O que andei a Escrever — e Publicar — em 2026

o que andei a escrever e publicar em 2026
Imagem: Show me the Monet de Banksy

Olá! Sê bem-vindo a este [diário de bordo], o artigo regular sobre como vão os esforços na minha escrita, e/ou outras actividades criativas e literárias, durante um certo período temporal.

Espera! Já estamos em Junho?!?! Mais uns dias, e estamos nas férias de Verão. Ó tempo, volta para trás! já dizia a canção… ou, talvez não.

O último diário de bordo foi escrito no final de Janeiro de 2026 e, de lá para cá (e de cá para lá, o Cuquedo nunca me abandonará!), as minhas lutas mantiveram-se na prática de escritos. Escritos diversos que incluíram:

  • voltei a escrever no presente blog;
  • a criação de uma newsletter no Substack;
  • um conto publicado;
  • pesquisa para uma história;
  • revisão de um livro de contos;
  • alguns poemas;
  • journaling diverso e habitual;
  • e experimentação de um ‘rapid log‘ ou registo rápido

O regresso aos escritos no blog.sarafarinha.com

O início de 2026 foi sido curioso. Sinto que, de certa forma, algumas coisas mudaram em mim, e na forma como voltei a olhar para os meus escritos, como podem ler no artigo Fim do tempo dos artistas irresponsáveis e o regresso ao passado para ajudar no presente, onde procurei explicar o porquê das minhas dúvidas e subsequentes resoluções.

Infelizmente, resoluções que funcionam por magia não me assistem, e não me isento da responsabilidade de deixar que os temas das outras pessoas me apoquentem. E, isto é algo que tem muito impacto na minha escrita, como ainda acredito que deve ser, mesmo quando me baralha as energias todas… mesmo quando me sinto ingénua sobre tanta coisa.

Ou seja, e trocando por miúdos, continuo a lutar no sentido de manter um ritmo de trabalho nos meus escritos, algo que é difícil na maioria das semanas e, por vezes, deixo-me influenciar pela decadência social da actualidade, o que torna ainda mais difícil focar-me em ser positiva e produtiva.

E, esta confusão, faz-me questionar os temas sobre os quais escrevo e os processos que utilizo para escrever.

Afinal, vivo neste mundo, e preocupam-me as escolhas que as pessoas que formam as nossas sociedades, fazem. E, por mais que alguns livros me ajudem a enquadrar estas questões, sinto-me numa luta constante, contra aquilo que considero ser questionável e condenável e, com o qual não desejo compactuar, e o proceder como se não existisse este grande peso constante a pairar por aqui, nos limites da minha (in)consciência.

Olhando para trás, vejo que, este sentimento não é novo. Há sempre uma qualquer manifestação de poderio indesejado, ou de falta de noção, a esgaçar a realidade e a minha dificuldade em aceitá-lo. Por isso, isto não pode ser motivo para parar, mesmo que seja motivo para hesitar em algumas coisas.

Assim, e depois de uma longa pausa neste blog, vi-me motivada a escrever sobre alguns dos temas que me apoquentam, e não esconder, como qualquer pessoa que receia o impacto do que mostra, publicamente, procura fazer. Depois de algumas leituras interessantes, e muita pesquisa, acho que consegui arrumá-los, na minha cabeça, com relativo sucesso.

Aceitar que há guerras que não são minhas para resolver, mas que são minhas para pensar, articular e formar uma opinião.

As visitas dos leitores a este blog são importantes

Sugiro a leitura do artigo É Essencial Publicar o que Escrevemos.

Há uns meses, senti que apaziguei uma parte da luta, entre o que acreditava saber sobre os gostos dos leitores da actualidade, e a sua preferência por certas actividades de entretenimento regular e, aquilo que estou disposta a fazer, para tentar agradar a mais leitores.

As preferências por certos tipos de conteúdos, a prevalência em certas aplicações, e a prioridade de certos géneros literários, entre outras considerações, são factores importantes para quem escreve, e pretende que os outros leiam, de facto, aquilo que se escreve.

Há regras que se propõem a agilizar a escolha de quem lê. Devemos fazer isto, e não aquilo, não os maçar com aquele, ou aqueloutro, chegando mesmo ao corte radical de tudo o que faz um texto nascer, com o cunho pessoal de quem o criou.

Como articular material cultural passou a ser ‘criar conteúdos’, que é como quem diz, igual a fazer publicidade de uma forma generalizada, as regras são claras. Há muitos não-nãos a evitar e (estúpidos) sim’s a cumprir.

