Loop mental em ‘Onyx Storm’

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Olá! Sê bem-vindo a esta [pausa de domingo].

Não costumo usar a [pausa de domingo] para opiniões sobre livros. Mas, sinto que não consigo evitar. Hoje, falo-vos sobre um livro que li e que me desapontou tanto, mas tanto, que não consigo parar de tentar editá-lo na minha cabeça. Falo-vos sobre ‘Onyx Storm‘ de Rebecca Yarros.

Talvez devesse escrever-vos sobre os livros que gostei. Talvez devesse esquecer que, há um desgraçado que não me larga, desde que terminei a sua leitura, e que não consigo arquivá-lo no sítio onde ele pertence.

Talvez devesse escrever sobre qualquer outra coisa… como, por exemplo, estarmos a uma semana do #the100dayproject e, se calhar, eu faria melhor em concentrar-me nisso (porque gosto de um desafio!).

#the100dayproject

Talvez devesse relembrar que, há tesouros a descobrir na Biblioteca Nacional Digital e, que é emocionante ir em à procura.

Mas, não consigo.

Estou tão triste. Sinto-me tão desapontada com o livro que terminei de ler… há dois dias atrás, e que não consigo esquecer.

Se ainda não adivinharam do que falo, refiro-me ao terceiro livro da série ‘The Empyrean Series’ por Rebecca Yarros.

Há uns meses, escrevi esta opinião sobre os dois primeiros livros: Opinião: “Fourth Wing” e “Iron Flame”.

Apesar de ter constatado que o segundo volume, ‘Iron Flame’ não estava tão bem conseguido como ‘Fourth Wing’, atribuí as discrepâncias a uma questão de gosto pessoal.

Afinal, não são os primeiros livros que leio, e já tenho alguma bagagem de reviravoltas, e fantasias, bem executadas… incluindo aquelas que, à primeira vista, não lhes atribuí grande crédito, no departamento da qualidade, mas que, depois, me surpreenderam por completo.

Ocorre-me ‘Jade City‘ de Fonda Lee e ‘The Serpent and the Wings of Night‘ por Carissa Broadbent.

Com ‘Onyx Storm’, achei que era um problema meu. Eu é que já tinha visto a reviravolta do herói ser transformado no pior inimigo da heroína, ocorre-me ‘The Vampire Academy‘ por Richelle Mead, sabendo que não existe qualquer regresso possível dessa ocorrência dramática e que estou a torcer pelas personagens.

Agora, acho que o problema reside no sucesso de ‘Fourth Wing’. Ou, reside nele próprio porque, para mim, o livro é mesmo bom.

Sei tudo aquilo de que gostei no primeiro volume desta série. E, parte disso, foi o facto da personagem principal ser capaz de se elevar até ao que as circunstâncias precisavam que ela fosse.

Em ‘Onyx Storm’, deixámos de ter os desafios constantes, as escolhas a fazer que tornariam tudo pior (até ao último momento), a inteligência acima da vivência comum, a emoção de nunca saber o que ia acontecer a seguir. Em ‘Onyx Storm’, parece que estamos no “grande período do meio” de um só livro, naquela parte chata em que o autor vai dando pistas, até se descobrir a grande reviravolta final… só que dura o livro todo. Vá!, quase todo.

Lá para o fim, um novo erro, começamos a ter diversos pontos de vista (POV — falha de principiante?!) de personagens que nunca tinham tido qualquer tempo de antena directo na história. Compreendo a necessidade de contar certas ocorrências, porque as personagens principais não estavam ali, e aquelas partes eram o que provocariam emoção… quer dizer, se estivéssemos investidos nas histórias das personagens secundárias que não apareciam, directamente, ao longo do livro.

E, a maioria do livro, é passado a falar sobre a grande viagem (Quest) que vão fazer, sem colocar o perigo no formato ‘Fourth Wing’. Ou, a falar sobre conter e esconder a personagem masculina… sem o vermos, a ele, sofrer as consequências da sua escolha. A falar, a arquitectar, a palavrear… chamemos-lhe o que quiserem.

Pareceu-me tão pobremente arquitectado que, todas as pistas, que não foram poucas, subtis ou irrelevantes, foram afogadas neste mar de nada de especial que se passa, durante a maior parte do livro. Havia material com que trabalhar. Aliás, parece-me que Yarros, a sua escrita individual, só começa a aparecer a partir do capítulo 43… de 66. Mas, depois, foi buscar os múltiplos POV’s de personagens secundárias, enquanto relegou Violet a uma situação de agarra e espera, em que não avança nada na trama. Eu já vi (li) Yarros a fazer melhor nestas circunstâncias.

Não sei o que se passou e, acredito que tenha tido a ver com a constância de publicação, e o sucesso inesperado desta história e, suponho que outros temas pessoais (que são mais importantes na vida de um criador do que nós gostaríamos que fossem — olha-se para Yarros, nas aparições públicas, e adivinha-se que houve algo com ela), não descartando o fraco apoio, nos departamentos de revisão e edição. Não é só dividirem lucros. Dividam responsabilidades.

Enfim, suponho que tenham sido um conjunto de factores que produziu um livro, e um avanço na história, que não se equipara aos anteriores, e que me desiludiu, não só como leitora, mas como escritora.

É como vos digo, continuo a tentar rever o livro, e proceder às alterações necessárias, dentro da minha cabeça. Quase que me imagino a escrever na margem: “deita isto tudo fora! reescreve com mais sentimentos.”

Enfim, não que eu saiba o que é ser Yarros, ou ter um livro de sucesso fenomenal como o dela, ou que possa sequer a imaginar a pressão do que tudo isto significa. Não é arrogância, garanto. São só muitas horas passadas a rever textos alheios e a ver, e tentar resolver, os problemas nas minhas próprias histórias.

Peço-vos desculpa pelo desabafo, mas estou mesmo triste com este livro.

E, odeio este sentimento. Odeio estar investida numa história, a ponto de comprar o livro em pré-venda (algo que nunca faço!) e, depois, ser só mais uma hora de tédio desapontante… quando tinha tudo para ser melhor. Odeio sentir que frustaram as minhas expectativas, como é normal…

Não te peço para comentar sobre este livro, a não ser que desejes mesmo fazê-lo, porque sei que não é do gosto de todos.

Enfim, e por aí? O que estás a ler que te arrebata o espírito? Partilha connosco, por favor, o que pensas ler este domingo.

Obrigada e Até Breve!

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