Processos Criativos e o Caos da Criação

processos criativos e cognitivos

Olá a todos. Sejam bem-vindos a esta [pausa de Domingo].

Nesta semana que passou tive um momento — um verdadeiro momento — esquisito. O dia estava a ser difícil, e eu estava empenhada em não me deixar levar pela inércia dos momentos difíceis.

Também vos acontece? Se há algo a acontecer, o melhor parece ser deixar tudo de lado, e ficar a amuar no que se está a passar?

Não gosto, mas é o que me acontece.

Mas, o momento ocorreu quando me chamaram a atenção para o que eu estava a fazer.

Então, naquele momento, eu tinha um audiobook nos ouvidos, um vídeo no monitor, um documento aberto no portátil, e apontamentos para o filofax debaixo do meu nariz.

Ouvi — Isso é tanta coisa!

Era. Eram demasiadas coisas ao mesmo tempo.

Ou seriam?

Olhando para o que estou a fazer, neste exacto momento, talvez seja o meu modus operandi normal: tenho um vídeo a dar no monitor (mas desta vez, tenho os fones nos ouvidos com o som do dito vídeo), estou a escrever este artigo, e continuo com uma folha de filofax à minha frente, à espera para ser anotada…

E, não mencionei o que está fora destas actividades, como tomar conta do que se passa com as pessoas cá em casa… e, entretanto, fui buscar o que comer.

É isto produtividade tóxica, ou atenção dividida sem sentido?

Não sei. Sei que, há muito tempo, que gosto de funcionar desta forma. Demoro bastante a completar tarefas. Nisto, concedo. Mas, há tarefas que são contínuas e que não podem ser terminadas no tempo que tenho para estar aqui, ou que não são para serem concluídas nesse período. Assim como, quando estou a fazer algo e tenho uma ideia, preciso ir tratar de apontar essa ideia, ou executá-la se possível, e tenho sempre esses recursos disponíveis para aceder num instante (antes que me esqueça do que ia fazer!)

Curioso é, isto parece-me uma espécie de descanso: ter várias coisas a ocorrer em simultâneo. Estar concentrada em pedaços de projectos. Estar desligada de outras ideias, porque estou a gastar os meus recursos cognitivos em tudo o que está a ocorrer no momento.

Esta sensação de estar imersa nas *minhas coisas* sossega-me.

Há uns anos, durante um período difícil, recordo-me que estava no cinema e assim que as luzes apagaram, senti que não conseguia ficar sentada, e pôr a minha cabeça a ver o filme. Foram duas horas bastante dolorosas, em que só me apetecia fugir do cinema, e ir ruminar num canto qualquer sobre problemas insolúveis.

Acho que esse foi o expoente máximo do sugar da minha atenção por um só assunto… Infelizmente, não era um assunto agradável, nem composto por um só problema.

De resto, quando penso em estar imersa nas *minhas coisas*, como lhes chamo, (e que incluem: escrever, criar conteúdos, tirar notas, ler online, pesquisar e afins) raramente consigo estar a fazer só uma coisa. E, nos últimos tempos, descobri que gosto de combinar certas actividades que, antes deste momento, não teria coragem para fazer ao mesmo tempo: como ouvir um livro e jogar tetris, em simultâneo.

Lutar contra isto tem sido o meu normal. Aliás, não é a primeira vez que escrevo sobre este assunto no blog. Até aqui prevaleceu a noção de preciso limitar os inúmeros estímulos para me focar em algo; que a atenção dividida deixa passar erros por entre os dedos; que, se estou distraída não termino nada; que isto faz mal… ou faz?

“Que fará, fará…” LOL

Não aconselho a ninguém que se sinta desconfortável com o excesso de estímulos. Aliás, não recomendo nada disto a ninguém. Não escrevo sobre estas coisas para recomendar isto ou aquilo.

Escrevo sobre os meus processos para partilhar a forma como eu funciono e que, se calhar, funcionamos da mesma forma. Ou que, se calhar funcionamos de formas tão diferentes que não conseguimos imaginar a experiência do outro (se assim for, deixem-me um comentário sobre como é a vossa rotina criativa, adorava conhecer as vossas formas de abordarem o trabalho criativo).

E que, no fundo, partilhar isto não faz mal.

Desde que funcione para mim, ou para ti, o que interessa se aquele precisa de silêncio absoluto, ou de pássaros a piar, ou de um concerto de rock a bombar na televisão enquanto escreve, ou de quinhentas abas aberta no computador?

Serve o seu processo criativo para outra pessoa? Servirá para umas e será horrível para outras.

Mas, no fundo, o que importa é: qual é o processo que funciona para ti? Aquele que produz resultados? Aquele sobre o qual recais, inadvertidamente? Aquele que não te custa reproduzir?

E, tem este processo mudado com o tempo? Ou, continuas a pensar se não devias estar a fazer de outra forma? Ou, se o que leste que seria um bom foco, simplesmente, não funciona para ti? Ou, se funciona soberbamente?

O que normal para a aranha é caos para a mosca.

Qual é a tua realidade nos teus processos criativos?

Contemplem, deixem um comentário. Obrigada, meus construtores criativos.

Desejo-vos uma excelente [pausa de domingo]

Obrigada e Até Breve!

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4 comentários em “Processos Criativos e o Caos da Criação”

  1. Não consigo imaginar-me na situação que descreveste. Não com tanta coisa ao mesmo tempo. Acontece, por vezes, estar a escrever enquanto tenho um vídeo a passar ao meu lado, no telemóvel. Ou, aquilo que me parece um péssimo hábito recente: jogar um daqueles jogos de puzzles no telemóvel, enquanto vejo um filme ou série. Mas em qualquer destas situações sinto que estou a viver ambas experiências pela metade. Não consigo assimilar correctamente nem uma nem outra experiência. Já para não falar naquilo que mencionas, de demorar muito mais tempo a completar o que seja,
    As única coisa que não considero que prejudiquem a produtividade é ouvir música enquanto faço outra coisa qualquer (escrever, por exemplo), ou ouvir um audiolivro enquanto realizo tarefas do dia-a-dia. Fora issso, muitos ecrãs em simultâneo são improdutivos para mim, mas se para ti é uma forma de trabalho viável … Força!
    Pessoalmente sinto que a forma como socializamos e absorvemos informação, nos dias de hoje, é propícia a estes estilo de multi-tarefas que só gera stress, falta de atenção e falta de absorção do que estamos a ver / ouvir / ler.

    1. Olá, Ana.

      Pois… não sou sempre assim e, por vezes, tenho de parar e me isolar para acabar o que estou a fazer.
      Noto que este excesso acontece em momentos em que já iria existir outros excessos… acabo por me distrair, para me poder focar no que estou a fazer, ao invés de deixar que a cabeça continue a focar-se no que quer… o que acaba por servir como uma distracção pior do que o excesso de ecrãs.
      Confere! Acho que vai ser difícil fazer sentido com isto, mas de vez em quando é assim que funciono 😀 ou não funciono 😛

      Obrigada pelo comentário,

      Até Breve!

      Sara

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