‘The Dark Interval’ Rainer Maria Rilke

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Aviso: Este artigo contém opiniões pessoais sobre a morte e a morbidez, uma opinião sincera sobre a obra supra-citada, a ligação a alguma ficção escrita por mim, excertos deste livro e um vídeo muito especial.

Sempre senti uma espécie de deslumbre poético por coisas relacionadas com a morte.

Tenho, inclusive, algumas lembranças esquisitas com isto. Uma delas, explorei neste artigo aqui…

É natural e muitos de nós começam, enquanto crianças, a tentar equilibrar aquilo que sabemos, com o desconhecimento absoluto do que é esta última experiência… ou assim, muitos de nós acreditam que, seja a última experiência.

There is death in life, and it astonishes me that we pretend to ignore this: death, whose unforgiving presence we experience with each change we survive because we must learn to die slowly. We must learn to die: That is all of life. – Rilke

Enquanto que, outros acreditam noutras coisas, que não são relevantes para este artigo em específico. Acredito no que acredito e sugiro que façam o mesmo: acreditem no que acreditam.

Ocorreu-me aquela resposta de Keanu Reeves à pergunta: O que acha que acontece quando morremos? (vídeo aqui…)

Aquilo que nos é desconhecido, e obscuro, exerce sobre mim uma força como poucas outras coisas conseguem fazer. Sim, tenho consciência da morbidez do facto.

Mas, também sei que, encontro a beleza em cada fragmento daquilo que nos alivia, ou poetiza, o sentimento de perda, desgosto e a transformação que a morte exerce sobre os que vivem. Desconfio que o meu amor por poesia vem disto.

E, não esqueço que nem todas as perdas são através da morte, mas todas devem ser vividas, e transformadas em algo diferente. Afinal, também a existência diária nos rouba pessoas e coisas.

After such a great effort there always follows a period of feeling at a loss, not as if one were actually empty but because certain reserves of one’s being have been transformed, spent, and basically become forever unavailable for personal use. – Rilke

Assim, deslumbram-me coisas associadas à morte e, no entanto, não gosto de cemitérios, por exemplo, ou de tumbas em esgotos, por esse mundo fora, ou arte feita de coisas humanas mortas, ou outras coisas que tais.

Aqui, traço a linha divisória entre inspiração poética e morbidez.

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Uma das entradas do Cemitério Pèra-Lachaise, Paris.

Odeio respirar perto de um cemitério. Nem o Père-Lachaise, ou ver a campa do Jim Morrison, me aliviaram deste sentimento. E, atenção, desde miúda que quis visitar o local. Quando lá fui, só pensava em sair dali…

Por isso, acho que posso dizer que, comigo, a morbidez tem um limite.

No entanto, a morbidez em ficção não o tem. Ocorre-me um conto que escrevi para o F&C há uns anos… deixo a hiperligação para ‘A dança sagrada’. Este conto está também disponível para download grátis aqui…

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Sobre ‘The Dark Interval’ de Rainer Maria Rilke

Este livro puxou-me com o subtítulo: cartas sobre perda, desgosto e transformação.

E, apesar de tudo, é um repositório de Esperança nas situações mais difíceis da vida.

We have been tasked with nothing as unconditionally as learning on a daily basis how to die. But our knowledge of death is enriched not by the refusal of life. It is only the ripe fruit of the here and now, when seized and bitten into, that spreads its indescribable flavor in us. – Rilke

Tendo sido, favoravelmente, influenciada pela primeira leitura de uma obra de Rilke, pelo famoso Letters to a Young Poet, não descansei enquanto não adicionei este segundo livro à minha biblioteca.

‘Letters to a Young Poet’, que adorei, (podem ler a opinião completa aqui…) e aconselho a todos aqueles que equacionam uma vida criativa, qualquer que seja o meio de expressão utilizado (escrever, pintar, esculpir, compor, filmar, fotografar, design, e tantas outras actividades criativas…).

Death is the side of life that is turned away from us and upon which we do not cast our light: We must try to achieve the greatest awareness of our existence that is at home in both unbounded realms and is inexhaustibly nourished by them. – Rilke

Sou sincera, preciso voltar a ler ‘The Dark Interval’. À primeira volta, identifiquei circunstâncias e pessoas de impacto (recíproco) em Rilke. Mas, sinto que ficou muito por dizer nas entrelinhas. 

Estes são excertos em que vemos respostas que nos deixam mais perguntas. Isto aborreceu-me um pouco.

Jane Austen and Pemberley
Jane Austen

Ocorre-me que me aconteceu o mesmo com as ‘Cartas de Jane Austen‘. Lia respostas e ficava presa na ideia de que tinha sido giro ler a carta que suscitara determinada resposta da autora.

No caso, as notícias poderiam não ter sido dadas em primeira mão, através de correspondência, mas há muitos assuntos que surgem entrecortados e que me deixaram um pouco frustrada com isto.

Sim, de alguma forma acreditei que encontrava respostas, outras respostas, de alguém que parece ter tido a facilidade em se conectar com as pessoas com quem trocava correspondência. Respostas que não encontrei. Não daquela forma de ‘enchem-me as medidas e provocam um deslumbre imenso‘.

I feel compelled to demonstrate that it is one of the great treasures of that formidable Whole of which life is perhaps only the smallest part, even though life is already so rich on its own that it surpasses all of our means and all of our measures. – Rilke

Mas tem muitas palavras inspiradoras, variadas imagens que nos colocam em modo criativo, múltiplas chamada de atenção às quais, em momentos de dor profunda, podemos acorrer para algum socorro.

Leio alguns excertos no vídeo do VLook desta semana:

Tem muitos sentimentos, que preciso reler e ponderar, para tentar compreender de uma forma mais completa.

… there are later periods when physical suffering basically remains the only example of intensity for us, because life otherwise mostly  leads us to distraction. – Rilke

Uma leitura que aconselho, seja qual for o motivo para a encetar: aceitar a morte, compreender a vida, lidar com o desgosto, apaziguar a perda, imaginar a transformação, aceitar o desvio…

Fico, ansiosamente, à espera de poder deitar a mão ao meu próximo Rilke.

Obrigada e Até Breve!

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Referências:

Recomendam alguma leitura em especial?

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Obrigada e Até Breve!

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