[pausa de domingo] focar no original

música

Durante décadas, a melhor forma de uma banda de música fazer algum dinheiro era, em bares de música ao vivo, tocando versões de músicas conhecidas do grande público.

Isso, ou tocar em casamentos.

Era depreciativo, para um músico que compunha os seus originais, ser visto dependente desse tipo de rendimento. Mesmo que fossem músicos, tecnicamente, melhores que os originais.

Mas, aquele que cria uma obra impregna-a do seu cunho pessoal.

Sim, todos ouvimos os “pregos” num concerto ao vivo, deste ou aquele músico. Ocorre-me um consagrado baterista, de uma das mais conhecidas bandas do mundo, cujo nome não direi. E, nem era preciso ser-se especialmente dotado para ouvir o “prego”, apenas conhecer bem as batidas da música… concertos houveram em que foi quase tudo ao lado!!!

Contudo, ele era um pilar da fundação daquela banda, sob várias perspectivas, e era o criador de ritmos que se provou serem merecedores de sucesso. E, assim, ainda hoje dão concertos e criam música… por esta ordem.

Gente houve que lhe disse que ele não era um baterista de topo? Tenho a certeza que sim. Isso impediu-o(s) de chegar a património da humanidade? Nem por isso.

Trabalharam muito por isso? Sim.

Dedicaram as suas vidas a construir esse património? Sim.

Fizeram os sacrifícios, e as loucuras, que esse sucesso exigiu? Sim.

Vivem com as consequências das suas escolhas? Sim.

E, quem não se sacrificou/alinhou por aquele projecto musical, foi largado pelo caminho. Adaptando um termo náutico, largaram o lastro que não os manteria a flutuar, e em direcção ao objectivo que queriam alcançar: sucesso.

Aqueles que passaram a vida a tocar as músicas do outros, sem conseguir que a originalidade lhes chegasse, nunca passaram de desconhecidos… também me ocorrem uns quantos.

Porque eram os outros que não compreendiam a sua música, ou algo do género. Não era que trabalhassem mais na música dos outros do que na própria. Ou que passassem mais tempo a viver o estilo de vida do que a dedicarem-se à sua evolução musical. Não estou a julgar. Foi o que deu para ser, na altura em questão, por motivos que só a essas pessoas pertencem.

Mas… lembro-me que ficavam muito ofendidos com o que consideravam ser o injusto sucesso alheio.

Por isso, neste Domingo de pausa, façamos como todos aqueles que não permitem que o lastro os leve ao fundo. Só dispõem de 5 minutos para algo criativo? Usem-nos bem.

Não deixem que a repetição monótona dos dias vos consumam os prazeres do trabalho criativo. Tirem 5 minutos, e façam aquilo que sabem que vos vai encher a alma (o poço criativo). Sem compromissos. Sem cedências. 5 minutos apenas.

Se tiverem mais tempo, bloqueiem-no, e usem-no para criar algo. Organizem-se para o vosso trabalho criativo como fariam para outro qualquer.

Mesmo que o resultado não seja o ritmo mais perfeito do mundo. Mesmo que consista, apenas, em marcar no calendário os 5 minutos que podemos roubar ao dia para o trabalho criativo durante o próximo mês. Mesmo que precisemos de um empurrão para começar.

Com este artigo, sintam-se empurrados a começar… ou continuar.

Só o criador pode colocar a sua obra no mundo. Relacionar o que sabe. Contribuir para o património da humanidade. E, só a satisfação do nosso trabalho criativo nos eleva e motiva a continuar.

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2 comentários em “[pausa de domingo] focar no original”

  1. Aprecio estas reflexões e o facto de indicar as fontes. Vale a pena visitar o seu blogue. Aprende-se um pouco mais, na dose certa.

    1. Olá, Helena. Fico feliz por saber que encontra valor naquilo que escrevo, e nas fontes que partilho.
      Obrigada pelo comentário e espero que continue a visitar-nos.
      Até breve!

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