O que andei a ler em 2026

leituras em 2026

Olá! Sê bem-vindo a este [diário de bordo].

Em Julho, partilhei as actividades escritas do primeiro semestre de 2026, com tudo o que andei a escrever, e publicar, por aí. Podem começar por ler esse artigo, e ver se algo vos inspira.

Encontram-no aqui:

O que andei a Escrever — e Publicar — em 2026

Neste [diário de bordo], partilho convosco as leituras que tornaram muito do que escrevi em 2026 possível.

Mas, primeiro uma mensagem para mim (e vós?!), de um livro que adorei, e que está pendente de uma releitura (e que recomendo!).

caminho de Hermann Hesse

Começo pelas resoluções de leituras, e os livros que li, nos primeiros meses de 2026.

Resoluções:

* Ler 60 livros em 2026;

* Registar fisicamente as minhas leituras;

* Respeitar o critério de escolha de leituras: Intencional, com significado e significância, que me preparem sobre temas.

* Escrever sobre os livros que leio.

Neste momento, li 41 livros do objectivo de 60 que havia estipulado em Janeiro.

Começo por convidar à conexão no Goodreads. Encontram-me em Sara Farinha … mesmo, se começo este artigo com a ideia de que não posso manter esta informação numa aplicação que pode desaparecer a qualquer momento, e ser banida do acesso aos meus próprios dados.

Bem-vindos à contradição dos tempos modernos! Temos tudo. Tudo é fácil. Mas, depressa desaparece.

Mantenho a resolução “parar com a dependência do Goodreads para manter a minha lista de leituras actualizadas”, estipulada em 2024. Os motivos? Um, odeio que seja um website a reter toda a informação pertinente sobre este aspecto da minha vida.

E, apesar de saber que há algumas destas realidades que são incontornáveis e, até certo ponto, imutáveis (se usamos, estamos dependentes da ferramenta), no domínio das leituras renovei o registo em papel de tudo o que leio, e quais os aspectos mais relevantes dessa leitura. Por isso, terminei a dependência absoluta da existência deste site para registo das minhas leituras.

Dois, há um mundo de livros que não existem no Goodreads, que leio, e que não me apetece efectuar a actualização na ferramenta. As bases de dados pagam-se. Seja a sua construção, seja a aquisição de dados em bloco. Actualizar, sempre que necessário, significa mais tarefas para mim. Estou bem servida, obrigada mas, não.

Façamos as contas:

Neste momento, o registo online diz que li 39 livros, em papel tenho 41 = 2 livros em falta.

Não parece muito, mas no ano anterior, 2025, o objectivo eram 80 livros, li 74, no site existiam 62 = 12 livros em falta.

Em 2024, o objectivo eram 70 livros, li 98, no site estavam registados 84 = 14 livros em falta… estão a ver a ideia?

Eu mantenho esta rede/site, respeitando o critério de não me prejudicar para o actualizar, desde 2010. Claro que alguns houve que fiz esse esforço e, acreditem que transcrever minúcias é um esforço.

E, não posso esquecer que seriam 16 anos de introdução de dados, prontos a serem perdidos, ao primeiro soluço do ecossistema digital. Porque, em última instância, os dados não são nossos, e basta uma remodelação empresarial — e a economia adora cenas destas, — para perder o acesso a informação que é valiosa para mim.

Critérios de Escolha de Leituras

Na questão das escolhas de leituras, mantenho: não faço listas absolutas de livros a ler; escolho consoante a necessidade de um determinado momento; leio por gosto, por pesquisa e/ou por necessidade de aprofundar conhecimentos.

Não faço listas de livros a ler… ou seja, faço listas com livros que pretendo ler, mas que não sei quando irei ler. Ou, faço listas com encadeamentos de livros, cujos textos conversam entre si, e que me mantêm interessada nos seus temas.

Confesso que, ao planear este artigo, ia tentar fazer esta cena chamada: Mid Year Book Freak Out Tag 2026. Desisti. Não sei qual é a melhor sequela, ou a melhor personagem.

Banalizar, e micro-escolher, causam-me paralisia de decisão. E, muito do que leio, não se enquadra sequer nestas perguntas. Onde coloco eu o “Guia de Pontos de Bordado”?! No bolso, com certeza!

