palavras que existem; E, livros escrevem-se com palavras, muitas palavras;
- e, por fim, ao reforço do meu compromisso para com a liberdade criativa e a inspiração. Acredito que devo tentar incentivar a multiplicidade de criações e mantenho a minha vontade de inspirar, se possível, a estes actos de criação. Somos livres de continuar a trabalhar nas nossas artes, assim tenhamos vontade para isso.
Por isto, regressei ao blog, com uma nova inspiração pessoal. Porque nenhum esforço é pequeno, desde que feito com um propósito (inspirar) e vontade (motivar).
Em Janeiro, escrevi e publiquei 5 artigos, com uma média de cerca de 2000 palavras cada, e a newsletter mensal de Janeiro.
Se não receberam a newsletter ‘5 minutos sozinha’, que este mês viu uma renovação de formato, subscrevam o blog.sarafarinha.com e passem a recebê-la por email. Os únicos emails que envio são: os artigos publicados no blog e a newsletter exclusiva para os subscritores por email. E, os vossos contactos estão seguros aqui.

A principal alteração de mentalidade em Janeiro foi: autorizei-me a escrever artigos longos.
Costumava estar, constantemente, preocupada com o formato do artigo; com as regras de visualização de um texto, consoante o estilo do artigo que era; com o quanto certos artigos ainda geram de tráfego; e como esse estilo de texto cativava visitas… ou não.
E, terminava sempre com a certeza que este nicho não é feito para o visitante ocasional. Ele até pode ler um só artigo, mas perde a mensagem que só as visitas ao longo do tempo permitem: que criar é uma actividade de perseverança e continuidade.
Mas, verdade seja dita, quero escrever sobre os temas que fazem sentido para mim, da forma que me é mais natural (ou naturalmente aperfeiçoada) e para o que acredito poder ser útil para quem não tem medo de ler 2000 palavras, enquanto recolhe referências, para ir em busca de integrar pormenores conscientes, nas suas práticas de construção criativa.
Não sou uma empresa, a gerar conteúdo para vender algo a alguém, por isso, não faz sentido ter uma visão deste tipo num blog pessoal, com quase duas décadas de existência. Os artigos ‘Como fazer…’, ou ‘5 regras para…’, são esporádicos e muito menos do que eu quero escrever.
Encontram esses conteúdos numa fase mais inicial, enquanto estava a descobrir como fazer isto, e o que queria, de facto, partilhar convosco. Agora, sei o que quero fazer e como. Gosto de fazer correlações entre temas diferentes, de incentivar à vossa construção criativa, e de apresentar fontes que vos sirvam de uma forma mais individual. Gosto do acto de criação e desejo inspirar-vos a ir em busca do vosso próprio modelo criativo.
Claro que, há uma caixinha de comentários, no final de cada artigo, que podem utilizar para sugerir algum tema em especial. A gerência (euzinha) agradece e irá considerá-lo para pesquisa e publicação.
E, ainda acredito que os escritores escrevem. Se todos os escritores decidirem fazer vídeos curtos, a dançar com um livro na mão, quem é que tem tempo para escrever? O meio de comunicação escrita, mesmo online, deve prevalecer.
Ter clareza para continuar a ler e escrever é, neste momento, o mais importante. Seja digital ou analógico. É preciso contrariar as nossas tendências, menos saudáveis, que nos impelem a permanecer ligados a um conteúdo rápido, curto, desprovido de profundidade, e entorpecedor das nossas capacidades cognitivas.
Preocupa-me que nos estejamos a transformar em zombies vivos: facilmente reactivos perante tudo o nos permite expressar raiva, desinteressados do que é considerado trabalhoso, ou chato, inclinados a aceitar declarações dramáticas, mentiras e deturpações grosseiras da realidade, com um ego demasiado cheio de medos, que não nos permitem aceitar as nossas fragilidades, e que nos transformemos nos fantoches ao serviço da manipulação local e global.
Preocupa-me, também, a qualidade das fontes (dessas fontes de acesso rápido e descontextualizado) às quais temos acesso, e que permitimos que nos influenciem.
