Journal e Filofaz… pergunto-me

Olá a todos. Sejam bem-vindos a esta [pausa de Domingo].

Nesta [pausa de Domingo] faço um curto comentário à prática de ‘journal‘, e do método ‘filofaz‘, que me encontro a utilizar (chamam-lhe rings). Faço-me perguntas sobre esta prática e as suas necessidades, em alinhamento com as minhas necessidades práticas e criativas.

Como parte desta família de Construtores Criativos, partilho convosco algumas das minha iterações sobre esta prática, e convido-vos a explorar o tema comigo.

filofaz covers
À esquerda, o arquivo das folhas de fevereiro e março (capa transparente, até encontrar uma opção melhor). À direita, o filofaz de abril e maio, na sua capa de imitação de pele castanha.

Journal e Filofaz

Na minha paixão por tirar apontamentos (sempre na tentativa de aparentarem estar direitinhos, ou a minha veia perfeccionista implode), e fazê-los acompanhar-se de imagens relacionadas, coloco-me algumas questões sobre esta prática.

O que gosto eu de escrever sobre? Foi a primeira questão.

Isto porque noto que, por exemplo, escrevo bastante quando estou a tentar pensar num assunto e encontrar soluções, ou outras iterações para um problema ou ideia. No entanto, se falamos num Diário, no sentido original da coisa, é um forte ‘não!’

O filofaz não me fez apreciar mais a prática de ‘diário’.

Apesar da secção ‘diário’, à qual chamo ‘journal’ no meu ‘filofaz’, ser populada por contemplação/resolução de problemas, a verdade é que a minha tendência é para incluir os assuntos mais práticos, no meio das referências que ando a investigar no momento. Por isso, diz que encontramos entradas em que a vida de Renoir é mais relevante do que a minha na porção de ‘diário’ da semana.

diary spread
Exemplo de uma página do diário, fortemente editada, claro!

Renoir, tenho a certeza que tiveste uma vida mais dedicada à tua arte… enquanto, eu ainda luto com isto.

Claro que, a seguir, vem a secção ‘worknotes‘ que reúne uma miscelânea de referências provenientes de materiais vários e, muitas vezes, acabo com dificuldades em discernir esta parte da anterior (o diário).

Na secção ‘commonplace book‘, volto a misturar referências, com opiniões sobre texto e ideias para perseguir.

É como se cada parte tivesse um objectivo específico, mas que acaba por se misturar numa unidade que se alimenta a si própria, e que cresce desta forma.

O que, para mim, está bem assim.

weekly spread
Uma página semanal, com registos de actividades importantes. As newsletters são integradas, em A6, a cada semana.

Mas, no objecto filofaz, onde coloco o que me inspira?

Em termos de imagens, e de inspiração referencial, a verdade é que gosto de ilustrar a semana, nos seus diferentes spreads de praticalidades diárias, com as referências dos últimos dias.

Gosto do aspecto mas, sinto que separo as partes práticas, que pedem mais decoração, das partes mais construtivas, em que reúno e escrevo sobre o que li/vi.

E, nos spreads em que deposito ideias… não há forma de tornar visualmente apelativo uma página de confusões. Uma ideia é, por vezes, apenas (e só) uma palavra. E, até ser integrada em algo, é essa palavra que é anotada.

Portanto, coloco o que me inspira, em certas páginas, enquanto outras ficam, desoladamente, desprovidas de decoração.

to do list
A ‘to do list’ que é feita para os dias em que sinto ser necessária… por motivos vários que não apenas registar o que tenho para fazer, mas o que faço que é importante de uma forma diferente.

O que é informação relevante?

Ontem, percebi que, mais uma vez, tinha ignorado o registo continuado de informação importante porque, mais uma vez, é difícil lembrar-me de manter o formato digital actualizado.

É difícil manter o registo digital actualizado!! mesmo se carrego o telemóvel para todo o lado, excepto para dentro de água!

Não sentem que estas coisas são o pináculo da contradição dos nossos tempos?!? Eu, sinto. Está sempre `a mão e, no entanto, esqueço-me de utilizar.

Se a app ‘Health‘ só me avisa, não sei quantos dias depois, que há info em falta, como vou manter a informação correcta? Não há qualquer realidade em que eu me lembre de certas coisas. Já não há! Mesmo que seja gigante e importante.

Os grandes mestres também se esqueciam de comer e lavar os dentes… não que me esteja a comparar. Eu sou só esquecida…

references log
À esquerda, uma das páginas feitas após a visita ao Museu Bordalo Pinheiro. À direita, o ‘reading log’ do livro “O Conde de Monte Cristo’.

Mas neste exemplo em particular, refiro-me em específico à menstruação (homens, tapem os olhos!, mulheres, estão livres de não compreender como posso esquecer-me de algo tão inevitável!).

A verdade é que, não sei se é uma realidade tão brutal que não posso mantê-la no cerne das minhas preocupações… ou, não irei conseguir pensar em mais nada, senão o quanto me dificulta a vida. Ou se, a dificuldade em me lembrar de certas coisas (em oposição com relembrar-me, em demasia, de outras… palavra por palavra), e aquela sensação geral de esquecimento, mesmo quando são assuntos importantes, é algo que tenho de aceitar.

Talvez seja um misto das duas…

A verdade é que, ontem, olhei para a questão e pensei: eu devia estar a dar uma atenção mais focada a este tema. Afinal, não é que precise ter cuidado com o tema! Nãoooo!!!! Trombocenas e coagulopatiocenas não são relevantes. Nãooo!!! 

Assim, criei um calendário dedicado à coisa ,e recuperei a informação porque, apesar de ser uma apontadora da treta na app, no journal fui registando o que me incomodava a cada momento.

Ontem descobri que, informação relevante, por vezes, esconde-se atrás da irrelevante. Porque relevante e complicada, muitas vezes, caminham de mãos dadas.

artigo Book of night
Alguns artigos do blog são articulados com outra informação, já existente, e colocados no filofaz. As referências são importantes manter de uma forma coesa e visual.

Continuo convicta que o filofaz veio melhorar as minhas práticas?

Sim. Mesmo se me toma tempo, a verdade é que é uma ferramenta indispensável à minha organização mental, prática e criativa.

É um sistema prático, porque posso adicionar páginas pelo meio sempre que preciso. E, garanto que tenho as referências importantes sempre à mão, sem ser preciso calcorrear todos os cadernos de notas sem qualquer organização.

E, é um gosto virar as páginas que imaginei e sentar-me, metaforicamente falando, com o que vi, li, pensei e aprendi.

commonplace book spread
As páginas de ‘commonplace book’ incluem temas variados e cruzamentos de diferentes referências artísticas.

Não é a primeira vez que me surge uma ideia importante para ‘The Shapeshifters’. O filofaz tem sido uma ferramenta indispensável à minha escrita.

Um convite à partilha

Como organizam os vossos assuntos? Separam as praticalidades da vida diária dos cadernos de apontamentos? Usam agendas virtuais? Em papel? Ambas? Confiam nas apps para isto? Quais? Integram assuntos? As vossas artes figuram nos vossos calendários?

Partilha connosco como organizas a tua [vida criativa] e incorpora as ideias que se aplicarem a ti, e à tua realidade.

Obrigada e Até Breve!

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