Ferramentas para Não Esquecer o que vemos

não esquecer

Olá! Sê bem-vindo a este [recursos do escritor].

Também sentem que, se não apontarem tudo aquilo que vêem, lêem, assistem, até os sítios onde vão, esquecem-se de tudo, ou quase tudo, dessa experiência?

Julgo que, este esquecimento, foi parte do motivo que me levou a procurar manter uma prática constante de registo dos eventos e materiais que não desejo esquecer. Outra parte, responsável por estes registos, foi a auto-revelação do tipo de lembretes que a minha memória precisa, para recordar (visual e correlativo).

Eu preciso de imagens visuais, de informação sensorial e de recordar a emoção, que os sentidos absorveram, e correlacionar o que vejo no presente com as experiências relacionadas no passado.

Cadeira Vermelha
Quadro em exposição na Casa-Museu Dr. Anastácio Gonçalves (Museu inserido na lista de Museus, monumentos e palácios com entrada grátis 52 dias por ano)

Aborrece-me que, durante muito tempo, o meu desconhecimento sobre esta minha faceta tivesse arrumado algumas das minhas memórias em sítios que são, agora, praticamente inacessíveis para mim.

Às vezes, pequenos excertos revelam-se, quando algo despoleta um fantasma de memória. O que é pior do que não me lembrar de todo, porque sinto que não consigo recuperar o que vi/foi de facto. Perco os nomes às coisas, misturo e confundo e, alguns desses sítios, não volto a recuperar.

Ao mesmo tempo, este auto-conhecimento actual fez-me o favor de justificar porque se formou a prática constante e, para ser verdadeira, um pouco obssessiva, de recolha de memórias visuais em formatos que possa revisitar em qualquer altura.

Outra parte desta prática, é que serve muito bem as pesquisas nos temas sobre os quais escrevo. Saber onde coloco referências para usar, porque o processo está, mais ou menos, organizado é um alívio especial.

E, é neste momento que todos nós nos perguntamos: “porque raio é que ela faz introduções de meia dúzia de parágrafos?” Pois, não sei. Acho que, atento sempre a colocar os temas, de uma forma que vos possa puxar a considerarem o assunto em questão. E, com sorte, encontrem coisas em comum e queiram partilhar as vossas estratégias nos comentários.

Hoje, quero escrever um pouco sobre as ferramentas que uso para colmatar esta circunstância memorial que me acomete.

O mesmo barquinho que me acompanha há décadas e que aparece, inclusive, no meu primeiro vídeo de YouTube… (deixo hiperligação na imagem)

barquinho
O barquinho que me acompanha há vários anos e que aparece num dos meus primeiros vídeos de YouTube: https://youtu.be/oobdLzv9izk?si=oHCb3JLigjI9_kmB

Fala-se imenso nas consequências da exposição aos conteúdos curtos, e ao impacto que a internet (ecrãs) tem na nossa capacidade, e vontade, de memorizar o que vemos mas, verdade seja dita, sempre houve problemas em reter informação. E, nem sempre houve uma compreensão sobre as diferenças entre as pessoas, e quais os métodos que funcionam para cada uma delas e, para ser franca, ainda não há uma compreensão generalizada, apenas alguns estudos científicos que me dão algum apoio no que penso sobre a minha forma de reter informação.

Por exemplo, quando me envolvo emocionalmente com a informação, é muito mais fácil memorizar algo e recuperá-lo mais tarde.

E, nunca compreendi como funciona o cérebro de alguém que memoriza tudo à palavra, mas depois tem dificuldades em correlacionar ou extrapolar, se necessário, o que leu com outra informação qualquer.

Mas, sei que a sociedade acredita que memorizar é a faculdade mais importante. (E, isto pode ou não, estar relacionado com o que se espera de cada classe social), Por isso, os métodos de memorização têm de estar presentes, de uma forma mais vívida, para quem tem uma memória visual e mais sensorial, e menos factual.

Assim, vamos às ferramentas que eu uso nas práticas regulares:

1. Fotografar

fotografias de referências abril 2026

Eu sei que este é um método que não nos serve a todos da mesma forma mas, para mim, tem sido essencial na recuperação de todo o tipo de informação. E, não me refiro a tirar fotografias de paisagens. Apesar dessas fotos não estarem excluídas.

Por exemplo, vejo um concurso online, que quero investigar: tiro um print screen para ver mais tarde.

Vou algures, e quero memorizar a existência de um objecto qualquer: um título de um livro usado numa exposição, um quadro, uma peça, uma legenda de uma peça… tiro uma fotografia, para não me esquecer de procurar, quando for oportuno.

Estou a começar uma série, um filme, ouvir uma música que quero reter para usar mais tarde ou para continuar a ver, no caso de algo com vários episódios…, tiro uma fotografia (alguém se lembra do dia em que começou a ver uma série qualquer?!)

Vou a passar algures, e vejo um cenário, um ambiente, ou uma referência específica, que me deu uma ideia para uma história: tiro uma fotografia (e poderei tomar notas assim que possível).

Estou a ler um ebook, vejo uma citação que quero reter… print screen(o-a) de imediato. Não vale a pena dar-me ao trabalho de a sublinhar, e arquivar no espaço digital da aplicação de leitura, porque nunca aí releio nada.