Por isso, vou abreviar e nomear os livros que me marcaram, e apontar aqueles sobre os quais publiquei uma opinião aqui no blog:

Montaigne ou a vida escrita

Montaigne ou a Vida Escrita” por Eduardo Lourenço, encontram a minha opinião no artigo:

O tempo da Europa e a nossa Cultura

Li, e reli logo de seguida, tamanha era a importância das ideias destes textos.

Este é um conjunto de textos reunidos com base numa série de intervenções do Professor Eduardo Lourenço. Neles encontrei muito sobre a cultura europeia, ou a falta dela, a complexidade do progresso e as escolhas que fazemos, mesmo quando nos recusamos a escolher.

Albert Camus

Create Dangerouslypor Albert Camus. Este livro informou, directamente, dois artigos que publiquei aqui no blog (assim como muita organização de pensamentos sobre a vida actual). Foram eles:

Fim do tempo dos artistas irresponsáveis e o regresso ao passado para ajudar no presente

e

Ser Ingénuo é uma micro-fissura no material destrutivo

Ao livro, junto a leitura do Discurso de Albert Camus, no Banquete de celebração da entrega do Prémio Nobel, que podem encontrar aqui… Recomendo.

A ideia de ser a Arte, e a Cultura, e a Criação da Cultura através da Arte, e a responsabilidade que temos, como construtores criativos e culturais, em defender aquilo em que acreditamos, e criar com referência a essas verdades que são, na maioria das vezes, muito incómodas para a aceitação passiva requerida pela vivência em sociedade, entre outras ideias articuladas, fonte de considerações sobre a actualidade e as diversas perspectivas da realidade.

Dark Days by James Baldwin

“Dark Days” por James Baldwin. Ler sobre racismo, sobre a inevitabilidade da vida, sobre a pobreza e a sorte, ou a falta dela, pelas mãos de alguém que tem uma visão de experiência vivida, é um privilégio.

Comecei por este pequeno livro, incerta sobre se teria estrutura para sobreviver a, mais uma, história com estes temas, contados na primeira pessoa, depressa percebi que não há drama neste texto. Há realidades, escritas de uma forma que não pede pena, mas força que reconhecemos em cada um de nós. Esta foi uma introdução à obra de James Baldwin que me fez colocar a obra deste autor na lista das leituras futuras.

Faeries

“Faeries” por Brian Fround, ilustrado por Alan Lee. Publicado, pela primeira vez, em 1978 este livro é um compêndio ilustrado de mitologia de Fadas, Lendas e Folclore, que engloba uma variedade de criaturas míticas, não apenas fadas.

Primeiro, as ilustrações são vívidas e complexas, com uma mística de algo perturbador na constituição de cada uma das criaturas. Segundo, os mitos soam a fantasia pura, a elementos inventados e transpostos como se fossem a mais pura realidade, mas que o leitor de hoje só pode pensar em elementos imaginados com fervor. Uma leitura muito curiosa e agradável, que entrou para a minha lista de mind-tools literária.

The Beauty and the Beast

“The Beauty and the Beast” por Gabrielle Suzanne Barbot de Villeneuve. Esta é a versão de 1767, do clássico ‘A Bela e o Monstro’, considerada a original, por ser a mais antiga que é conhecida. Mas, é também uma versão já reescrita, cortando uma série de tramas paralelas, e dotando a “besta” de um perfil mais romântico e menos bestializado.

Não sei bem o que esperava deste livro, tendo em conta a quantidade de iterações românticas que li e vi. Mas apreciei bastante esta leitura. Quando permitimos que esta história tenha mais tempo para se construir, podemos lê-la como uma obra com mais substância, e menos objectificada, como têm sido a perspectivas daqueles que recontam apenas o núcleo da história, sem atenção à construção da narrativa que faça sentido para o leitor.

Hábitos Atómicos por James Clear

“Hábitos Atómicos” por James Clear. Posso dizer que foi uma leitura 5 estrelas? Não, nem por isso. Mas, por motivos pessoais como, por exemplo, já contar vinte anos de leituras na prateleira ‘Auto-Ajuda’. Por isso, se estiverem a considerar lê-lo, os factores idade e experiência contam, pelo que sugiro que procurem ler primeiro algo sobre este livro e verem se vos interessa de facto.

