[pausa de domingo] consumo ou inspiração?

consumo ou inspiração

Há um enorme movimento associado ao controlo do consumo humano.

[Situação que ganhou uma expressão nova em 2022, pós pandemia e com a guerra a decorrer nos limites da Europa, a provocar dificuldades acrescidas nos fornecimentos.]

Os seres humanos sentem necessidades, e procuram acalmá-las, enchendo-se daquilo que podem comprar, ingerir, anexar, cobiçar… o que significa que precisamos exercer algum controlo sobre as nossas necessidades percepcionadas.

Afinal, quem é que precisa de cinquenta variedades de pão/pincéis/papel 90g.? (já se vendessem papel de 80g, 90g, 120g, 150g, uma de cada, era simpático. As minhas necessidades por vezes exigem papel branco de 120g, sem ter de me submeter a uma loja com milhares de outros papeis, que ultrapassam as minhas necessidades).

Grandes quantidades dos mesmos produtos, com diferenças indistinguíveis entre si, não acrescentam valor. Ao invés, complicam a escolha, geram assoberbamento, e provocam a sensação de escassez constante, e de desejos inalcançados.

E, já não falando naqueles que não servem as necessidades, mas que nos são publicitados com o último milagre da evolução humana. Estes atentam à nossa inteligência.

Tudo isto pode acabar por derivar para outras situações e, se não temos cuidados connosco, e com as nossas escolhas, acabamos focados nos milhões de coisas que não interessam (como comprar 5 tipos de papel de aguarela diferentes, antes de começar a pintar), e a esquecer aquilo que nos faz ser, de facto, felizes e produtivos (como aquarelar… mesmo se for em papel de 90g, que poderá, ou não, ficar com um buraco no meio devido à humidade).

[ocorreu-me aqui um filme de 1995, ‘Se7en’, numa representação extrema em contemplação dos abusos que os Homens cometem]

Acho que o Minimalismo deriva deste grande tema social. Sim, como espécie somos muitos, e somos demasiados, para os recursos que possuímos a médio/longo prazo. E, somos… difíceis de contentar, seja lá no que for.

Ouve-se muito sobre o consumo de conteúdos em quantidade. Consumo que, nos dizem ser, gastar tempo como plateia para o conteúdo alheio. Mas, e se não for bem assim?

E se isto for uma forma de conhecer coisas/pessoas novas que, de outra forma, e em qualquer outro tempo da História estariam para lá do alcance dos nossos conhecimentos?

E se consumir conteúdos de outrém for uma forma de encher o poço criativo? Se for uma forma de nos mantermos inspirados? Assim como uma espécie de treinador de ocasião para aqueles momentos em que não sabemos bem como regressar às artes que nos mantêm em harmonia com a vida?

E se contemplar aquilo que os outros criam for uma forma de educação de nós próprios? Se for uma espécie de mentoria para os nossos próprios projectos criativos?

Nestes casos, conseguimos ser criteriosos no consumo?

Ou continuamos a consumir tudo o que aparece à frente, enquanto sacudimos aquela melga que continua a sobrevoar, relembrando que ‘estás a desperdiçar tempo valioso em que podias estar a criar algo na tua arte‘?

Qualquer uma das perguntas pode ser a resposta adequada. Ou uma combinação de várias. No fim, acho que tudo depende daquilo que acreditamos, das nossas escolhas, e do que fazemos com aquilo que aprendemos, e com aquilo que nos inspira.

Por exemplo, eu não tenho qualquer formação formal em pintura. Nada para além da experiência de anos a criar objectos de que gosto. Há uns anos, subscrevi umas aulas online com esta senhora, Kellee Wynne… aprendi muitas coisas e relembrei outras… inspirou-me a criar outras coisas e a usar os básicos da pintura para as minhas artes manuais (tenho muitas imagens dos diferentes projectos aqui…). Mas, quando penso em criar algo mais específico, tremo e, só penso que não tenho o conhecimento necessário para isto.

Austen girls
Alguns projectos em Mixed Media: Austen Ladies.

Mas, afinal aconteceu-me o mesmo na escrita. A minha educação formal veio da escola dita normal, e do meu gosto em ler e escrever em tenra idade. Não me formei em literatura. Formei-me em aprender por mim própria, naquilo que preciso saber.

É muito mais moroso? Claro! Afinal não tenho o caminho de aprendizagem todo delineado à minha frente. Mas, também nisto, uso o acesso facilitado da actualidade aos vários meios de aprendizagem. E, também nisto, o consumo daquilo que os outros produzem é um meio para fomentar a aprendizagem do meu próprio caminho.

E, sei lá eu se, algum dia serei capaz de converter o que aprendi numa obra que se veja.

Acesso à informação sempre foi poder. O nosso poder é decidir o que fazemos com aquilo que temos à disposição.

E, se há algo que a actualidade tem provado, foi que o jogo pode ser jogado por todos, desde que tenhamos as prioridades no sítio, os sonhos para isso, e a vontade de perseguir o que queremos… e, muito trabalho envolvido.

Exemplos extremos disto são os do costume, os Musk’s, Jobs, e Gates da vida, para mencionar apenas os mais conhecidos. Mas, temos muitos outros exemplos por aí. É só procurar o que eles andam a fazer, e aprender com eles, se possível.

Nas referências deixo-vos alguns recursos que podem seguir. Publicidade grátis, claro!

Obrigada e Boa Pausa de Domingo!

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Referências:

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