É Essencial Publicar o que Escrevemos

publicar o que escrevemos

Olá! Sê bem-vindo a este [engenho a publicar].

Publicar é uma cena. — Por vezes, parece uma cena teatral mal ensaiada. — Uma cena complexa e global, ou uma cena fácil e local, dependendo do material que queiramos publicar, do meio que pretendemos utilizar e das sensibilidades pessoais que tenhamos com o tema Publicar.

Publicito agora ao início, não vá não terem paciência para ler o artigo todo, podem ler o conto ‘Tudo se vai no Outono‘, sem custo, numa das plataformas de leitura à vossa escolha SmashwordsAppleBarnes & NobleFableKoboThaliaVivlio. E, deixem uma opinião no Goodreads ou nos comentários a este artigo. Ajudava imenso. Obrigada!

Posto isto, o que é então essencial ao acto de publicação?

Não falo sobre o óbvio: ter um texto pronto a publicar. Esta é condição imperativa e sem a qual não faz, sequer, sentido pensar em publicação.

Falo sobre os requisitos essenciais ao acto de publicação.

Não escrevemos para nós próprios. Ou, esclarecendo, existem textos que escrevemos para nós próprios, como quando escrevemos um diário, ou quando construímos um bloco de apontamentos sobre um assunto e, mesmo até, quando escrevemos um qualquer rascunho para uma história. Esses textos são escritos para nós próprios. Para aprendermos, para nos construirmos a nós, o nosso estilo, e aquilo que pensamos sobre os assuntos.

Mas, não escrevemos para nós próprios, quando falamos em escrever para partilhar com os outros, quando falamos em escrever para publicar, isso envolve outras pessoas e outros recursos.

Não escrevemos para nós próprios, escrevemos para que os outros possam ler o que escrevemos. Saber para quem estamos a escrever, o que desejamos colocar no texto, que possa ser útil e de valor, para uma quantidade de pessoas é algo que devemos assegurar.

Escrever com um tipo de leitor em mente é essencial para publicar.

Porque desejamos ter leitores. E, se alinhamos o que gostamos de escrever, com o que as pessoas gostam de ler, melhor ainda. Porque, como escritores, nos relacionamos com os potenciais leitores. Os leitores reconhecem aquilo que os faz apreciar um texto. Porque facilita o processo de apresentar o texto a uma editora.

Escrever para uma certa audiência é essencial à venda e, portanto, à escolha do texto e ao acto de publicação.

Escrever para publicar envolve intenção. Intenção, porque desejamos colocar no mundo (ia escrever indústria, mas depois deitei-me para o chão a rir… acho que ninguém quer apertar o mesmo parafuso para o resto da sua vida) algo que seja relevante para as pessoas que lêem o que escrevemos.

Algo que os incite, inspire, elucide ou, apenas(!), entretenha. Algo que não sendo real, no caso da ficção, possa ser verdade. Escrever algo que os outros reconheçam e com o qual se identificam.

Escrever com intencionalidade nos temas sobre os quais escrevemos é essencial para publicar.

Escrever para publicar exige outros recursos, a começar pelas conexões com outras pessoas, que facilitam esse processo. Não é apenas produzir o texto, mas entrosar-se com os outros, que povoam esse mesmo universo.

Pessoas que trabalham connosco, que nos apoiam, ou que pertencem, de alguma forma, à área das letras e da literatura. Pessoas que nos ajudam no processo de escrita, revisão, crítica, aprendizagem, e inspiração. Pessoas que lêem o que escrevemos e que nos apoiam publicamente.

Escrever acompanhados por outras pessoas é essencial para publicar.

Um concurso que se vence pode abrir portas, através das pessoas com quem a obra tem contacto. Conhecer os guardiões dos processos de selecção (mesmo serem família ou amigos como, em Portugal, é muitas vezes o caso) abre portas para a publicação tradicional.

Formar uma rede de conhecidos, com quem se partilha os mesmos interesses, é uma forma de gerar uma equipa que nos apoia e a quem apoiamos.

Escrever para participar em concursos, ou eventos públicos, é essencial para publicar.

Nos processos de auto-publicação funciona, mais ou menos, da mesma maneira. As pessoas, a quem pagamos para trabalharem connosco, são a nossa rede. E, nunca chegando a funcionar, na totalidade, como guardiões do processo de publicação, porque se temos o dinheiro para contratar pela publicação de uma obra, estas barreiras esbatem-se mas, continuam a ser pessoas que têm uma grande influência em todas as fases desse processo.