Mas, sou como sou, e tenho esperança mesmo quando os horrores persistem, pelo que decidi fazer mais da minha cena:

  • artigos maiores,
  • temas que me cativam e
  • partilhar o que sei e aquilo em que tenho dúvidas…

… na esperança que, quem lê, se identifique com partes desta minha luta pessoal contra a contracção da palavra escrita e da redução da capacidade de atenção para pouco mais do que a de um peixinho dourado.

Estes formatos mais rápidos, menos profundos, envoltos na necessidade de vender alguma coisa a alguém, (seja o que for, a quem for, ao preço que for,) sem qualquer outra intenção que não seja a manipulação dos que vêem os conteúdos, não favorecem a melhoria cultural ou a construção criativa.

Por isso, decidi que o tamanho dos artigos que publico aqui, e a constante auto-correcção, para tentar descobrir como fazer os leitores rumarem a este sítio, — quando eles preferem estar a consumir conteúdos, e tudo o que isso significava para mim, como o trabalho inglório de me expor nas redes sociais, apenas para constatar que a comunidade que me visita aqui, não vem desses sítios, mas da procura directa sobre os temas que escrevo, — não fazia sentido.

Assumo que me deixei levar pela vontade de fazer este blog crescer. Mas, ele foi sempre uma extensão daquilo que escrevo noutros formatos e, não faz sentido para mim, arriscar destruí-lo só porque a ideia de sucesso difere da geral. Uma pessoa que eu possa inspirar na sua actividade criativa conta como uma vitória para mim.

Nos últimos meses, escrevi uma série de artigos neste blog, todos sobre temas que me interessam. Reuni uma quantidade aceitável de recursos, e de ferramentas, para a minha construtora criativa interior, que vou continuar a partilhar convosco.

Tomei algumas decisões, de carácter mais formal, como auto-publicar um dos meus contos na data de aniversário do blog. Comecei a trabalhar no livro de contos que ando a construir há uma série de anos. Redescobri alguns dos meus temas e construí a minha versão de estilo em torno de tudo aquilo que me sinto inclinada a escrever.

A criação de uma newsletter no Substack

Pois é!, decidi dar continuidade ao Substack. Por isso, convido-vos a visitar a Intaglio Words e a lerem um pouco do que escrevo por lá.

Dei início a uma publicação mais regular nesta plataforma, em https://substack.com/@sarafarinha . Estes textos são em Inglês e contêm uma série de ensaios criativos sobre a vida e a escrita.

O projecto está, ainda, na sua fase inicial pelo que se quiserem apoiá-lo é rumarem a Intaglio Words e subscreverem a newsletter que, decidi que terá uma cadência de publicação semanal, incluindo duas variedades:

  • os Writing Snippets – Short snippets on life in creative writing form;
  • e os ‘Readerly vs Writerly’ Essays about the Craft of Writing.

Espero que me visitem, e subscrevam, por lá. Sugiro começarem por Writing it down, que acho adequado ao tema do presente artigo.

Um conto publicado

No aniversário do blog, decidi publicar o conto Tudo se vai no Outono‘. Podem ler o artigo de anúncio aqui e o conto aqui ‘Tudo se vai no Outono‘.

Sobre este conto: Um curto texto com algo de sombrio e, com uma resolução que, não sendo para todos, acho que nos faz pensar sobre os nossos próprios sonhos perdidos e a  vivência de rotina. Um conto que pretendi que fosse uma chamada à vida e um alerta para os sacrifícios que escolhemos fazer.

Leiam ‘Tudo se vai no Outono‘, sem custo, numa das plataformas de leitura à vossa escolha SmashwordsAppleBarnes & NobleFableKoboThaliaVivlio. E, deixem uma opinião no Goodreads ou nos comentários a este artigo. Ajudava imenso. Obrigada!

Pesquisa para uma possível história

Há vários anos, que tenho em mente uma história, sobre a qual não vou entrar em detalhes aqui. Com o tempo fui encontrando imagens, ideias, pormenores imaginados, e reuni-os para apoiar um primeiro esforço no desenho de uma história.

Mas, a pesquisa para uma possível história é um processo que se apresenta adequado a cada projecto escrito. Não há um molde que serve todos, nem se restringe à fase inicial do processo, mas em momentos específicos, ou nos momentos em que sou atingida por um raio de descoberta. Não há hábitos que agrilhoem a criatividade quando a tarefa é imaginar uma história.

processos que utilizo para escrever, e este projecto nasceu com uma componente visual muito forte, porque o tema adequa-se a isso e… mais não digo.

Revisão de um livro de contos

A ideia de organizar um livro com os meus contos, tem-me acompanhado desde sempre ou, pelo menos, desde que decidi começar a escrever contos com regularidade. Consigo datar os meus esforços, neste formato, desde 2012 com o meu próprio ‘Short Story Writing Challenge 2012‘ que inaugurou a comunicação sobre a minha escrita de contos.