Escrevi uma opinião sobre ele, que podem ler no artigo:

Quem diz a verdade sobre “Hábitos Atómicos”…

Este livro fez-me considerar outros conhecimentos, leituras, estudos e realidades que não apoiam alegações feitas. Compreendo o público que ele reúne, mas não posso deixar de colocar em perspectiva aquilo que ele aponta, contra o que a experiência de vida me diz. Deixo uma curta citação do artigo acima.

Contudo, acredito que, há temas que devem ser tratados noutros sítios e que, neste livro, são desvalorizados com tanta simplificação que até assusta.

Fazer alguém sentir-se mal porque não consegue manter um certo hábito, qualquer que seja, sem ir em busca do motivo, ou motivos, pelos quais esse hábito não se instaura, é abrasivo. A melhor forma de resolver não é compreender porque acontece?

Acho que a minha opinião é, de facto, uma crítica acesa. Mas, a cada um as suas opiniões.

Heart of Obsidian

Psy-Changeling Series” por Nalini Singh. Esta foi uma maratona de leituras, começando pelo livro n.º12 da série, “Heart of Obsidian”, escolhido porque me apeteceu lê-lo, e que me fez regressar ao n.º 1 “Slave to Sensation”.

Deixo o caminho para o artigo:

Abril, romances mil e o género mais lucrativo da indústria

…com algumas séries de romance que li, e certas realidades do género literário em questão.

Em 2012, publiquei uma mini-opinião:

Review/Opinião: Slave to Sensation by Nalini Sigh

Só para terem noção do lapso temporal em que descobri estes livros.

Li 14 livros desta série, daí ter-lhe chamado maratona e, entretanto, o interesse esmoreceu… resta saber, até quando.

Sim, estes livros são para um público adulto mas, também nisto, o tempo faz notar a evolução para um foco maior na evolução dos enredos e das personagens. Pessoalmente, gosto bastante do universo criado, do potenciar de características humanas, das perspectivas sobre conhecimentos sobre comportamento e emoções humanas.

Clube das Princesas Amaldiçoadas

“Clube das Princesas Amaldiçoadas” por Lamb Cat. Continuam a ser uma viagem divertida, formato novela gráfica, a cada releitura… porque, tenho uma pré-adolescente cá em casa que escolhe reler a série, comigo, entre a publicação de cada número, algo que não me incomoda, mas justifica a quantidade de releituras.

E, se para cada conto de fadas, e maldição quebrada, houvesse uma mão cheia de princesas cujas maldições são inquebráveis? E, se numa família real, apenas o aspecto de uma princesa não se enquadra na realidade de conto de fadas dos seus irmãos? O que acontece quando a realidade das maldições toca a vida daqueles que vivem o conto de fadas percepcionado?

Estes livros fornecem momentos de risota pegada, e boa-disposição, enquanto pensamos nas histórias tradicionais que nos contaram, e nas realidades que elas poderiam esconder.

An Inventory of Losses

“An Inventory of Losses” por Judith Schalansky. Este é um livro feito de pequenos ensaios que partem sempre de um mote, algo que se perdeu no tempo e que é-nos trazido como alimento para a nossa curiosidade natural. Mas, cada texto é individual e construído num formato de observação próprio.

Uma leitura que adorei e que comunicou com a construtora criativa que sou e sobre a qual podem ler a minha opinião no artigo:

An Inventory of Losses de Judith Schalansky

K-POP Demon-Hunters

K-POP Demon-Hunters — the movie in comics“, novela gráfica da Netflix.

Não é, exactamente, igual ao filme mas, é 96% igual. Adorei o filme. Há muito tempo que não me apaixonava por uma animação e, mais tempo ainda, que não me apaixonava por uma música… ou várias.

Claro que, esta leitura foi mais uma escolha da minha filha e, no entanto, eu aprecio tanto como ela a viagem. Se não viram o filme, recomendo.

Fecho este artigo com outra citação:

path Joseph Campbell

***

Obrigada pela atenção e peço que deixes as tuas ideias e sugestões, nos comentários a este artigo. E, agradeço-te por isso. Também, todos os comentários são analisados, antes de serem tornados públicos, e tendo a responder ao fim de uns dias.

Agora, deixa-nos um “Olá” e/ou uma opinião construtiva.

Desejo-te uma semana criativa.

Obrigada e Até Breve!

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