Opinião: ‘Vai aonde te leva o coração’ de Susanna Tamaro

DSCF5562Foi com um arrepio que li a última frase deste livro de Susanna Tamaro.

Há anos que oiço falar dele sem me ter despertado a curiosidade. Recordo-me de uma conversa com uma amiga sobre esta obra e de ter saído dela um pouco curiosa mas algo renitente.

Claramente, não estava preparada para o ler. Acontece-me com frequência, não estar psicologicamente preparada para determinado livro, e quando finalmente o leio acabo por confirmar que, se tivesse insistido em lê-lo antes, metade da significância ter-se-ia perdido.

Vai aonde te leva o coração’ é a carta escrita por uma avó/mãe à sua neta. A ausência da jovem na sua vida, leva a personagem/narradora a optar por este formato, os motivos desta escolha ficam marcados em nós como poucos outros conseguem.

Esta é uma história que nos leva através da vivência de três gerações de mulheres, e das várias formas como cada uma delas lidou com a vida, com o auto-conhecimento e com a busca pela felicidade. É uma lição de vida, uma contemplação da cadência de erros cometidos e do significado (e implicações) de ser mulher.

Este livro contém um percurso, ou três, que nos leva a contemplar os motivos das nossas escolhas pessoais, as nossas aspirações e receios, as acções e as suas consequências. Fala-nos de amor, paixão, casamento, religião, fé, inteligência, fervor causal, amizade, alegria, depressão, velhice e da morte.

É através de alguém que se acha simples, senão mesmo simplista, que vemos a complexidade da vida, e que nos comovemos com as suas escolhas.

Gostei muito deste livro e, desconfio, que voltarei a lê-lo em breve. Este é um daqueles que fica no coração. Estão explicadas e totalmente merecidas as 51 edições. Deixo-vos duas citações, dois pensamentos que ganharam raízes em mim…

“… As coisas são assim, é preciso generosidade na vida: cultivar o nosso caracterzinho sem ver mais nada do que está à nossa volta significa que ainda se respira, mas que já se está morto.”

“… Enquanto se está de fora, é fácil compreender mal as pessoas, as suas relações. Só de dentro, só caminhando durante três luas com os seus mocassins é que se pode compreender as motivações, os sentimentos, aquilo que faz agir uma pessoa de uma forma e não de outra. A compreensão nasce da humildade, não do orgulho do saber.”

‘Vai aonde te leva o coração’ de Susanna Tamaro – Editorial Presença

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