Os contos servem para explorar técnicas de escrita específicas, para descobrir personagens, para trabalhar o Mostrar, e o Contar, entre outros exercícios criativos. Assim, procurei manter uma prática regular de escrita de contos, e minicontos, que pretendo, agora, rever e agrupar para um projecto específico. Mais novidades, a seu tempo…

Alguns poemas

Tenho sempre um caderno onde escrevo poesia avulsa mas, algures nos últimos seis anos, decidi escrever poemas sob uma perspectiva específica. O realismo mágico do escritor serviu de mote a um primeiro esforço neste sentido.

A ideia de rever estes poemas, para torná-los publicáveis, transformou-se num dos objectivos deste projecto no ano de 2026.

Journaling diverso e habitual

O sistema, tal como o expliquei no artigo Ferramentas para Não Esquecer o que vemos, mantém-se: um calendário diário ou filofaz, um journal ou diário, um calendário prático e um bloco de notas.

Estes são os quatro sítios, onde escrevo, para me manter alerta do que preciso fazer, como, e porquê. Tenho escrito sobre isto aqui, no blog, em variados artigos como:

Journal e Filofaz… pergunto-me

* Estado das Resoluções para 2025… em finais de Janeiro…

Filofax, uma prática de recolha de informação

Imaginar o Sistema Perfeito: Apontamentos Criativos

A experimentação de ‘rapid logging‘ ou Registo Rápido

No início de Junho senti-me como um peixe fora de água quando, por mais que a boca abra, não consegue respirar. Chama-se ansiedade, confere.

Como este é o momento presente, cujas actividades têm uma necessidade premente, um prazo inalterável e consequências para o futuro, fui em busca de uma ferramenta de organização que me ajudasse a controlar isto tudo de uma forma proactiva.

Sim, a necessidade de controlo faz parte da ansiedade, mas os eventos não desaparecem só porque sim, e o planeamento é essencial para cumprir prazos. Avancemos…

Há umas semanas, cruzei-me com o canal de YouTube Rachelle in theory e, mais especificamente, com o vídeo The Easy Way to Eliminate Distractions. Pelo título não diria que seria muito inovador, mas não foi o que se verificou. Nele encontrei uma ajuda para a confusão. Inspirado no “The Bullet Journal Method” de Ryder Carroll, este vídeo apresenta uma estratégia que me permite canalizar as dezenas de pequenas informações essenciais, que estão em constante actualização, e/ou precisam de acção da minha parte, ou do contributo de outros, cuja responsabilidade em fornecer respostas, de alguma forma, depende de mim.

A ideia por trás do Rapid Logging, ou Registo Rápido, que não vou explicar aqui em pormenor (sugiro que vejam o vídeo para isto), assenta no registo algo compulsivo de tudo o que são ideias sobre acções, actividades, desejos, afazeres, apontamentos, ideias com que lidar…

Temos um pensamento sobre algo que precisamos fazer? Vamos ao caderno de registo rápido e escrevemo-lo. Temos actividades a cumprir? Apontamos. Datas a relembrar? Registamos. E, por aí fora.

Como criámos uma espécie de Chave, ou um código de símbolos para as diferentes actividades/ideias/tarefas/notas, catalogamos essa informação e lidamos com uma responsabilidade de cada vez, à medida que os prazos, e a necessidade, ditem.

Possuo, agora, uma colecção de páginas com informação essencial que foi tratada e arquivada, e que deu origem aos próximos passos.

Este sistema, ajudou-me a lidar com o impacto inicial da grande quantidade dos pormenores operacionais e a separar o que era, de facto, importante e urgente, daquilo que era não urgente, adiável ou delegável.

E, é isto!

Estes foram os projectos escritos, que tomaram a minha atenção, nos primeiros seis meses deste ano de 2026.

A maioria irá transitar para o semestre seguinte e, tenho a certeza que, mais irei adicionar, resolver ou subtrair. Fiquem comigo para acompanharem o que se segue.

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Sobre a imagem ‘Show Me The Monet’, de Banksy, podem saber mais aqui… Está uma reprodução em exibição no Museu Banksy em Lisboa.

***

Obrigada pela atenção e peço que deixes as tuas ideias e sugestões, nos comentários a este artigo. E, agradeço-te por isso. Também, todos os comentários são analisados, antes de serem tornados públicos, e tendo a responder ao fim de uns dias.

Agora, deixa-nos um “Olá” e/ou uma opinião construtiva.

Desejo-te uma semana criativa.

Obrigada e Até Breve!

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