Uma fórmula para bem Escrever?

saber escrever

E, quando nos convencemos que, sem uma fórmula, não sabemos escrever?

Começo por reafirmar que acredito que devemos aprender de forma constante. Se lêem este meu cantinho há uns tempos, já devem ter apanhado que, por circunstâncias diversas, sou adepta do auto-didatismo.

Não significando ser contra a educação formal em qualquer assunto. Pois, sabemos que muitas profissões existem, que não podemos desempenhar, aprendendo em modo auto-didacta. Mas, em todas elas, que aprendemos formalmente, podemos e devemos ser auto-didactas em incorporar um espectro maior dos conhecimentos.

Ou seja, devemos sempre procurar instruir-nos de forma pessoal mesmo se somos instruídos de maneira formal.

auto-didacta
Livros. Haverá melhor repositório de conhecimentos?

Um dos melhores médicos que conheci sempre se distinguiu por nunca parar de aprender Medicina. Mesmo quando a idade nos fazia desconfiar, que ele pudesse estar menos empenhado na prossecução da sua técnica e sabedoria profissionais, nunca tal foi o caso.

E, um médico tem um percurso formal regulado. Sabemos nós que, muitos há que, à pouca inclinação para a profissão, se lhe juntam o escasso interesse em aprender mais para além do formal… Têm de ter um percurso formal e regulado, de facto.

Mas, é esta uma das características que nos distinguem uns dos outros: vontade de aprender.

Pessoalmente, tenho investido boa parte das minhas horas úteis a perseguir formação que me sirva, que me ensine, que me ajude a compreender melhor as ciências, práticas e artes deste mundo. Formal e informal.

write for your life
‘Dead Poets Society’ com Robin Williams

Mas, mesmo com toda a boa-vontade do mundo, considero que precisamos sempre de três coisas:

  1. conhecimento formal;
  2. auto-didatismo;
  3. vontade de aprender em ambas as circunstâncias.

O conhecimento formal proporciona a exposição ao ensino regulado e a mentores do que pode ser a nossa obra futura.

O auto-didatismo permite incorporar conhecimentos diversos, e mentores insuspeitos, que enriquecem a nossa vida e obra.

Vontade de aprender, em ambas as circunstâncias, para que esse conhecimento se integre na nossa consciência e faça parte de nós e daquilo que colocamos no mundo.

José Régio

As desvantagens desta perspectiva?

No conhecimento formal, ficamos limitados àquilo que as instituições determinaram, nos seus programas oficiais, que é digno de nota e aquilo que não é.

No auto-didatismo a confusão, e mesmo impedimentos, que um guia desregrado pode provocar nas melhores intenções de produzirmos a nossa obra.

Na vontade de aprender, quando é regulada por obrigações formais e portanto restritiva, ou desconsiderada quando não obedece a um compromisso externo e somos deixados ao sabor das nossas paixões pessoais.

O único comprometimento de que nos podemos tornar alvos, seja qual for a mistura de soluções que encontrámos para travar a ignorância, é recusar sermos manietados pelas regras.

No ensino formal, vemo-nos presas da opinião de outrem. Somos ensinados algumas regras, e expostos aos exemplos de sucesso, que as excepções de época produziram. Enfiam-nos numa caixa e determinam o resultado aceitável que deve sair desse confinamento.

No auto-didatismo, vemo-nos forçados a procurar mentores em cada “esquina”, sem sabermos bem o que nos melhora e o que nos prejudica.

E, desta forma, aprender transforma-se numa busca contínua pela próxima milagrosa ideia que nos salve da inconstância e da ignorância do resultado de um nosso projecto.

O que acontece quando nos prendemos à ideia de que precisamos de uma fórmula qualquer que nos garanta o sucesso da nossa obra/projecto?

A mim, aconteceu-me o pior. Parei de escrever. Chamei-lhe bloqueio. Juntei-lhe uma série de acontecimentos traumáticos de vida. Fixei-me em aprender sem praticar. Fixei-me.

E, assim continuei, até descobrir este livro aqui…

The Artist's Way
‘The Artist’s Way’ de Julia Cameron

 

Sim, não há milagres que nos salvem a vida… menos ainda, quando queremos ser salvos de nós próprios. Mas, ler e fazer o que vem aqui, colocou-me de volta ao caminho (ao meu caminho).

Sabem aquele sentimento, quando acabam de ler um livro que vos transformou o modo de ver a vida, e não sabem muito bem como continuar depois disso?

Não senti nada disso ao terminar este livro. Não o senti porque este livro, e o que ele me mostrou, não é um fim em si mesmo.

Como escrevi aqui:

Este é um curso, com duração de 12 semanas, que propõe que façamos algumas mudanças bem práticas nas nossas rotinas enquanto nos convida a analisar os verdadeiros motivos dos nossos bloqueios criativos.

Através dele, encontrei um mentor insuspeito. Um mentor que me acompanha há cerca de dois anos.

Nas minhas tentativas de aprender de maneira mais formal, tive oportunidade de fazer parte de uma formação em Escrita Criativa (25 horas), descobri uns cursos literários na Universidade Aberta, na Alison Courses e continuo à procura de outras formas mais formais, a par das informais, de aprender.

Mas, já não procuro fórmulas. Não as há. Há conhecimentos integrados. Há Paixão pela Arte da Escrita. Há conhecimentos fundamentais e muita pesquisa. E, acima de tudo, há muita dedicação e respeito pelas horas que passo a escrever e a ler…

… e, esta é a melhor aprendizagem que existe.

Pergunto…

pergunta

Obrigada e Até Breve!

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