
Olá! Sê bem-vindo a este [recursos do construtor criativo].
Estes são os primeiros pontos do método criativo que me encontro a estruturar para mim própria:
- Aprender
- Capturar
- Praticar
Na semana passada, publiquei uns artigos, em diferentes plataformas online, todos eles relacionados com a necessidade de descobrir quem somos, no meio do nosso próprio processo criativo.
Este é um tema recorrente, ao qual tenho dedicado muito do meu tempo na sua iteração pessoal, e que pretendo partilhar convosco sobre o que estou a construir sobre o assunto.
Estou convicta que há a necessidade de criar o próprio método, ao qual recorrer, qualquer que seja o nosso estado de espírito do momento. E, que isto é essencial para manter uma vida criativa satisfatória.
Porque, nutrir a vida criativa é uma actividade cheia de nuances.
Olhar para um pôr-do-sol, sobre o oceano, pode despertar a vontade de ir criar algo com essa imagem. Mas, na maioria das vezes, foi a feia formiga que se debate com uma migalha, que me faz pensar em mover objectos impossíveis. Ou, olhar para uma concha partida, e entender que a beleza da madrepérola de que é feita, não se apaga só porque tem pontas cortantes e irregulares.
Mas, porque precisamos de um gatilho deste género para o acto criativo? E, o que fazemos quando ele não se manifesta na nossa realidade? O que criamos quando o mundo nos pressiona de formas brutais, e difíceis de conciliar, com a paz necessária para criar algo?
Porque, nem todos nós nos inspiramos para criar arte de intervenção social, ou queremos construir obras que se propõem a mudar o mundo… por vezes, criar para o escapismo é a melhor contribuição que alguém pode dar, às milhares de pessoas que precisam dessa obra de arte.
Facilitar o gatilho, que despoleta a construção criativa, faz parte de descobrir o método pessoal, que nos permite trabalhar nas nossas artes sem precisar da mística, e elusiva, inspiração.
Porque, esperar pela inspiração para criar não é um método sustentável a longo prazo.
Mas, estar alerta ao que nos rodeia, em conjunto com o que pensamos sobre isso, é a fonte de onde bebemos para o acto da criação, e é parte do método pessoal.
Se pensarmos em aparecer para uma página e escrever algo, sabemos que, com a inspiração a empurrar-nos para ‘criar! rápido! sem pensar!’ o processo parece fácil.
Parece aquilo que nos disseram que ser artista devia ser: tomado por uma ideia genial, e a loucura apressada da sua transposição para o meio da sua escolha… um caderno, uma tela, um rolo de papel ininterrupto, um ficheiro digital.
Mas quantas vezes é que isto acontece? E, como se constrói o trabalho regular quando só criamos por inspiração?
Acredito que, são os momentos de quietude, aqueles que passamos a contemplar algo no exterior, e no nosso interior, em simultâneo, que alimentam o acto criativo. Para vermos algo diferente, construirmos com regularidade, e crescendo em significado, é preciso tempo ininterrupto do criador com os seus pensamentos, e muitas experiências que o ajudem a recombinar as suas ideias.
Não é a velocidade que faz o trabalho consistente. É o progresso estável, a descoberta em pequenos incrementos, e aparecer para organizar o que pensamos.
Nas nuances, com que nos construímos a nós próprios podemos, e devemos, engendrar o sistema que nos acompanha numa vivência da criatividade.
Porque são as diferenças que sentimos, na forma de ser e de criar, que precisam ser respeitadas quando estabelecemos o próprio método criativo.
Sem esquecer que, beber da experiência alheia é essencial, afinal não sabemos aquilo que não sabemos, por isso é preciso ir saber. Reunir ideias e conhecimentos é essencial a qualquer pessoa, mais ainda, se falamos numa pessoa que deseja fazer trabalho criativo.
Porque, organizar a própria experiência com o intuito de fundar um sistema com o qual somos íntimos, e que nos guia, é essencial à prática criativa. Precisamos saber o que vamos fazer a seguir, sem demasiadas pausas ou fricção.
Conhecermo-nos, de facto, sem preconceitos, e sem artifícios de exagerados de produtividade, faz-nos reconhecer quando trabalhamos melhor, quando temos os meios e quando a experiência individual é alimento para algo mais objectivo.
A partir daqui?
Aprender através de uma pletora de fontes.
Capturar o que sabemos e o que vamos aprendendo, de uma forma que alimente o processo criativo.
E, praticarmos a arte em questão.
O meu melhor método, ou aquele que reconheço como um início do meu processo criativo, passa sempre por estas três fases: Aprender; Capturar Ideias; Praticar.
Que acontecem sempre em simultâneo. Porque capturar ideias que parecem interessantes para explorar mais tarde é um processo constante. Ter um sítio, ou vários, onde as apontar faz parte dos recursos que tenho sempre comigo. E, ir escrevendo aquilo que preciso, praticando a arte é essencial como output.
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Aprender
Aprender as técnicas relevantes. Aprender aquilo que outros, antes de nós e nossos contemporâneos, acrescentaram aos temas. Aprender os pormenores básicos, e os mais avançados, quando possível. Aprender é o Input Criativo que precisamos.
A considerar: Fontes. Qualidade das Fontes. Diversidade de experiências. Trabalho de pesquisa. Processo iterativo. Hiper-foco no que nos cativa (sem culpas).