A publicação, qualquer que seja a sua versão, exige os conhecimentos de um processo, que se quer denso e opaco, porque a qualidade é relativa e o acto de publicar quer-se rico, em mais do que palavras e, por isso, cheio de nomes conhecidos que potenciem a parte das vendas. Na publicação tradicional e até na auto-publicação.

Quantos exemplos temos, de pessoas de outras áreas da sociedade, que pagam a uma editora para poderem auto-publicar um livro seu? Muitos. Mesmo que precisem pagar a escritores sombra para escreverem algo inteligível.

Escrever com um conhecimento do funcionamento normal das editoras é essencial para publicar.

É essencial conhecer as regras de submissão. Seja qual for a editora, o concurso ou o projecto, tenham a certeza que há sempre regras. Estas podem ser o tipo de fonte, o tamanho de letra, o espaçamento das linhas, o número de palavras, o número de páginas, o tema ou o género literário aceite, entre outras.

Pesquisar as minúcias do processo de submissão de manuscritos é essencial para publicar.

Mas a elegibilidade para publicar exige, também, uma noção dos temas sobre os quais queremos escrever e das formas como esses temas apelam ao comprador de livros.

As modas literárias, como parafusos de máquinas de imprimir dinheiro, são essenciais a uma indústria que se baseia (ou tenta) no modelo capitalista. Isto significa que o negócio é vender livros em quantidade. Mas, é também, a compra de pequenas editoras e chancelas, para terem acesso aos direitos sobre o catálogo de venda dessas editoras.

Escrever emparelhando o género literário com o destino da submissão é essencial para publicar.

Aponto, também, que há uma diferença significativa para a realidade de cada país. A realidade de Portugal é diferente da realidade do Brasil, de Moçambique, dos Estados Unidos da América, do Reino Unido, da China, da Bélgica e de todos os outros países (onde as pessoas que visitam este blog podem ler este artigo).

Há um mercado local, um país, uma região que partilha o mesmo idioma. E, há um mercado internacional, com um idioma reconhecidamente comum. Há também variados mercados internacionais, assim sejamos proficientes na língua de destino do país onde desejamos publicar.

Neste momento, qualquer livro que escrevemos pode ser traduzido para qualquer língua e vendido nesse mercado de destino. Assim como o mercado dos livros virtuais e dos audio-livros seguem essa mesma lógica. Também nesta versão, é preciso conhecer as especificidades locais.

Escrever com conhecimento da própria realidade de mercado, do país (países) onde querem entrar, é essencial para publicar.

Nas editoras tradicionais, publicam-se clássicos, aqueles que nunca cessam de vender, acompanhados de novidades, numa tentativa de equilibrar as vendas. As reedições de obras de sucesso são adicionadas aos catálogos.

As obras que vendem com regularidade acompanham as menos conhecidas, em estratégias meio-curadas de livros que podem continuar a vender, década após década, com um mínimo de trabalho adicional (um design de capa novo e, com sorte, uma Introdução por alguém conhecido). As obras de autores semi-conhecidos, ou de sucesso apenas num mercado específico, são planeadas para equilibrar gastos e ganhos com uma obra em questão. Nunca se sabe quando aparecerá o próximo Harry Potter.

Os livros de autores desconhecidos são, na grande maioria dos casos, empurrados para uma qualquer prateleira de onde é raro saírem. Excepto, se arranjarem uma forma das pessoas certas colocarem os olhos nesse manuscrito, de forma coordenada e insistente. A questão da qualidade da obra é, para todos os efeitos, relativa.

Um domínio de outras disciplinas como marketing, publicidade, oratória, contabilidade e tecnologias, são factores determinantes nos nossos esforços de publicação.

Escrever acompanhado de outras competências pessoais é essencial para publicar.

Por outro lado, e seguindo aquela ideia de não querermos escritores domesticados, complacentes com as realidades sociais, ou irresponsáveis no seu papel de analisadores da existência complexa e das suas repercussões, (mas sobre isto, podem ler o artigo Fim do tempo dos artistas irresponsáveis e o regresso ao passado para ajudar no presente) há várias décadas que passámos a ter diversas oportunidades no mundo da auto-publicação.

Oportunidades estas, que nos permitem descobrir um limitado grupo de pessoas, que apreciam aquilo que escrevemos, e que “trabalham” na nossa equipa, mesmo de forma inadvertida.

Algo que faço, quando se fala de certas obras, ou artigos de algumas escritoras em particular. Quando gosto, não mantenho a opinião para mim, mas partilho com quem possa apreciar também.

Por isso, a auto-publicação com um veículo próprio chamado internet, tem sido um factor muito interessante no mundo da publicação literária (e não só). Quando testamos as nossas artes online podemos construir do leitor individual até à publicação tradicional.

