Mostrem-me onde fica o Off

Eu não sei desligar o botão. E eu sei que não o sei desligar, o que torna as coisas ainda mais complicadas. Aquele botãozito pequenito que corta a corrente quando o quadro eléctrico está prestes a incendiar-se. Sabem qual é?

A atenção dividida é uma prerrogativa que nos assiste, que faz com que a maioria das mulheres desempenhem várias tarefas ao mesmo tempo. Faz com que nos sobrecarreguemos de actividades. (Acumular actos confunde o Corpo.)

Mas não é só de actos que a vida é feita, e por isso toda a bagagem emocional que nos acompanha no dia-a-dia, recusa-se a sair de cena quando usamos aquela nossa capacidade de pensar em várias coisas ao mesmo tempo. (Acumular pensamentos confunde a Mente.)

Particularmente desgastante é quando vivemos num turbilhão emocional. Os nossos sentimentos para com várias pessoas, temas ou acontecimentos, caiem-nos em cima e simplesmente recusam-se a sair, não nos permitindo respirar. (Acumular emoções confunde a Alma.)

Invejo aqueles que não acumulam este tipo de coisas. Que cada dia é um admirável mundo novo, cheio de experiências novas, nem todas boas é certo, mas todas elas encaixáveis no seu percurso.

E há ainda os que acumulam parcialmente. Esses normalmente queixam-se de não poder fazer isto porque têm de pensar naquilo, mas não são sobrecarregados por pressões emocionais acrescidas. Vejo-os sim a sofrer por um tema, e depois arquivam-no numa das suas prateleiras mentais e escolhem não o mostrar a ninguém, chegando mesmo a esquecê-lo por completo.

Eles devem viver duma forma mais solitária do que os que escolhem partilhar e sobrecarregar-se de temas emocionais. Mas não passa despercebido que, é mais simples viver assim.

Pessoalmente não consigo encontrar o botão que me permitiria algum desse afastamento. Chamem-lhe frieza ou capacidade de encaixe, eu chamo-lhe todos os nomes feios do meu vocabulário, e mesmo assim não o encontro. Tudo o que compõe o presente é (ou tem potencial para ser) um peso constante. E todos nós vivemos com a noção de que a abordagem ao tema pode modificar uma situação por completo e redistribuir o peso de outra forma. A única questão é, quanto peso consigo distribuir por entre os músculos desta fraca figura que sou? Culpa da falta do dito botão.

Seria tão bom poder desligar a cacofonia de pessoas, situações, emoções, pensamentos, e poder dedicar-me a um tema de cada vez. Todos os dias me relembro: “Não quero voltar aí.” Recuso-me a voltar à sobrecarga mental, recuso-me a recorrer à apatia para gerir excesso de informação sensorial. Não vou voltar aí… E não vou por aí

Alguém sabe onde posso encontrar o botão que desliga a corrente? Eu procurei, juro…

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Deixem aqui os vossos comentários ou enviem e-mail para: sara.g.farinha@gmail.com

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