Exercício para prestar atenção e melhorar a descrição

melhorar atenção

Olá!  Sê bem-vindo aos [recursos do construtor criativo]. Neste, encontram um exercício de treino em prestar atenção — e melhoramentos da Descrição.

01.07.2026, 15h38, 31º.

Está tanto calor que, o suor escorre pelas costas abaixo formando gotas que pingam, numa cadência constante, na zona lombar. Mesmo quando a loja oferece a defesa do ar condicionado, em combate ao que entra, pela porta que nunca se pode fechar aos clientes.

A areia escalda-nos os pés, enquanto o alto da cabeça queima ao toque da palma da mão. As pernas arrastam-se oprimidas pelo peso quente do ar em que não se sente qualquer ínfima brisa fresca.

A temperatura ambiente é uma força poderosa que pressiona cada milímetro da nossa pele, comprimindo-a em sufocação, até que transpirar seja o único mecanismo de sustentação de algum bem-estar para o nosso corpo.

Chegou o verão e, com ele, as ondas de calor. Nos próximos dias, prevêm-se temperaturas que podem chegar aos 40º graus, em algumas zonas do país, e cuja sensação de calor é superior à real temperatura.

01.07.2026, 18h03, 29º.

Ao fundo, ouve-se o arrulhar do mar. A sua cadência sonora embala-nos enquanto conversamos, comemos ou tentamos adormecer.

01.07.2026, 19h14, 29º, lua cheia.

Os pássaros voam em bandos, celebrando o calor que anuncia novas vidas nos ninhos. Muitos, grandes e pequenos, de caudas compridas, bicos coloridos e penas pretas, ou os ágeis acinzentados, que fazem barulhos esquisitos. As andorinhas escuras voam por cima dos telhados das casas, em contraste com o céu avermelhado. Fazem manobras rápidas, e voam em grupos portentosos, provando que é possível existirem tantos voos sincronizados.

02.07.2026, 10h30, 30º, sol abrasador, e já está assim:

temperatura hoje

Os cantos dos variados pássaros ouvem-se lá fora, durante todos os momentos do dia.

Mas este não é um artigo sobre o estado do tempo, a observação de aves, ou a onda de calor que nos assola.

Este é um artigo sobre prestar atenção, e o que essa capacidade traz para a nossa vida e escrita.

O processo:

Um meio de registo físico ou digital. Fazer-nos acompanhar de um caderno, e lápis, de um aparelho capaz de registo vídeo ou fotográfico.

Os sentidos bem despertos.

O espaço onde estamos, ou onde nos deslocamos.

Num momento, não muito distante da experiência, anotar/registar o que os sentidos captaram e as ideias que nos trazem.

Este é um processo que se propõe a fazer-nos notar o que nos rodeia; a registar, quando é interessante, e desejamos relembrar; a separar aquilo que constrói a experiência pessoal de um lugar, num momento específico.

Um processo que nos impele a registar aquilo que vemos, notamos e sentimos, potenciando um exercício de alerta de consciência, que será útil nas descrições que construímos para as nossas histórias ficcionais.

Para que não sejamos, apenas, capazes de entregar “Estava calor” mas, consigamos construirmos uma pletora de sensações, que fará o leitor relembrar a o que é sentir real calor na pele, usando apenas as suas próprias referências nutridas pelas nossas palavras (descrição).

Notar o que se passa ao nosso redor é uma herança que trazemos da infância. Aqueles que aprenderam a ficar hiper-alertas, a tudo o que os rodeia, até aos que sobreviveram a fechar-se a tudo o que se passava. Com todos os níveis intermédios que esta escala apresenta. E, não. Não há ‘normal’ nisto. Há níveis.

Assim, chegamos à vida adulta mais, ou menos, atentos ao que nos rodeia. Com maior, ou menor, uso dos nossos sentidos para interpretarmos o que vamos experienciando. E, com mais, ou menos, consciência dessas realidades particulares.

Para todos nós, este exercício é útil. Mesmo para os que não se consideram escritores.

Aqueles que estão hiper-alertas, treinam o foco em pormenores, ao invés de se sentirem assoberbados com a quantidade de descrição disponível, e possível de utilizar.

Aqueles que são mega-desatentos, treinam o foco naquilo que se apresenta à sua frente, procurando identificar as partes que constituem o todo, ao invés de passarem pela experiência sem se aperceberem que ela passou.

Aqueles, entre um extremo e o outro do espectro de capacidade de atenção, treinam a sistematização ou o afinar da experiência, sem se demorarem em demasiados, ou nos escassos, pormenores a apontar.

Mas todos nós temos a beneficiar do apurar desta capacidade. Porque relaxamos através dos sentidos. Porque nos preparamos para o que está a acontecer no momento. Porque notamos do que a vida é feita, de facto.

Experimentem e comentem, neste artigo, se este é um hábito que possuem ou se não é, e como o exercício vos correu.

***

Obrigada pela atenção e peço que deixes as tuas ideias e sugestões, nos comentários a este artigo. E, agradeço-te por isso. Também, todos os comentários são analisados, antes de serem tornados públicos, e tendo a responder ao fim de uns dias.

Agora, deixa-nos um “Olá” e/ou uma opinião construtiva.

Desejo-te uma semana criativa.

Obrigada e Até Breve!

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