A Concentração Máxima num Mundo de Distrações – Recomendação de Leitura

deep work

Olá! Sê bem-vindo à [minha biblioteca] para usufruto na pausa de domingo, se possível.

Hoje, quero falar-vos sobre o livro “Deep Work” de Cal Newport.

Cal Newport, que estudou e trabalha em ciências computacionais no MIT, na Universidade de Georgetown e, em simultâneo, escreve sobre as intersecções da tecnologia, do trabalho e a busca pela profundidade, num mundo cada vez mais desconcentrado.

“Deep Work — A Concentração Máxima num Mundo de Distrações”

Publicado em 2016, tem sido, constantemente, incluído nas listas de livros a ler, ideias importantes para a nossa vida actual ou livros de auto-ajuda essenciais. Não sei quantas vezes li/ouvi esta recomendação de leitura.

Também suponho que, ele não é novidade para os entusiastas da produtividade.

No entanto, quero trazer-vos aqui alguns argumentos de incentivo a esta leitura.

Comecei por ouvi-lo em audiobook. Escutei meia dúzia de páginas, e decidi comprá-lo em formato papel. Ouvi-o, enquanto procurava o momento para começar a lê-lo. E, meia dúzia de páginas lidas, regresso ao início com a ideia de o anotar.

Acabei com esta chave de anotação… e uma tonelada de post-it’s coloridos.

chave para deep work

* Usam um sistema de anotações? Partilhem connosco, como costumam marcar as partes importantes de um livro, nos comentários a este artigo.

O que retirei desta obra?

Para começar, horas de pequenas histórias interessantes e argumentos simples mas inspiradores.

Depois, encontrei bastantes referências em artigos, livros e autores, para uma pesquisa mais detalhada em certos temas. Alguns, persegui-os de imediato, outros estão em lista de espera, pela sua dimensão e complexidade.

Encontrei, também, a desconstrução simplicada de alguns temas, com os quais me preocupo, na actualidade.

Retirei, ainda, a noção que este tema do trabalho profundo, ou da dedicação ininterrupta e profunda a uma qualquer actividade, e os constantes impedimentos, são temas que têm sido falados ao longo dos últimos anos, e que Newport sistematizou de uma forma interessante e imediata.

Apercebi-me que, há muito tempo que lia/ouvia a influência destes temas, através de outros construtores criativos e noutros meios. Newport se dedicou, de uma forma mais profunda, a reunir dados e tirar conclusões, que nós podemos experimentar adaptar à nossa vida e ao nosso trabalho.

Ou seja, o tema não é novo. Mas, as sugestões em lidar com ele, de formas construtivas, e assentes numa premissa que acredita que, quem deseja de facto melhorar a sua vida, e está disposto a fazer as escolhas difíceis a curto prazo, para que não se transformem em enormes bloqueios a médio prazo, são necessárias de considerar e, quiçá, implementar.

O texto escolhido para a contracapa ilustra, bastante bem, o tema desta obra.

contracapa Deep Work
Contracapa da tradução de 2024, pela Conjuntura Actual Editora, chancela de Edições Almedina, S.A.

Nele, quero demarcar a seguinte frase: “… cultivar uma ética baseada na concentração máxima produzirá grandes benefícios…”

Outra coisa em que reparei é que, para além de defender a sua ideia (parte 1), Newport apresenta-nos as regras para trabalharmos no sentido de eliminar as partes mais perniciosas das nossas rotinas (parte 2).

Claro que, a esmagadora maioria de nós, não será capaz, qualquer que seja a razão, de manter estas regras de uma forma determinada. Mas, a verdade é que, há espaço para as adaptações destas regras à nossa realidade pessoal.

Newport apresenta-nos ideias que podem, mesmo, ter algum impacto nas nossas rotinas diárias, e ajudar-nos a gerir a confusão que, por exemplo, uma caixa de email ingovernável nos proporciona…

Como é o meu caso, infelizmente, como mencionei aqui… mas, num à parte de “Deep Work”,  as regras de email não se aplicam de forma simples, quando somos obrigados a gerir 6 caixas de email agregadas, das quais 4 não são, propriamente, nossas. E, nisto, na responsabilidade por caixas de email de outros que não têm os recursos para as manterem, não tenho escolha. Isso e, ainda há alguma empresa de serviços que admita uma permanência analógica nos seus serviços?

Querem uma factura? Activem o login no website. Querem marcar uma consulta? Conversem com a nossa AI e recebam email de confirmação. Precisam de esclarecer algo num documento? Login, no site. Submeter declarações ao governo? Online… e, por aí fora.

