Comportamento, Identidade e Inteligência Artificial

hábitos e identidade

Olá! Sê bem-vindo aos [recursos do construtor criativo].

Comportamento, Identidade, Escrever em Quantidade e em Qualidade, Inteligência Artificial e Mudar de Hábitos, são as reflexões que vos peço para fazerem comigo.

Alinhar Comportamento com Identidade

Sei que tenho uma opinião meio cáustica sobre o livro que vou citar a seguir. E, podem ler tudo sobre isto no artigo Quem diz a verdade sobre “Hábitos Atómicos”, mas enquanto releio, e anoto, o material que pretendo relembrar, quero partilhar uma citação, com a qual concordo, e que me parece digna de reflexão.

“Os nossos comportamentos são habitualmente um reflexo da nossa identidade. Aquilo que fazemos é uma indicação do tipo de pessoa que julgamos ser — de forma consciente ou não consciente. A investigação tem mostrado que a partir do momento em que uma pessoa acredita num aspecto particular da sua identidade é mais provável que se comporte de acordo com essa convicção. (…) No fim de contas, quando comportamento e identidade estão totalmente alinhados, já não se procura uma mudança de comportamento: estamos simplesmente a ser o tipo de pessoa que já acreditamos ser.” — p.42 “Hábitos Atómicos” de James Clear

Diz-me a experiência pessoal que, as pessoas têm muita dificuldade com o entendimento daquilo que, as verdadeiras mudanças de hábitos, exigem.

Mas, se é só mudar de identidade (integrar até se tornar parte de nós), então parece apenas ser um golpe perfurante naquela parte do orgulho, que se recorda sempre que dizemos que queremos mudar isto, ou aquilo, apenas para falhar. Quem não se recorda das decisões de Ano Novo?

Sem esquecer que, quando há objectivos maiores podemos ter, em simultâneo, crenças sobre nós que chocam de frente com quem queremos ser. Queremos ser escritores, mas temos pavor de falar em público, por exemplo.

Alinhar comportamento com identidade é um imbróglio pujante. Mesmo se, tantas vezes, constatamos que é isso que falta.

O falsete que se arranca de um cantarolar, que é necessário fazer, nada tem a ver com o brio do verdadeiro instrumento vocal que nos foi legado biologicamente. Mas, como temos de fazer coisas para as quais não vimos formatados de raiz, a única solução é aceitar que temos de executar o trabalho difícil, até nos sair de forma natural… ou, o mais natural que nos for possível.

Quando precisamos mudar algo na nossa rotina, para incorporar tempo de escrita, para rever processos de criação, para optimizar o resultado dos nossos esforços, no sentido das metas que estabelecemos, precisamos comprometer-nos de verdade.

Aquilo que fazemos precisa ser uma manifestação de quem nós somos, de facto.

Métodos e Processos

Alinhar o que fazemos com quem somos, por vezes, significa muitas horas de busca de Métodos que trabalhem para o indivíduo que somos. Métodos de organização de tempo, de pesquisa, de actos que nos levem à pessoa que somos, à nossa identidade.

E, se a actividade é a escrita, os Processos são intrínsecos à criação da obra. Os Processos que, são tão distintos, como cada obra pode ser.

Sobre isto, escrevi noutro artigo:

No vídeo ‘A maioria dos problemas de escrita são problemas nos processos‘ no canal de YouTube ‘Writing with Andrew‘, encontrei uma perspectiva clara e elucidativa, sobre algo que me tem perseguido há muito tempo. E, apesar de já haver uns anos, em que constatei que cada projecto precisava de um método construtivo próprio, o tema tem permanecido comigo, porque cada projecto é único e precisa do seu processo criativo. — no artigo ‘Problemas de Criatividade são Problemas de Processos

Escrever em Quantidade

Ando em pesquisas diversas e, numa delas, surgiu a ideia de que é possível e, aliás, uma prática habitual em determinados géneros de criação literária, produzir livro atrás de livro, a um ritmo alucinante. Escritores com 50, 60, 70 livros escritos, em variados formatos, temas e géneros, e uma aproximação variada ao mercado literário.

Características de género literário e/ou produção por inteligência artificial, à parte, é de facto impressionante. Até para esse nível produtivo, o compromisso para com ritmo de produção é assustador.

Mesmo com as fórmulas, tropes e estruturas, a simplificar o processo, não deixa de ser um esforço criativo intenso. Publicar uma história a cada três meses, ou algo do género, é esgotante.

Não dou exemplos de autores, que produzem uma quantidade impressionante de obras, porque acho que há bastantes nos sítios da especialidade e decerto vos ocorre algum. Uma autora, com três décadas de vida e 60 livros escritos, ou algo parecido, é um produtor de histórias exímio (sem qualquer julgamento quanto às histórias que foram criadas).

