Palavras Soltas: Convida a Magia a entrar e… ficar

Magia. Cada vez que penso em Magia, ocorre-me a crença que alimentei durante anos. Aquela que me dizia que a Magia não existia. Os anos em que recusei ver qualquer Magia para lá daquilo que consigo ver, e tocar, e comprovar por A+B.

Neste momento, tenho a certeza que, muitos de vós estão a revirar os olhos e a mexer-se em direcção à cruzinha vermelha ali ao canto… Pensem em Magia como:

Aquilo que vos leva a Criar e que não conseguem explicar porque existe.

Nenhuma vida é linear. Nenhum de nós permanece estático, mesmo que nos dediquemos, com veemência, a não mudar nada. A vida vem, e encarrega-se de Se mostrar, na sua enorme variedade e complexidade.

Ensina-nos que mudamos até quando não queremos mudar. Mostra-nos que o errado é, muitas vezes, o lado certo. Descobrimos que é preciso Resistir.

Assim como Aquilo a que se Resiste, Persiste. Também Aquilo em que se Persiste, Resiste.

Mesmo que seja o oposto de tudo o que nos ensinaram. Mesmo que seja a pura teimosia a acartar o nosso peso até ao fim.

Por isso, e quando contemplo os anos em que procurei o que queria fazer (sabendo o que mais me chamava), e em que me permiti acreditar que a Magia era fruto de hocus-pocus e, por consequência, um desperdício de tempo… quando me convidei a “magiar” ou “magicar” parecia que me estava a afogar.

A realidade tende a intrometer-se nos nossos planos. E, se não nos focamos nos nossos sonhos, na nossa Magia, tendemos a fechar-nos a ela. Não há Magia que subsista incólume dos planos engendrados pela Realidade.

Aquilo que passámos a acreditar ser esotérico, e de menos valor, é apenas o som do vento a soprar a nossa Magia para longe de nós.

Somos uns seres estranhos. Alguns de nós criam as suas maiores obras quando acometidos pela realidade… quando assoberbados pelo escuro do fundo do poço. Outros, definham e deixam a morte entrar. Convidam a Realidade a sentar-se no sítio onde a Magia deveria estar e deixam-na alimentar-se de si.

Uns preferem a ligeireza aparente de perseguições fúteis da próxima distracção possível. Anestesiam-se com o seguinte copo de vinho, a próxima discussão, o mau juju da última conquista, ou a recorrente satisfação de um qualquer vício.

Alguns preferem mutilar-se por dentro, esfregando a Realidade do que acreditam ser impossível, como sal que inflama a ferida. Vivem a vida à espera. À espera do milagre que nunca acontecerá. A vida não é feita destes milagres.

Se aprendi algo foi que a vida é feita dos actos que escolhemos fazer. É feita de Agora. E, aquilo que escolhemos fazer, assim como aquilo que escolhemos não fazer. E, é feita de Persistir e Resistir.

Aprendemos a comparar, a julgar, a desfazer. Fazemo-lo com tanta destreza, e exactidão, que não conseguimos ver o prazer macabro que sentimos na destruição. Na nossa própria destruição.

Nós, criadores de coisas, somos tão proficientes nesta destruição que, ao fim de um par de anos, não reparamos sequer que o fazemos. Banimo-nos de tudo aquilo que possa representar qualquer tipo de Magia. Desistimos dos Sonhos. Abandonamos a nossa Arte.

Perdemos o rumo que queríamos seguir. Apesar de, muitas vezes, continuarmos a procurar a nossa Magia neste mundo, ilusoriamente, real. Ninguém cria nada que não tenha sido sonhado primeiro. Algo que não tenha sido “magicado” antes de tudo o mais acontecer.

Duvidamos que a Magia existe porque permitimos que a capa da Realidade a cubra e esconda de nós. Pedimos conforto, e abrigo das tempestades, a uma Realidade que nada tem para nos oferecer… porque somos feitos de Magia.

Há muito que se sabe que a Acção é o que separa o Sonho da sua Manifestação. Agir é o único reduto capaz de manter viva a Magia em nós.

Soa a hocus-pocus? Boa! Ainda bem.

Quando nos isolamos na Realidade paramos de ver a Magia. Inserimos a Criatividade na portinha de acesso ao sistema e accionamos a opção “desejo formatar tudo”.

Mas, se deixarmos que a Magia nos guie, que as brincadeiras se multipliquem, que as novidades nos deslumbrem… se intentarmos esforços na prossecução de acções novas, se nos dedicarmos a agir, se nos disciplinarmos a nutrir a Magia em nós… se usarmos todos os nossos Sentidos (incluindo o sexto), e estivermos atentos e focados em captar e absorver, então a Magia tem uma forte hipótese de nunca nos abandonar.

O Criativo em nós tem uma hipótese de superar o excesso de Realidade.

Se aprendi algo nestes anos tem sido isto: quando nos fechamos à Magia de criar, fechamo-nos ao Mundo. Esquecemos como contribuir, positivamente, com quem somos para os que nos rodeiam. Vivemos apodrecidos por dentro, sempre a tentar compensar, punir, driblar, quem somos e a frustração que sentimos.

Quando não acreditamos que já somos quem queremos ser, vivemos sem saber como, e abandonamo-nos à futilidade. Autoflagelamo-nos porque não acreditamos que, são aqueles poucos minutos que dedicamos à Magia da Criação, que fazem alguma diferença. Não acreditamos ter qualquer força no grande esquema das coisas.

Se não agimos, em concordância com a Magia que queremos na nossa vida, a Realidade será sempre o sacrifício que teremos de padecer.

Neste momento, e há largos meses, que procuro a Disciplina que preciso para chegar à Magia. Aponto tudo o que me leva para o realmente mágico. Escolho Agir ao invés de reagir. Degusto as pequenas coisas, crente que são estes momentos em que escolho criar, em que sou a pessoa que sou.

Mesmo que o acto de Criar seja tão errático e me deixe perturbada quando não corre como quero.

Aceito que aquilo que a Magia me trouxe nunca será superado por nada nesta Realidade. E, tento ser Feliz com isso.

Sinto saudades de quando tudo era simples. Quando não pensava no que escrevia até à exaustão. Quando não tinha idade para compreender o que significava para mim ser, ter e escrever.

Sinto saudades e agradeço a magia que vivi… e o que aprendi.

Agradeço a vossa atenção e até breve!

Até lá, sê paciente contigo próprio, e com a tua busca por Magia. Mas, vive de Acção. A Arte, a Magia e a Vida, não nos encontra se não estivermos a Trabalhar.

 

Deixem os vossos comentários em baixo. Respondo assim que possível.

Obrigada e Até Breve!

 

2 comentários em “Palavras Soltas: Convida a Magia a entrar e… ficar”

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