Enfim, tenho a certeza que, cada um de nós terá de adaptar algumas regras para que estas funcionem para si. O que é perfeito. Porque, isto significa que não fingimos adoptar uma solução milagrosa, que abandonamos ao fim de uma semana de implementação, mas que nos interessamos, de facto, pelo que consideramos ser problemático, e vamos em busca de uma solução própria para, qualquer que seja, o problema.

Deep Work“, para além de nos ajudar a zelar pelas nossas obrigações, incitando-nos a reflectir no que é mesmo necessário, instiga-nos a sermos conscienciosos com o nosso tempo, e a priorizar um estado de concentração (também conhecido por flow, conceito formalizado na obra de Mihaly Csikszentmihalyi).

E, não quero deixar de citar dois parágrafos que me pareceram, particularmente importantes, para nos ajudar a colocar em perspectiva esta necessidade de ceder a pressões tecnológicas:

“…para a maioria, suspeito, o resultado líquido dessa experiência, se não for uma revisão maciça dos seus hábitos de Internet, será pelo menos uma visão mais fundamentada do papel que as redes sociais desempenham na sua existência diária.

Esses serviços não são necessariamente, como anunciado, a força vital do nosso mundo ligado moderno. Eles são apenas produtos desenvolvidos por empresas privadas, financiados ricamente, comercializados com cuidado e projectados, em última instância, para captar e depois vender as suas informações pessoais e atenção aos anunciantes.” — “Deep Work” de Cal Newport

E, neste momento, os anunciantes são todos os mal-intencionados do mundo.

Assim, ao procurarmos a concentração máxima, neste nosso mundo de distracções, podemos recuperar alguma espécie de racionalidade sobre os temas que têm procurado dominar-nos, e orientar-nos para uma vida cheia de incertezas, abdicando da nossa capacidade de crítica, e substituindo-a por ideias e intenções de outros.

Desacostumar a mente dos vícios da distracção e procrastinação, e focar-nos na concentração absoluta, durante um período de tempo, previamente estabelecido, com o objectivo de libertar a mente, não apenas para o trabalho mais importante para nós, mas para o real aproveitamento dos tempos livres, com actividades e pessoas que não nos roubam, mas que nos acrescentam sentimentos positivos. Livres do controlo externo da nossa realidade e reforçando a capacidade de discernir o que importa do que é ruído atemorizador.

São estas, algumas das ideias que merecem ser investigadas com mais atenção.

E, aqui deixo esta sugestão de leitura. Um livro interessante e divertido, cheio de referências para os mais curiosos, e que procura fomentar a iniciativa de ir compreender certas ocorrências por nós próprios, e ajudar-nos a contemplar que mudanças seriam, de facto, as melhores para nós como indivíduos.

Se já leram, deixem os vossos comentários em baixo. Se ainda não tiveram oportunidade de o ler, podem considerar dar-lhe uma hipótese de leitura. Não se vão aborrecer.

*** se leram até aqui, quero deixar um comentário pessoal sobre este tema da distracção em massa através dos meios tecnológicos. Sim, compreendo que neste momento não temos como recusar esta ideia de progresso. Aliás, não sei se alguma vez tivemos escolha. A tecnologia tomou-nos e tem sido sempre apresentada como positiva e um factor de desenvolvimento. Não tenho qualquer ideia sobre como podemos proteger-nos dos efeitos negativos, excepto com a reflexão intensa sobre o tema, e as escolhas difíceis que tenho de fazer, em cada momento “aborrecido” do dia. E, continuar a lidar com a dicotomia ‘utilizar ou ser utilizada por ela’, e o desconforto que isso me traz. Convido-vos a partilharem os vossos pensamentos sobre isto, nos comentários deste artigo e Até Breve!

Desejo-vos uma semana criativa.

Obrigada e Até Breve!

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2 comentários em “A Concentração Máxima num Mundo de Distrações – Recomendação de Leitura”

  1. Olá, Sara! Seu sistema de post-its é muito engenhoso. Confesso algo deplorável: escolho a cor do post-it para harmonizar com a cor do livro e uso apenas esta cor… Como não separo as citações encontradas por categoria (todas entram na categoria “importante!”), acaba funcionando para a minha cabecinha! Sobre os meios tecnológicos, deixei de entrar em guerra contra eles e procuro colher a parte boa (como ler o seu blog e encontrar bom conteúdo do mundo todo), e me “purificar” da parte nociva, o que tem sido uma missão quase que diária. Sigo nessa luta por me manter criativa e não me render à pressa que este mundo atual tanto nos exige. Um forte abraço aqui das terrinhas brasileiras!

    1. Um sistema de organização que funciona para ti é o melhor que podes encontrar. E, talvez outros leitores experimentem o teu sistema e descubram o que funciona para eles. Sim, é importante “purificar” da parte nociva e continuar como podemos…

      Obrigada pelos teus comentários.

      Abraços e Até breve!

      Sara

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