Alterar o Título?!? Porquê? Não! Arghhh…

alterar o título

Olá! Sê bem-vindo a esta [pausa de domingo].

Hoje, falamos sobre ceder (ou não) quando nos sugerem alterar o título de uma história.

Enquanto andava a planear o próximo artigo desta [pausa de domingo], dei comigo a fazer um scrolling intenso do presente blog, em busca do último artigo congénere (que havia sido publicado a 22 de Fevereiro do presente ano). Já foi há uns tempos… mas, concedo que esta pesquisa me deu ideias.

Esta última [pausa de domingo] continha a sugestão de leitura: o meu conto Tudo se vai no Outono’, e foi o meu presente, para os visitantes deste blog, por ocasião do aniversário deste espaço virtual.

Como os presentes oferecidos não se cobram, podem ler o Conto ‘Tudo se vai no Outono’ a custo zero, aqui… Este é o link no Smashwords, e está disponível para leitura, noutras plataformas como: AppleBarnes & NobleFableKoboThaliaVivlio.

Ocorreu-me que não partilhei convosco uma curiosidade sobre este conto. Este texto foi escrito há uns anos e, na altura, anunciei que ele tinha sido um dos vencedores de um concurso, para publicação de uns poucos contos numa antologia, por uma editora nacional.

O tema era Fernando Pessoa, caso a capa não seja auto-explicativa 🙂 e, passei pelo processo de revisão de texto com a editora, após ser comunicada da decisão de incluir este conto na Antologia.

Processo este, onde recebi um dos melhores elogios à minha escrita, na vertente mais técnica, por precisar de afinações quase residuais em ortografia, que mereceu um comentário do género: “por estes pormenores se nota que tens qualidade na tua escrita”, o que muito me envaideceu.

Vá!, sou honesta, porque não seria normal se não me sentisse bem ao ser elogiada por algo que foi feito, e entendido como feito, de forma correcta.

A piada, já sem muita graça, foi desejarem mudar o título. Ofereceram-me algumas sugestões mas, de facto, o que parecia estar a incomodar era aquele ‘se‘ de  Tudo se vai no Outono’.

Consegui manter a minha posição neste assunto… não que, ao dia de hoje, isso pareça relevante, tendo em conta que a editora deixou de prosseguir com os seus projectos de publicação, e esta Antologia nunca viu o interior de uma gráfica.

Mas, e nisto acho que é preciso ressalvar que, o título não fora escolhido ao acaso. O pequeno ‘se’ era importante para o tema, e para a ambiência do conto. Um ‘se’ denotava um caminho para algures, numa localização indefinida, num tempo que se confunde, e no uso de um símbolo Outonal representativo do que estava a acontecer na história.

Um ‘Tudo vai no Outono’… vai para onde?! Sem esquecer a intensa falta de charme que a ausência do ‘se’ implica e que é, para mim, frustrante.

Não cedi. Suponho que tenha argumentado um pouco sobre os motivos para manter o ‘se’, apesar de pouco me recordar do que transpirou, à época, desse assunto. Apenas me lembro que mantive o título que, de acordo com os eventos na história, e a minha forma de escrever, fazia sentido.

Sei que não podemos, ou devemos, forçar a nossa opinião sobre a dos outros, em especial, em determinados processos que podem ir para além daquilo que acreditamos saber no momento. Ou seja, nunca estaremos conscientes se existem outros motivos para se avançar com determinadas ideias, e bloquear outras, para o texto que submetemos à apreciação de uma pessoa, cujo trabalho é o de representante de uma Editora.

E, evitar certos constrangimentos passa por nós, criadores, que devem fazer as suas pesquisas sobre os títulos que existem, e a possibilidade de escolhermos algo que, logo à partida, vai envolver confusões posteriores.

Se escolhermos um título que já existe, ou que é quase semelhante a outro publicado, incorremos em situações que podem ser desagradáveis, e mesmo impeditivas de sucesso, a curto e médio prazo.

Foi assim que o meu livro ‘Percepção’ acabou com um subtítulo que, ainda hoje, não aprecio… e que foi escolhido na lógica: do mal, escolho o menos mau.

Por isso, faz parte do nosso trabalho, não apenas, escrever o melhor título possível mas, escrevê-lo observando o que se adequa ao texto, e ao meio editorial. Sem perder de vista que ele deve representar a história, ser apelativo, despertar a curiosidade, e fazer antever algo de extrema importância na narrativa das páginas que ele nomeia.

Mas, de vez em quando, ocasiões surgem em que não conseguimos concordar com a escolha feita em nosso nome. Aí, defendemos o nosso caso, o melhor que nos for possível, sem perder de vista a noção que, se calhar, o profissional da área sabe mais sobre a parte prática da coisa do que o escritor, sublimemente inspirado com palavras que são bonitas, soam bem e aparentam perfeição,… ou não.

Continuo a manter a minha escolha de ‘se’ em Tudo se vai no Outono’. Não por teimosia mas, porque continuo a ver a ligação entre texto e sentido. Entre símbolo e resolução.

E, acho que o fiz sem hostilizar ninguém, no processo. O que significa uns pontinhos a meu favor. Pelo menos, pontinhos na minha satisfação profissional.

Agora, vão ler o conto Tudo se vai no Outono’, mais não seja, porque é um tributo a Fernando Pessoa, e requer alguma crença no Oculto e Sobrenatural, algo que era muito próximo ao nosso grande poeta Português. E, porque fala sobre um poeta falhado que, de súbito, se vê cheio de inspiração para voltar a escrever poemas…

Deixem-me os vossos comentários, onde vos der mais jeito. Mas, uma opinião deixada no Goodreads era simpático.

Muito vos agradeço as vossas leituras e comentários. São elas que me permitem continuar a partilhar o que escrevo.

***

Obrigada pela atenção e peço que deixes as tuas ideias e sugestões, nos comentários a este artigo. E, agradeço-te por isso. Também, todos os comentários são analisados, antes de serem tornados públicos, e tendo a responder ao fim de uns dias.

Agora, deixa-nos um “Olá” e/ou uma opinião construtiva.

Desejo-te uma semana criativa.

Obrigada e Até Breve!

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