[pausa de domingo] ritmos e rotinas

ritmos e rotinas

Cada um de nós segue uma dieta. Não importa qual o objectivo da dieta. Se pretendemos aumentar de peso, perder peso, manter peso… ou, apenas, não ficar pior do que está.

Fazer dieta significa ter um regime alimentar que nos é próprio.

Assim é a nossa rotina. Cada um de nós segue uma rotina. Não significa levar uma vida aborrecida, mas significa fazer certas actividades de forma repetitiva.

Não é que possamos evitar ir à casa-de-banho, por exemplo, estejamos lá onde estivermos. Há mais repetitivo do que isto?

Por isso o busílis da questão está da qualidade e diversidade das actividades que empreendemos.

Mesmo daquelas pessoas que estão, constantemente, em processo de mudança de localização física, ou de local de trabalho, ou de qualquer outra ocorrência, podemos dizer que essa é a sua rotina.

A mudança é a sua rotina.

E, precisamos de rotinas. Precisamos de encontrar os padrões que nos predispõem a fazer certas coisas, todos os dias, ou na maioria deles. Rotinas são uma necessidade e um conforto. Necessidade porque é aquilo que potencia o atingir de objectivos. Conforto porque é aquilo que nos ajuda a sentir em controlo relativo da nossa vida.

Nesta constante busca pelo sentido das nossas vivências, as rotinas, tal como as dietas, são maravilhosas se as orientarmos para os nossos objectivos pessoais.

Não basta ter uma dieta. É preciso ter a dieta que precisamos, para nos sentirmos bem, e mantermo-nos o mais saudáveis que conseguirmos.

Não basta ter rotinas. É preciso colocar a força das nossas intenções, daquilo que queremos para a nossa vida, nos actos que praticamos todos os dias.

Ahhh, se fosse fácil também eu o fazia, não era?! Não são poucas as vezes em que me sinto assim. Aliás, poucos serão os dias em que, manter rotinas que me ajudem, não são uma luta.

Recordo-me de ser miúda e adorar dormir até mais tarde. Ao fim-de-semana, era um prazer ficar na cama até me arrancarem de lá para o almoço. Na época do Black Album dos Metallica, chegavam a ligar a música aos berros, dentro do quarto. Mas como eu adorava aquele álbum, não me demoviam de ficar na cama, a ouvi-lo… e a fingir que dormia.

Nessa época era miúda, sem grandes responsabilidades, escrevia quando me apetecia. Também me recordo de estar sentada no chão do quarto, aos pés da cama, perto das duas portas do armário que me pertencia, já com os meus cadernos e escassos livros, a escrever letras para músicas e poesia.

Com a idade, deixei de conseguir, ou querer, dormir até tarde. Mau humor, dores de cabeça e cansaço generalizado, para além da sensação de que poderia ter estado a fazer algo útil, são pragas que desejo evitar.

Demorei muito tempo até descobrir rotinas positivas que funcionassem comigo. Porque é mais fácil atribuir tudo ao ‘estou cansada‘ e ‘sem vontade‘ do que ponderar que, se calhar, sinto-me assim porque não fiz o trabalho criativo que me alimenta a boa disposição.

A experiência, à qual recorro sempre que preciso relembrar-me da importância de uma rotina, é a de acordar às 6 da manhã.

Durante o primeiro ano da pandemia, confinados em casa, com uma criança de 4 anos comigo a tempo inteiro, foi o horário das 6 da manhã que me salvou da insanidade.

Eram duas horas, todas as manhãs, só para mim e para a minha escrita. Isto só era possível, porque ela tinha horários de dormir bastante definidos, e acordava por volta das 8 da manhã. Mas foi possível.

Nesse ano, eu não conseguia funcionar ao final do dia! A criança tinha-me levado a energia toda, e mais houvesse. Não me queixo. Cuidar dela, fazer-lhe companhia, acompanhá-la… até as aulas online foram divertidas.

Mas necessitei de mudar a minha rotina, de forma radical, para que as coisas funcionassem. E. foi uma rotina necessária e eficaz. Escrevi um livro e planeei outro, durante esse tempo.

Depois, veio a altura em que acordar às 6 da manhã deixou de fazer sentido e, então, alterei a rotina.

Estas mudanças não são limpas e imediatas. Implicam pensar no assunto, testar opções e muitos desperdícios de tempo, até encontrar outra fórmula que funcione. Mas, é assim que testo, e vejo o que funciona comigo, num dado momento. E, é um exercício de constante afinação.

Neste momento, não posso acreditar que acordar às 7h45 manter-se-á para sempre. Nem que consigo usar as duas horas de escrita entre as 19h30 e as 21h30 para sempre. Mas sei que, sendo necessário, consigo usar qualquer um desses horários… apenas, não em simultâneo.

Cada um de nós segue uma dieta. E, cada um de nós segue uma rotina. Cabendo-nos a nós definir quais aquelas que nos servem melhor.

Significa compreender quais os actos que nos ajudam a sentir que demos significância ao nosso dia. Qual a contribuição que podemos fazer, senão para os outros (porque se estivermos bem connosco contribuímos para o bem dos que nos rodeiam), mas para nós próprios.

Contribuir, seja através das nossas artes, das nossas responsabilidades, das coisas que fazemos todos os dias…

Está tudo bem e corre tudo pelo melhor?!? Não! Não há ilusões neste tema.

O que existe, e no que procuro focar a minha atenção, é a intenção de definir rotinas, práticas, actos que sejam positivos para mim, para os meus, para os meus objectivos.

Vai durar para sempre? Não. E, não importa. Não é esse o objectivo.

Um dia de cada vez. É só o que temos. O agora. O momento. O que decidimos fazer nele.

desejo-vos uma excelente pausa de Domingo!

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