A curiosidade como fonte de… tudo

pausa de domingo

No fundo, sei que sou uma pessoa que gosta de respostas. Gosto de saber o final de algo. Tenho de compreender os motivos, e as justificações, para um particular desenlace do assunto.

Preciso racionalizar, de alguma forma, o que acontece.

Sei que preciso abraçar as respostas de que não gosto, se forem verdade. Sim, sei que a verdade é sempre relativa (não importa). Preciso sentir que tenho algum controlo sobre os processos para não atribuir os acontecimentos à sorte ou ao carma.

Desde o início da minha idade adulta (tive disso?!?) que procurei compreender como funcionava toda esta cena do processo criativo. Há anos que procuro compreender o que os outros pensam sobre o assunto, como o vivem nas suas realidades diárias, e o que eu posso fazer para aprender com eles, e ajudar-me a largar o lastro da síndrome do impostor (isto é real, minha gente!).

Até àquele ponto da minha vida, em que voltei o olhar crítico para a minha pessoa, criava porque tinha prazer nisso. Não porque necessitava de ver uma finalidade naquilo que estava a criar. Não porque queria atingir este, ou aquele, propósito. Não porque era o passo, mais sensato a dar, a seguir.

As minhas artes saíam da minha cabeça, através das minhas mãos, porque eu gostava.

Escrevia. Cantava. Tocava guitarra. Pintava. Escrevia poesia. Desenhava nas margens dos livros. Bordava. Cosia. Fazia roupa para bonecas em papel… e, basicamente, tudo o que me parecesse divertido. Bolos de lama, e rebolar em areia para construção, incluídos.

Fazia tudo isto durante os tempos livres, após escola, e trabalhos de casa, sem qualquer sentimento de culpa ou indecisão.

Depois, deixei o lado criativo do cérebro ser assaltado pelo lado racional. E, que confusão que aquilo se tornou.

Há toda uma parte, mais racional, que nos serve de âncora para a nossa criatividade. E, a verdade é que, quando construímos estas dificuldades, verdadeiras barreiras físicas, ao acto de pegar em qualquer coisa criativa para fazer, estamos a negar-nos os momentos de prazer e descanso e estas actividades nos proporcionam.

É verdade que os melhores gestores monetizam melhor as suas actividades criativas. É verdade que os mais racionais conseguem ver melhor o caminho por onde devem seguir (onde está o público-alvo). É verdade que, aqueles que vêem como fazer arte para consumo de massas, têm mais hipóteses de sobreviver da sua produção artística.

Mas, a maioria de nós é criativo porque se sente inclinado para tal. Porque sente-se bem quando cria alguma coisa. Porque imaginar e combinar são actividades que o desperta para apreciar o momento em que está envolto nas suas artes.

E, não há nada que nos impeça de juntar, ou tentar juntar, o extraordinário à arte utilitária que criamos. Só nós próprios nos impedimos.

Somos a principal barreira a manter uma prática criativa diária. Dificultamos o acto de seguir os nossos instintos. Bloqueamos a nossa intuição. Desistimos de perseguir algo que nos provocou curiosidade. Deixamos minguar o alimento que nos sustém como criativos.

Sermos pesquisadores em benefício próprio é a única forma de recuperar a curiosidade e, por sua vez, a criatividade.

Coloco perguntas e tenho curiosidade sobre as respostas. Mas, por vezes, não sinto vontade de ir em busca das verdades que me salvam.

Por vezes, uso injecções instantâneas de inspiração. Por vezes, procuro ritmos de vida que me mantenham motivada. Por vezes, dedico-me a práticas que me mostram qual é o meu caminho.

Por vezes, fico só desanimada, e pouco produtiva, e muito triste.

Se toda a vontade, e dedicação às artes, viesse em forma de vício, o acto de criação seria mais imediato, mas nunca mais fácil.

Como a maioria de nós não está disposto a abdicar da vida, e ser como Van Gogh, precisamos encontrar outros modelos mais saudáveis. Artistas que, dedicando-se de coração às suas artes, procuram ser os melhores todos os dias, em cada ínfima parte daquilo que é a sua produção artística. Em cada projecto que imaginam e executam. Em cada peça que moldam, desenham ou descrevem.

Sou uma pessoa que gosta de respostas. Que tem perguntas. Que se mantém em busca das ideias que podem ajudar a imaginar algo.

Podia ser mais curiosa. Por vezes, não sinto que seja. Podia ser mais dedicada. Por vezes, não me sinto obrigada a tal. Mas, o que eu podia mesmo ser era menos crítica comigo própria. Só isto, já ajudaria imenso nas minhas pesquisas.

E, como hoje é dia de pausa (sintam-se livres de reler este artigo nos vossos dias de pausa efectiva) sugiro-vos que procurem estimular a curiosidade.

Uma só palavra. Um só risco. Uma só frase. Um só objecto… investiguem qualquer coisa sobre qualquer coisa… comecem pela raiz etimológica da palavra Arte, por exemplo… ou qualquer outra coisa, pela qual sintam curiosidade…

e, entretanto

Boa Pausa de Domingo.

***

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