Assoberbadamente Criativos

criatividade

Aviso: Este artigo contém algumas ideias sobre sentirmo-nos assoberbados, responsabilidades, e a inspiração criativa que nos pode salvar destes estados de alma esquisitos.

Como nos diz o tema deste mês, do Desafio Criativo ‘As 12 Leis do Carma’:

Devemos assumir a responsabilidade por tudo o que temos na vida.

Por tudo o que temos, não temos, fizemos, sentimos…

Somos, activamente, responsáveis por tudo o que trazemos para os nossos dias, seja por escolha activa, por aceitação passiva, por ignorância inadvertida ou por recusa agressiva. Isto dói um pouco, não é?!

Mas, este artigo não é um discorrer sobre a Lei da Responsabilidade. Guardei o espaço para isso no decorrer do Desafio Criativo.

Este curto texto, pretende ser uma conversinha motivacional sobre um estado de espírito que nos pode tocar a todos e, como diz aquela célebre frase, se mudarmos a forma como olhamos para algo, esse algo muda… talvez esta forma de nos sentirmos assoberbados seja transmutável para sentirmos-nos inspirados.

If you change the way you look at things, the things you look at change. – Wayne Dyer

Sentir-mo-nos Assoberbados é algo difícil.

Conheço demasiado bem a sensação e sei que isto acontece de forma, mais ou menos, permanente quando somos sobrecarregados, de forma constante, durante um longo período de tempo.

Infelizmente, a quantidade, e qualidade, de coisas que trazemos para executar na nossa vida diária, tornam-nos propensos a este estado de alma. Muitas vezes, acreditamos que nada podemos fazer para aliviar nossa carga (de trabalhos).

Quando nos sentimos puxados em mais do que uma direcção, a ter de responder a uma série de responsabilidades e desafios em simultâneo, sem compreendermos bem como podemos resolver algumas dessas situações de uma forma satisfatória, a trama adensa-se.

Somos responsáveis por tudo o que trazemos para a nossa vida e, com a sobrecarga de papéis e as complicações diárias, acabamos a fazer, e dizer, coisas que, noutro momento qualquer, menos assoberbado, não o faríamos.

Há um artigo muito interessante, de Alice Boyes (psicóloga clínica e escritora), na Harvard Business Review, sobre os ‘5 erros que cometemos quando estamos assoberbados‘, que vale o tempo de leitura.

Quando alocamos uma boa parte do nosso tempo livre a perseguir uma actividade criativa (um sonho), em cima do trabalho dito normal, muitas vezes, sem resultados visíveis que nos inspirem a dedicar-lhe mais tempo, a sensação de Assoberbamento, Sobrecarga, Confusão ou Opressão pode tornar-se mais forte.

Afinal, queremos fazer isto, mas temos de fazer aquilo. Ou, sentimo-nos mal por perseguir actividades que outros consideram frívolas. Ou, se dedicamos tempo a algo criativo, não estamos a rever o calendário para amanhã, passar a ferro ou limpar a cozinha (ou o que quer que seja que nos atormente no momento).

‘Assoberbado’ tem outros significados.

Interessante (pelo menos para mim) é que ‘Assoberbado’ também significa Maravilhado, Inundado, Emocionado, Arrebatado e Espantado, sendo palavras com uma conotação muito mais positiva, e com significados que potenciam a transmutação do termo ‘assoberbado’,

Sentir-se maravilhado, emocionado, inundado (cheio), arrebatado e espantado, são sentimentos que podem aparecer quando estamos em pleno processo de criação de algo… também conhecido por estado ‘Flow‘.

São sentimentos bons, que experienciamos, enquanto praticamos uma actividade de forma presente, consciente e focada.

flow

Tive um (ou três) exemplo disto, na semana passada, confeccionei  três bolos de aniversário cá em casa, com decoração temática incluída… para vinte pessoas.

Dizer que me sentia assoberbada é uma descrição exacta, mas procurei desligar de tudo, nos momentos em que me dediquei à actividade.

Tinha um plano, um horário, os materiais e as ferramentas. Estava tão preparada quanto me era possível… mesmo que não me sentisse, absolutamente, segura. Era importante para mim não estragar a festa de aniversário da miúda com um bolo mau, torto ou deficiente de outra maneira qualquer.

Segui receitas, estive presente para as decisões fulcrais do processo (nada de atenção dividida), e apreciei o trabalho criativo que é decorar um bolo. Acima de tudo, procurei levar o meu tempo a fazer as coisas em que tinha menos destreza ou prática.

Ficaram perfeitos? Claro que não. Não há nada perfeito. Mas ficaram gostosos, e decorados no tema com uma quantidade razoável de sucesso e, o mais importante de tudo, ela adorou (e outros também).

bolo de chocolate
Os bolos e as borboletas

Lidar com ‘Assoberbado’

Sinto que, para desligar o estado ‘Assoberbado’, há a necessidade de procurarmos um espaço de satisfação pessoal. Uns momentos enquanto estamos entregues às nossas actividades criativas que, por sua vez, nos servem num processo constante de recarregar baterias para as restantes actividades.

É preciso encontrar aquela corrente de inspiração que nos permite apreciar o momento tal como ele é, usando toda a nossa atenção, e focando na parte divertida (=criativa) da actividade.

Procurar escrever, pintar, desenhar, compor, ilustrar, cozinhar… com verdadeiro foco e satisfação pessoal. Não é esperar que a inspiração nos atinja, tipo raio fulminante, mas ser constante e satisfatório nas nossas práticas criativas.

Não pretendemos colocar mais essa obrigação no nosso prato de responsabilidades diárias, mas sim associar uma sensação de felicidade, e apreciação, da prática criativa.

São estes momentos que, quando degustados com vontade, nos ajudam a encontrar o equilíbrio que precisamos para darmos o nosso melhor em tudo o que colocámos no prato que é esta vida.

É fácil? Nem por isso. É de sucesso garantido? Claro que não.

Mas, mais uma vez, responsabilizo-me também pelo descanso, pausas e apreciação do que me rodeia, que trago para a minha vida.

Desligar o ‘Assoberbado’ e apreciar o momento é difícil mas, cada vez mais, necessário. Agora, resta-me encontrar as práticas que funcionam para cada ocasião de necessidade.

Querem ler mais sobre práticas criativas concretas? Deixem um comentário neste artigo e tratarei do assunto.

Obrigada e Até Breve!

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Referências:

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