Outros há, como Isabel Allende, Nora Roberts e Stephen King, que escrevem cerca de um livro por ano. Ou dois, dependendo da fase do autor. Mas que têm sempre mais do que um projecto a decorrer. Um ano recebe todos os esforços no acto do processo de criação, num projecto específico, enquanto lida com os aspectos de outras fases do processo criativo de outra(s) obra(s), em simultâneo, conseguindo um processo produtivo constante.

Escrever para Qualidade

Se olharmos para a Indústria Literária, é preciso uma produção constante para manter os escaparates cheios e, quiçá, formar os próximos fenómenos que perdurarão na história da literatura.

Ou seja, para existir uma Indústria tem de haver livros em quantidade. E, para se descobrir qualidade, é preciso haver produção em quantidade. E, se sempre acreditei que os livros precisam de tempo para crescer, dentro da imaginação do autor, que eles precisam de maturar dentro de nós, a verdade é que, uma Indústria, necessita de quantidade de produtos, com rapidez.

Diríamos que a quantidade baixaria o preço, porque há mais oferta mas, nesta parte da teoria económica, já não me parece que funcione assim. Em especial, depois da apreciação dos preços minha última ida à livraria… mas, desta vez, notei variedade nas novidades, o que é um bom sinal.

Com mais oferta, temos a oportunidade de descobrir qualidade. Temos escolhas, que não tínhamos antes, porque não havia variedade suficiente.

E, a associação entre qualidade e quantidade está relacionada com as crenças que temos, e tivemos, ao longo do tempo de vida da indústria literária. Felizmente, também estas se têm alterado com o tempo.

Noutro contexto, mas que acho que se enquadra como exemplo, encontro-me no momento, a viver um destes momentos de reavaliação de crenças passadas.

Sempre afirmei que a matemática não era para mim.

Desde que passei a ter a necessidade de apoiar a miúda com o tema, que constatei que, se calhar, estava a ser um pouco dramática nas minhas declarações de ineptitude. Tenho encontrado obstáculos, mas nada de insuperável. Até que apareceu um tema que, nem sequer me recordo de ter sido difícil na primeira aprendizagem… Reitero que, nunca vou assumir o conhecimento matemático como parte da minha identidade. No entanto, acho que fui levada a exagerar nas minhas incapacidades.

Por isso, não acreditar cegamente naquilo que outros estipulam é uma auto-defesa essencial.

Afinal, há uns anos, não se poderia almejar ser escritora só porque se tinha o desejo de escrever. E, neste momento, temos a capacidade de integrar esse comportamento na rotina, e integrá-lo na nossa personalidade, sem que estejamos submissos aos gatekeepers da modernidade.

Ter Sucesso em Quantidade e Qualidade

O sistema pode perdurar, mas o esforço pessoal só pode ser nosso, sem qualquer promessa de sucessos futuros, entenda-se. Temos as oportunidades de criar em qualidade, e em quantidade, e em todos os níveis dentro desse espectro.

Há quantidade que pode ter qualidade. Há qualidade que pode ser reiterada com quantidade. E, há uma verdadeira oportunidade em atentar a ambas.

E, não acredito que possamos construir uma vida de criação literária, com quantidade e qualidade, se não for algo que faça parte da nossa identidade pessoal como indivíduo.

Inteligência Artificial

E, sim, encontramos pessoas que criaram um negócio, produzindo livro após livro, após utilizarem Inteligência Artificial. Criam-nos em quantidade, o que lhes permite produzir um número de obras que podem vender, mesmo não sendo um best-seller, e retirar lucros desse empreendimento. Porque colocar livros no mercado é um negócio.

Mas, para a maioria das pessoas que escrevem como modo de ser, a IA não é uma opção que seja vista com leviandade. O uso da Inteligência Artificial é um tema delicado que suscita opiniões acesas… por mais do que um motivo em particular.

Pessoalmente, não uso. Fui ver o que era, tenho lido e ouvido opiniões diversas sobre o assunto. Mas, não gosto da ideia de entregar o que aprecio fazer, imaginar e executar com minúcia, a um processador (triturador-cuspidor?!) de informação.

Ao mesmo tempo, sei que não há como fazer o tempo voltar atrás. Acho que este é o tema da minha geração, nascida e criada no cruzamento entre o antigo e o novo. Mas, sobre este tema, e os interligados, dava jeito ter um portal para o futuro, ou uma bola de cristal, só para perceber o que será feito do que estamos a deixar fazer.

Mudar de Identidade

“Os nossos comportamentos são habitualmente um reflexo da nossa identidade. Aquilo que fazemos é uma indicação do tipo de pessoa que julgamos ser…” — James Clear

Mudar de Hábitos requer Integração da novidade na nossa Identidade. Os comportamentos que temos são um reflexo da nossa identidade e da pessoa que somos.

A dificuldade em mudar a Identidade, para integrar novos comportamentos, é aquilo que explica a quantidade de vezes que falhamos na actividade.

O que, de certa forma, ajuda a explicar o que — nos — acontece neste mundo.

Quem é preciso ser para escrever em Quantidade e em Qualidade? Quem é preciso ser para continuar a escrever? Quem é preciso ser?

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