Recursos do Escritor: Escreves sobre o que é importante?

Ninguém nos ensina a preocupar-nos com algo. Este é um sentimento que, temos ou não temos, perante determinado tema. Não há forma de mentir sobre isto. Ou é importante para nós, ou não é.

Quem lê também sofre desta dicotomia: importante ou irrelevante?

Construir uma história é usar aquilo em que acreditamos, expondo numa narrativa alguns dos princípios que nos regem e alguns daqueles que abominamos.

Escrever, usando tudo aquilo que é importante para nós como pessoas, significa agarrar o leitor que se identifica com os nossos valores e ideias. Mas também podemos escrever valorizando outras crenças que, podem ou não, corresponder àquilo em que acreditamos.

Ver-me, de certa forma, reflectida numa história capta a minha atenção. Determinados géneros de histórias, de personagens e de conflitos, cativam-me. Logo, e isto é uma opinião muito pessoal, o eu-autora deve agradar ao eu-leitora. Quando relêem o vosso trabalho, apaixonam-se? Ou não se identificam com o que escreveram?

Mas para usar as minhas crenças na minha escrita, tenho de me conhecer. Posso compilar ideias, analisar aquilo em que acredito, em oposição ao que acho que deveria ser erradicado do mundo e devo responder a algumas perguntas sobre mim. São essas crenças que devem ser transformadas em histórias, pois são elas que agarram os leitores.

Crenças são temas que podemos usar ao criar um enredo. São os desafios que colocamos às nossas personagens, os dilemas que eles próprios terão de resolver. Construir uma história baseada naquilo que é importante para nós significa: saber exactamente daquilo que se fala, porque para nós o tema é recorrente e, saber exactamente, para onde a história se dirige, porque acreditamos que o final deve ser dessa forma.

Crenças são âncoras das nossas criações. Boas âncoras estabilizam o barco. Más âncoras fazem-no andar à deriva.

Umas perguntas que nos devemos colocar e às quais devemos responder sinceramente:

O que é importante para mim? No que acredito?

Na justiça? No amor? Na amizade? No desprezo? Na revolta? Na traição?

O que receio? O que amo? O que tolero? O que abomino?

O que desejo obter? O que estou disposto a sacrificar para obter aquilo que quero?

Conhece-te a ti mesmo e apresento-te o teu autor interior, carregado de ideias e de opiniões capazes de abalar o mundo. (E passível de o mudar.)

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