E, é por este motivo que, o meu arquivo fotográfico actual tem quase 47 mil ítens e possuo outro, que está arquivado noutro sítio, por incapacidade de gerir a quantidade de informação no aparelho móvel.

O que nunca me esqueço é: ir recuperar a informação dessas fotografias e colocá-las nos suportes analógicos abaixo.

2. Calendário Diário (ou filofaz)

caderno diário ou filofaz

O meu calendário diário é visual. Uso as fotografias que tiro, todos os dias, e construo uma espécie de lembrete dos aspectos mais importantes, a reter em cada um dos dias.

Organizo as imagens em formato pequeno, porque escolhi o tamanho A5 para este journal, e colo a impressão no calendário diário, que construo, todos os meses, para a actividade.

Estas imagens são acompanhadas de texto mas, não obrigatoriamente e, também acontece não haver informação para certos dias. Porque sou obssessiva mas, não tanto. Aliás, há dias que prefiro não me alongar nas memórias.

3. Calendário Prático

calendário prático 2026

Possuo, um outro Calendário Diário que comecei a preencher em 2026 com a informação mais prática do dia.

Num formato A6, numa agenda comprada, ao invés de feita por mim como acontece com a A5, aponto as listas de afazeres, o calendário horário de cada dia, os objectivos principais dos dias, e uma pequena foto dos momentos mais relevantes. E, esta foi a forma de combater a minha alergia a completar o que colocava na lista de afazeres.

Porque a minha criatividade assim o exige, também uso uns autocolantes e comecei a registar informação relativa à saúde e afins. Quem é que se lembra da medicação que é suposto tomar durante x dias, e parar z dias, e retomar aos y dias?! Eu, não.

4. Bloco de notas rápidas

bloco de notas rápidas

Este é um caderno que mantenho na minha secretária. Sim, esqueço-me com facilidade do que vejo, e quando penso “vou pesquisar depois“… apenas para descobrir que, se não escrevi algo que me relembre, a informação permanece desaparecida em combate.

Por vezes, levo anos a relembrar algo e a constatar que, algures no tempo, tinha pensado que era um tema/referência que precisava ir investigar.

Agora, e já há uns anos, que mantenho um bloco de apontamentos rápidos. Um menino muito rechonchudo, com muitas páginas, que comecei a usar no início de 2024 e que estou, neste momento, a retirar dele as informações que não quero perder, antes de o reformar de forma oficial.

Antes deste Bloco de Notas Rápidas existir, apontava em folhas soltas, tamanho A4, dobradas ao meio para ficarem A5 (confesso que, é o meu tamanho favorito). O problema? As notas eram colocadas de forma caótica, mesmo em sentidos diferentes e exigia que, ao fim de uns dias, precisasse rever tudo o que lá tinha posto e decidir onde ia colocar a pesquisa que derivasse delas.

Este bloco manteve tudo organizado, bonitinho, e condensado num mesmo local.

Agora, tenho o trabalho de ir rever tudo o que lá pus nos últimos 2 anos, porque nem sempre risquei o que já tinha visto, e quero passar algumas dessas informações para outros cadernos, incluindo o bloco que o veio substituir.

5. App Notas

app notas

Claro que, comigo, tenho sempre a aplicação das Notas no telemóvel.

Tempos houve em que usei Evernote e Notion e, é possível que, mais alguma que não me recordo no momento. Mas, o que se manteve constante, foram as ‘Notas’.

Nesta aplicação tenho coisas tão chatas de relembrar como o tamanho do meu colchão, receitas avulsas, excertos de ideias para histórias, currículo e listas de janelas abertas no computador, para não me esquecer onde ia, quando fui forçada a actualizar o dito.

A vantagem desta é, poder andar com esta app no bolso, sendo útil para recordar informações práticas, que preciso para certas tarefas mais ocasionais.

6. Lista de Referências

lista de referências de jan 2026

A última, destas ferramentas é uma Lista de Referências visual, que imprimo para colocar no Calendário Diário, e que uso para rever, quando sinto que preciso anotar algo com mais minúcia, e para me relembrar do que foi importante nesse mês que passou.

Esta lista é mensal, por imagens, que reúne os livros, os artigos, os filmes, as séries, os documentários, o vídeos de YouTube, os websites e outras referências, que não desejo esquecer.

Não é uma tarefa simples, ou rápida mas, é necessária. E, 2026 viu-a nascer e ajudar-me a relembrar, e a orientar outros projectos, apenas porque no final de cada mês, revejo cada uma das referências com um olhar crítico sobre aquilo que quero manter comigo, e do que não precisa figurar nesta lista. Sem esquecer que, organizar informação, facilita os outros projectos como escrever para este blog, encontrar fontes derivadas ou criar histórias.

Podem espreitar uma fotografia desta lista no artigo ‘Compromisso com a Liberdade Criativa e os Processos de Criação‘.

Outro assunto relevante:

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Assim, espero que este resumo de algumas das minhas ferramentas habituais vos seja útil e podem sempre deixar comentários sobre as vossas práticas relacionadas, aqui nos comentários deste artigo.

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