Criar Forma e Função

forma e função

Todas as coisas têm forma e função. A nossa própria existência tem uma forma (corpo) e várias funções (metabólicas, por exemplo).

Forma + Função = Assumir as formas, os contornos, das actividades que praticamos e prestar-se a satisfazer propósitos, a funcionar em direcção a algo.

Matutava no ímpeto criativo que surge nos projectos, aparentemente, mais aleatórios e, porque motivos, uma actividade que poderia ser banal se transforma num pilar de suporte à Vida…

Pensava, igualmente, em como usar o que sei sobre a manutenção da Criatividade, a importância da Criatividade para as Artes, como agilizar os meus próprios processos criativos e as práticas criativas…

Contemplava os contributos destas actividades para o desbloqueio da criatividade…

Neste momento, ou há alguns anos, sofro de grande dependência de Journals. Estes são uma constante em todas as minhas vivências diárias.

bullet journal

Sim, havia sido avisada que os bullet journals podiam causar alterações na forma como vivo a vida, provocando autênticas ondas disruptivas que se propõem a ajudar em tudo aquilo que, até ali, pensava não existir, ou não deter qualquer controlo sobre…

E, só precisei lidar, primeiro, com o meu ódio a Diários… fácil!?!

Tal como a ondulação que se forma quando se atira uma pedra para um lago, as nossas acções têm repercussões no mundo à nossa volta. Cada “onda” influencia o que encontra no seu caminho, o que por sua vez tem consequências. – Ryder Carroll

Algo que me fez despertar, para uma outra forma de uso dos bullet journals, foi a crescente necessidade de relembrar informação, de articulá-la da minha forma pessoal e de a ilustrar visualmente.

Não sendo apenas um método engenhoso para gestão de tempo, com um aspecto estético que me deixa espaço para criar, é também uma certeza de que a minha vida diária possui inputs suficientes daquilo que enche o meu poço criativo.

Mas… voltando à Forma + Função…

bule de chá
Walter Keeler – bules

Matemáticamente falando:

Uma Função é uma regra que relaciona cada elemento de um conjunto a um único elemento de outro. (…) A função determina uma relação entre os elementos de dois conjuntos. – Wikipédia

Uma função permite-nos fazer ligações entre elementos. Um (bullet) journal potencia que recordemos os pormenores dos nossos dias e que estejamos alerta para a criação de conjugações criativas novas. Ajuda-nos a formar relações entre elementos de áreas distintas num sítio que potencia a descoberta de interligações.

Aquela história dos ombros dos gigantes.

sobre os ombros de gigantes

No Design:

“É um princípio do design funcionalista associado à arquitetura e design moderno do século XX.”

A forma segue a função. – Louis Sullivan (arquitecto proto-moderno)

O que significa: “para atender as necessidades gerais da sociedade, o projectista deve configurar a forma a partir da função específica do objeto a ser produzido.”

É preciso saber qual o propósito de algo para se lhe dar a forma exterior/interior necessária. Porque mantenho um (vários) journal? Que aspecto (ou forma) deve ter esse journal para poder servir as minha intenções iniciais?

Em Arquitectura histórica:

For instance, suppose him to set up the marble statues os women in long robes, called Caryatides, to take the place of columns (…). Caryae, a state in Peloponnesus, sided with the Persian enemies against Greece; later the Greeks, having gloriously won their freedom by victory in the war, (…) declared war against the people of Caryae. They (…) killed the men, (…) and carried off their wives into slavery (…) appear forever after as a type of slavery, burdened with the weight of their shame (…). Hence, the architects of the time designed for public buildings statues of these women, placed so as to carry a load, in order that the sin and the punishment of the people of Caryae might be known and handed down even to posterity. – Vitruvius

cariátides
Arquitectura Grega: Cariátides

Função de lembrete sobre erros cometidos, no passado, e suas consequências. O significado da função sendo transposto para a forma escolhida.

Em Informática:

“Uma “função” é uma sequência de instruções do programa de computador, que faz um cálculo com base nos dados fornecidos. Funções são uma forma de conhecimento que pode responder a perguntas (…). Funções mais complicadas podem calcular questões mais complicadas (…). Em suma, as funções fazem um cálculo com base nos dados que você fornece e respondem a uma pergunta que você tem sobre eles.”

Com o tempo, e uma prática regular, com todos os inputs que coloco naquele journal (s), posso efectuar uma análise concreta baseada em dados, em factos que aconteceram, e planear o presente e o futuro com a certeza que a constância é mais eficaz quando se trata de avaliar o que é, de facto, importante.

Os meus dados permitem-me responder às perguntas que tenho. Devo manter esta prática? Ou aquela? Devo alargar horários? Diminuir? Riscar algo da lista?

Formas

O aspecto de algo influencia e é influenciado:

  • Criamos outputs e resultados, baseados naquilo que recolhemos, transpostos das relações que nos permitimos ver.
  • Relacionamos elementos de áreas diferentes e damos-lhes novas formas e significados históricos e culturais.
  • Usamos uma guia para responder a uma necessidade, baseando o que criámos na necessidade de responder ao desafio que nos foi colocado.
  • Usamos a forma física como lembrete de algo que não desejamos esquecer ou que queremos enaltecer.
  • Possibilitamos formas que reúnam dados que nos ajudem a tomar decisões sobre os passos a seguir.
Jun Kaneko
Jun Kaneko

Apesar de vermos a forma como o único elemento importante, porque é o que é visto do lado de fora, não o é. Basta-nos ler um clássico, observar um quadro, apreciar um monumento, todos de qualidade indubitável, e ficamos convencidos que há muito mais conhecimento envolvido na forma exterior daquelas composições.

Todas as coisas têm forma e função. Conhecemos os meandros das nossas (formas e funções)? Criamos usando este conhecimento? Arriscamos algo novo para potenciar a evolução criativa? Relacionamos o que sabemos de forma construtiva?

E, quem não gosta da liberdade de poder rabiscar algo novo? Com desenhos, autocolantes, colagem ou pinturas… ou, apenas palavras…

Obrigada e Até Breve!

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Referências:

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