Mas, entrei em modo ret´orico e vou desligá-lo agora.
Actividades basilares à Construção Criativa…
Ou, tudo aquilo que é passível de ser inspiração.
Filmes, séries, documentários, vídeos de YouTube, passatempos e outras actividades. Em Janeiro, voltei a bordar, a desenhar, a ouvir música, a pesquisar sobre obras de arte e criadores. Procurei fontes que me inspirassem e nas quais percebo valor na informação e qualidade.
Não considero necessário explorar o que vi em pormenor. Se tiverem curiosidade, podem observar a ‘Lista visual de referências de Janeiro 2026’, na imagem acima, e escolherem o que suscite curiosidade.
E, inspirada neste tema, quero deixar aos meus Construtores Criativos, um t.p.c.:
Título: Liberdade de escolha.
Actividade de Entrada: Escolham uma referência para hoje. Um passeio, um livro, um episódio de uma série, um filme, um puzzle, uma música, um momento específico do dia… um qualquer elemento que vos proporcione algo novo: uma forma diferente de abordar um tema, um conceito que desconheciam, uma rua onde nunca tinham caminhado, um sentimento que causa confusão.
Actividade de Produção: Identificaram algo? Foram ver/ler/experienciar? Agora, arranjem um meio para exprimirem o que pensam sobre isso. Escrevam um texto, ou façam um desenho, uma escultura, uma colagem, uma música, dancem, tirem uma fotografia, marquem a actividade no calendário com uma imagem alusiva… algo que seja um produto directo do que fizeram ou do que viram.
O que levo comigo para Fevereiro?
Em Fevereiro quero relembrar-me de certas atitudes, mais do que de produtos/resultados em si.
Vou procurar não me esquecer que, quaisquer 5 minutos são valiosos. Uma ideia aparece num segundo e desaparece no seguinte, por isso, é preciso apontar a ideia.
Não preciso de largos blocos de tempo para fazer uma actividade qualquer. Se preciso fazer algo, mantenho-o ao meu alcance, e não me permito reagendar, para uma hora posterior, quando me surge a vontade de fazer algo. Um segundo pode significar uma ideia fenomenal e, uma hora mais tarde, pode anular qualquer vontade de fazer algo.
Também, não preciso começar, e acabar, algo num esforço único e constante. Posso começar e voltar `a actividade quantas vezes forem necessárias. Uma tarefa que exija muito tempo não será adiada porque não é passível de realizar em continuidade.
Não usar o tempo a meu favor, mas fazer uso do tempo que tenho. O tempo não é um bem a ser dispensado por uma máquina. O tempo são acções imbuídas de vida. Cada minuto é precioso e é meu. Eu decido o que faço com ele.
Apreciar uma existência cheia de projectos criativos, sem constrangimentos de ‘deve ser, posso fazer, devo reter‘. Respeitar o processo para que ele se manifeste no seu melhor. Fechar a mente aos pensamentos de “devia estar a fazer isto, e aquilo, e o outro…”
Diversificar. Somos omnívoros. Somos biologicamente complexos. Somos reactivos, e passivos, em simultâneo. A chave é diversificar. Mudar enquanto vivemos a rotina. Não significa colocar uma bomba atómica de obrigações e novidades na nossa vida, mas optar por fazer coisas diferentes, sempre que nos sintamos inclinados a isso.
Devotar a minha total atenção a cada momento. Mesmo que se componha de várias actividades em simultâneo. Escolho onde coloco a minha atenção, que actividades a recebem agora, sem prejuízo das que podem recebê-la mais logo. Só não posso permitir que a actividade das 3 da tarde, atrase a das 10 da manhã.
Estas são as orientações que desejo trazer comigo para Fevereiro.
E, por aí? Como foi o teu Janeiro de 2026?
Peço que deixes as tuas ideias e sugestões, nos comentários a este artigo. E, agradeço-te por isso. Também, todos os comentários são analisados antes de serem públicos e tendo a responder ao fim de uns dias.
Agora, deixa-nos um “Olá” e/ou uma opinião construtiva.
Desejo-te uma semana criativa.
Obrigada e Até Breve!