Escrever e procurar formas de testar a nossa escrita, e de partilhá-la com leitores, é essencial para publicar.

Ou queremos escrever para nós e não publicar, ou queremos publicar, e expor-nos de forma mais pública, para que as nossas ideias sejam lidas, pelo que estes formatos mais recentes de publicação podem servir-nos bem.

Conhecem o substack? Parece que tinha um perfil há uns anos, que não me lembro de criar, e onde não coloquei quase nada. Talvez porque ainda não compreendi bem como funciona… ou o que viria substituir. Enfim, se tiverem ideias sobre isto, ou souberem explicar-me qual o objectivo válido, e positivo, para os criadores de conteúdo, de uma aplicação deste género, deixem nos comentários. Custa-me colocar trabalho, em aplicações que controlam o que eu produzo, e que podem dar o suspiro final sem qualquer aviso prévio, sem conseguir discernir contributos positivos para o meu processo criativo. Se me puderem ajudar com isto, agradeço.

Neste momento, as grandes editoras mundiais procuram, com afinco, aqueles criadores que já possuem uma base de leitores devotos. Parece que até se fazem leilões a disputar os direitos de publicarem essas obras. Lutas por aqueles que auto-publicam, de forma gratuita, em aplicações dedicadas. Luta pelas obras daqueles que construíram um grupo de seguidores online, e que podem trazer com eles, a sua horda de leitores a custo zero para a empresa de publicação. Aqueles que fazem a sua parte do trabalho… e, não apenas escrever.

[sobre as aplicações dedicadas: que existem para quase tudo, até às mais duvidosas, que não vou nomear, porque não sabia que existiam (uma em especial), e não gosto do que representam para o leitor comum. Vícios morais, esforçados em viciar os mais inocentes em coisas que não são saudáveis, disfarçados de leituras comuns… não sei porque ainda me espanto com a capacidade de perversidade humana nestas coisas.]

Defendo a necessidade de escritores responsáveis, criativos e com a capacidade de pensamento crítico e construtivo (pelo que, odeio que as pessoas consigam conspurcar tudo em troca de um tostão).

Escrever e ser criativo na partilha é essencial para publicar.

Sabem há quanto tempo tenho o conto ‘Tudo se vai no Outonona gaveta? Há muito tempo. Porquê? Não sei. Aliás, cada vez que pensava neste conto, sentia pena por não o ter podido partilhar quando o criei. Gosto que ele seja a minha homenagem, que eu considero mais criativa, ao escritor que foi Fernando Pessoa. E, gosto de o poder partilhar agora.

Podem lê-lo, sem custo, e deixar-me uma opinião? No Goodreads ou nos comentários a este artigo. Ajudava imenso. Obrigada!

Há uma década atrás, existiam muitos preconceitos sobre a auto-publicação em oposição à publicação tradicional. As ideias sobre a dificuldade de publicar por uma editora tradicional, e a percepção do valor da obra que era aceite por essas entidades, era algo que nos fazia hesitar em empreender um processo de auto-publicação.

Tínhamos, eu incluída, ideias muito erradas sobre o que esses dois processos envolviam.

A auto-publicação podia ter qualidade, assim o escritor-empreendedor fizesse por isso, com todos os meios que tivesse ao seu alcance. E, a publicação tradicional podia não corresponder a tudo aquilo que nos haviam feito crer, sem a rede de segurança que se acreditavam que proporcionavam aos autores.

Facto era, o trabalho que esta profissão envolve não desaparece por trás de uma qualquer empresa que decide publicar algo que escrevemos. Continuamos a ter de fazer a nossa parte, e esta parte não se resume a escrever palavras num papel.

A nossa parte, passa por tudo aquilo que podemos aprender a fazer e por tudo aquilo que possamos pagar a alguém para nos ajudar a fazer, quando o resultado do que fizemos ficou aquém do desejado. Passa por vivermos esta realidade, seja qual for a forma que nos for possível experienciar, ao invés de brincarmos com a ideia de sermos autores publicados.

Escrever e aceitar todas as tarefas decorrentes desta prática é essencial para publicar.

Se queremos representar algo, para além de nós próprios, temos de aceitar as regras do jogo. Ou temos de criar as nossas regras para o nosso jogo e trabalhar para ele.

Publicar é importante. É o que nos expõe e faz humildes.

Obrigada pela atenção e peço que deixes as tuas ideias e sugestões, nos comentários a este artigo. E, agradeço-te por isso. Também, todos os comentários são analisados antes de serem públicos e tendo a responder ao fim de uns dias.

Agora, deixa-nos um “Olá” e/ou uma opinião construtiva.

Desejo-te uma semana criativa.

Obrigada e Até Breve!

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