História da minha visita ao Palácio de Mafra

palácio nacional de mafra

Olá! Sê bem-vindo a esta [vida criativa].

Já vos contei a história da minha visita ao Palácio de Mafra, no ano passado? Acho que não. Mas, confesso que só me inspirei para escrever isto, após ver um qualquer noticiário, no decorrer da destruição causada pelas tempestades.

Foi com uma sensação de pesar que ouvi afirmar que o Palácio Nacional de Mafra tinha sofrido bastante com as últimas tempestades. A minha preocupação imediata? O estado de conservação da Biblioteca.

Depois, lembrei-me do que vi, aquando da visita: se havia um espaço protegido no Palácio, era a Biblioteca.

Há anos que sonhava visitá-la, pelo que ia cheia de expectativas.

(Também, há anos que ouvia histórias sobre criaturas roedoras gigantes que assombravam o Palácio. Não vi nenhuma!)

vista da janela em Mafra
Perspectiva de uma das inúmeras janelas do Palácio Nacional de Mafra.

Confesso que, não sei se já lá tinha estado, porque tenho uma parte bastante longa da minha infância passada em Mafra, e arredores. Mas, como era criança, não me recordo de muitas coisas, incluindo visitas à Basílica e ao Palácio (das quais até há fotos).

No ano passado, por fim, fui visitar este monumento, sempre na expectativa de ver a Biblioteca.

Concedo que, ia muito iludida sobre o que poderia encontrar, o que não ajudou. Talvez, porque tinha visitado o Palácio de Queluz, poucos meses antes, e tinha vindo de lá totalmente maravilhada.

Repito, eu tinha expectativas na visita ao Palácio Nacional de Mafra, e à sua Biblioteca.

De lá, vim extremamente desiludida.

A única coisa, que salvou esse dia de visita cultural, foi a ida à Aldeia Museu José Franco, que não visitava há décadas, e constatar que tinha sido preservada (e melhorada) de uma forma exemplar… e que podia servir de exemplo.

basílica em Mafra
Vista através de uma das janelas para a Basílica do Palácio Nacional de Mafra (em obras).

Do Palácio retive a sensação de imenso espaço vazio. Não havia praticamente nada em exposição. Tudo estava guardado e, segundo nos foi confiado, as visitas roubavam as peças, então, as que sobraram foram trancadas nuns poucos armários, retiradas da vista do público, ou afastadas por inúmeros cordões escuros que não nos permitiam aproximar, até de salas a mais de 4 metros de distância.

(Espero que tenham um registo do que lá existia mas, tendo em conta que não parecem ter controle de segurança, não percebo bem como chegaram a estas conclusões de quem roubava o quê.)

O espaço era frio, desprovido de manutenção adequada, com muitos danos visíveis, na própria estrutura do edifício, e nas suas madeiras e decorações. Sim, já vi pior, ao longo dos anos, por esse país fora. No entanto, já vi tão melhor que, ao comparar, até assusta. E, era o Palácio Nacional de Mafra que, se falássemos no tamanho, já era impressionante, quanto mais na sua importância histórica.

Parecia que o Palácio tinha ficado parado no tempo, antes de ter sido mobilado, sem direito a uma curadoria de exposição, a sistemas de vigilância adequados, ou a qualquer tipo de intenção dinamizadora do espaço.

A Basílica estava em obras, o que também não ajudou ao factor de deslumbre que eu esperava mas, a Biblioteca… eu tinha expectativas!

Expectativas frustradas, claro.

biblioteca de mafra
Fotografia da Biblioteca do Palácio Nacional de Mafra… zoom no máximo.

É linda! E, esta é a única perspectiva que nos é permitida. À distância… tão longe, sem qualquer pormenor, que se consiga discernir, ou apreciar condignamente. Esta fotos só foram possíveis porque o telemóvel tira boas fotografias. No entanto, não faz milagres de focagem ao longe.

Teria necessitado levar uma câmara com uma teleobjectiva poderosa, porque gostava de ter apreciado pormenores impossíveis de ver com os meus olhos, tal era a distância das estantes.

perspectivas da biblioteca de Mafra
Perspectivas da Biblioteca do Palácio Nacional de Mafra.

Os 8 (?!) metros quadrados que nos permitiam pisar, dentro da sala de 1000 metros quadrados (de planta em cruz), eu e todas outras as pessoas, incluindo grupos em visitas guiadas, chegando a ser 30 pessoas, em simultâneo, nos 8 (?!) metros quadrados, acotovelando-se… resumindo, podem ver melhor no website (aqui…) do que ao vivo.

Agora, e sob a égide dos recentes temporais, falam-se de estragos.

Será que a caixa em acrílico, que continha a múmia de morcego em exibição, sobreviveu intacta? Não sei. Preocupa-me o cadáver do bicho.

E, os livros. Preocupam-me os livros, que se vêem, sem os conseguirmos ver. Qual será o seu estado, de facto, quando não preenchem as estantes?

O que não quero deixar de dizer, é que os funcionários eram todos de uma simpatia excepcional, como raramente vemos por aí. E, nós por natureza, somos um povo simpático, mas como estes, ainda vi muito poucos. Aos funcionários, só entrego elogios.

pinturas dos tectos em Mafra
Perspectivas dos tectos do Palácio Nacional de Mafra.

Mas, nestas visitas, a ideia é captar o espaço com os sentidos. É apreciar o que é. É encontrar pormenores interessantes, é absorver a ambiência do espaço e, se possível, ver para além dele e das peças em exposição. Mas, é também, ver a forma como se constrói uma exposição, povoando-a com os artefactos que contam A História. É esse o papel do curador de um espaço deste género.

Mas, nisto, ajuda não ter demasiadas expectativas. A ideia é encher o poço criativo (referência a ‘The Artist’s Way’) com História, conhecimentos, experiências, novidades e partilhas. E, se possível, sair de lá com uma ideia de construção criativa qualquer.

O Palácio foi uma experiência vazia, fria, proibida de experienciar. O que também se pode transformar em alimento para uma construção criativa específica. Mas, a sensação que trouxe não foi de magnânimo deslumbre, mas de frieza de pedra mármore despida da beleza da vida.

Os w.c.’s eram bastante engraçados. E, se isto não é uma piada, não sei o que será.

De tudo o que já visitei, e de tudo o que ainda quero visitar, guardo este monumento no meu coração como o sítio que não pude apreciar pela beleza magnânime que tem e pelas histórias que poderia contar.

***

Obrigada pela atenção e peço que deixes as tuas ideias e sugestões, nos comentários a este artigo. E, agradeço-te por isso. Também, todos os comentários são analisados, antes de serem tornados públicos, e tendo a responder ao fim de uns dias.

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Desejo-te uma semana criativa.

Obrigada e Até Breve!

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