Sobre expor-nos a experiências diferentes: Aquilo que vivemos introduz-se em quem somos e no que fazemos. Procurar alargar as nossas actividades, conhecer pessoas, espaços e outras manifestações artísticas… cada um de nós acaba por descobrir que gosta demasiado de coleccionar folhetos de teatro, fotografar peças de arte, escalada, voluntariado, concertos de música, workshops de cerâmica… o que quer que seja, que nos coloque bem-dispostos e prontos a usar essa inspiração/informação.
Todo o material/vivência que nos ensina é valioso.
2. Capturar
Em simultâneo, aprender implica ter os meios para capturar o que aprendemos, e construirmos as iterações pessoais sobre os assuntos.
Exterior: Experimentei, quase tudo com que me cruzei, no processo de Capturar a informação relevante e as ideias que daí advieram. Mesmo nos meus piores momentos, esforcei-me sempre por manter os meus registos e até o adaptei, quando a minha saúde me pediu uma conservação mais minuciosa, do que aquela que me tinha habituado até aí.
Agendas, calendários, diários, cadernos por projecto, fotografias, fotocópias, prática de commonplace, cartões A5, A6 e A7, ficheiros de texto e de cálculo, apps de organização com variados formatos, até aos desafios criativos que pediam uma prática de escrita manual, precisa e contínua… tenho experimentado tudo o que aparece e que me suscita interesse.
Neste momento, um pequeno caderno que captura toda a informação é um ponto de entrada que funciona. Eu prefiro uma mistura de um caderno em papel, com a aplicação ‘Notas’ no meu telemóvel, com o uso essencial da biblioteca de fotografias do telemóvel e sou uma grande utilizadora do Canva, para organizar toda esta informação que entra.
Deste processo de Captura, passo a informação relevante para o caderno que contém o projecto em causa. Se for uma ideia para um livro, coloco-a no caderno correspondente ao projecto. Se for uma referência para um artigo, coloco-a no caderno de rascunhos de artigos, e por aí fora. Os cadernos por projecto começaram a ter uma organização particular, mas sobre isto, escreverei noutra altura, assim vos interesse.
Interior: o que capturo gera uma ideia, aponto-a no caderno de captura e uso uma fotografia, ou um recorte, para me relembrar o que potenciou certa ideia. O que me ocorre quando leio um livro, por exemplo, é apontado na margem e traduzido para o caderno do projecto, assim que possível.
Deixo que os meus monólogos interiores sejam influenciados por aquilo que experiencio. Vejo um quadro, lembra-me de uma personagem, ou um possível traço de personalidade: aponto essa relação e levo-a, mais tarde, para o caderno de projecto.
3. Praticar
O primeiro rascunho, qualquer que seja o projecto, tem um espaço próprio. Um sítio físico ou virtual, que não obedece às regras da revisão. Escrevo o que desejo, num primeiro rascunho tão desarranjado quanto ele necessitar, e deixo-o ficar à espera.
Alguns livros levam anos até que eu perceba o que uma edição melhor precisa.
Escrever artigos para os blogues e o Substack levam menos tempo mas, alguns nunca chegam a ver a publicação, mesmo depois de dias a fio de revisões. Outros, acabam por fornecer a ideia para um outro artigo, diferente do inicial.
Colocar algo no mundo, no Output Criativo, é o objectivo das duas acções anteriores: aprender e capturar.
Memorizar para usufruir
Quando penso nestas fases todas, não deixo de considerar que é importante relembrar-me que a memória é essencial a tudo isto. Este início de método criativo é, em simultâneo, um conjunto de estratégias que me ajudam a manter a informação com que me cruzo, e uma forma de repetir até memorizar aquilo que preciso para escrever.
Como dizia um antigo professor: “porque, ao contrário do que se dizia, a memória faz parte da inteligência.” Apesar da agressividade, e do contexto público em que esta pérola foi partilhada, vejo a mensagem desta crítica.
Nunca tendo sido uma aluna de memória impecável (aliás, mediana foi sempre onde me enquadrei…) sei que a desconstrução do que tenho vivido, de excelente e de muito mau, só tem sido possível porque encontrei um processo que me permite relembrar o que é importante, e os pormenores mais relevantes dessas experiências. Se não me lembrasse das experiências positivas, em breve só as negativas teriam espaço.
A vida faz-se acompanhar de demasiadas memórias, que esquecemos sem ter intenção ou que precisamos esquecer ou arquivar, se possível, nalgum sítio pouco acessível. Mas, na prática da nossa arte, precisamos das memórias e, não apenas das que causam maior impacto emocional, mas também daquelas que foram assim-assim.
Se tivesse relegado a acuidade à simples memória, sem qualquer ajuda externa, há muito que me tinha perdido. Assim, ressalvar as partes construtivas, que desejo relembrar, tem sido determinante para permitir que memorizar, sem incertezas, voltasse a ocorrer… sujeita aos vieses ou preconceitos cognitivos naturais que nos assistem a todos, claro.
Assim, estes são os primeiros pontos do método criativo que me encontro a estruturar para mim própria: Aprender. Capturar. Praticar.
Não são os únicos passos do método, claro. Mas, são a base de tudo o que tenho assente neles e são parte do cultivo do meu próprio jardim.
Espero que este vislumbre do ponto de entrada das minhas práticas vos seja útil. Partilharei outros pontos importantes, a seu tempo.
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Obrigada pela atenção e peço que deixes as tuas ideias e sugestões, nos comentários a este artigo. E, agradeço-te por isso. Também, todos os comentários são analisados, antes de serem tornados públicos, e tendo a responder ao fim de uns dias.
Agora, deixa-nos um “Olá” e/ou uma opinião construtiva.
Desejo-te uma semana criativa.
Obrigada e Até Breve!
