
Como escritores debatemo-nos amiúde com as complicações da mente. Da nossa e dos outros.
A nossa arte manifesta-se, exactamente, sobre as questões que colocamos, e as diferentes respostas que encontramos para as nossas escolhas tão humanas.

Como escritores debatemo-nos amiúde com as complicações da mente. Da nossa e dos outros.
A nossa arte manifesta-se, exactamente, sobre as questões que colocamos, e as diferentes respostas que encontramos para as nossas escolhas tão humanas.
Ando aqui a pensar… se não consigo comprometer-me a escrever, pelo menos, 500 palavras por dia como posso pensar em produzir algum texto de jeito?
Tenho participado numa série de desafios artísticos mas pouco voltados para a escrita. Claro que, mesmo nestes em que a fotografia impera, acabo sempre por complementar com algo escrito. Contudo, para mim, não é suficiente.
Imagina-te com setenta anos. Imagina que viveste uma vida de trabalho físico, sem grande contacto com a escrita. Imagina que sempre tiveste mais apetência para os números do que para as letras. Para ti, os números faziam sentido, tinham regras imutáveis. As letras, não. Apesar de sempre teres lido bastante, cingias-te a leituras sobre assuntos práticos. A vida havia sido demasiado prática em detrimento de ficcional.
Consegues imaginar? Calçar esse par de sapatos?
Velas acesas espalhadas pela divisão. Incenso a queimar. O quadro de cortiça cheio de frases inspiracionais. Um copo de vinho na mão. Todas as luzes acesas. Uma música de fundo… qualquer outra coisa assim do género.
Pessoalmente, quando não sinto que tenho as coisas no lugar, ou quando não estou confortável por algum motivo, é muito mais difícil sentar-me e escrever seja o que for. Como aconteceu durante a gravidez, em que todos os assentos me pareciam feitos de pedra mármore, e o barrigão transformara-me num T-Rex de braços curtos.
Sei que já vos disse que não sou nenhuma crítica literária. Estou deste lado da cerca. O lado dos que escrevem.
O que não sei se vos disse é que gosto de ler coisas distintas. Nunca um só género literário. Não apenas ficção. Nem um formato rígido.

O primeiro pensamento que me ocorreu quando me deparei com o programa televisivo ‘The Kindness Diaries’ foi: ‘Como é que ele consegue andar por aí a pedir que o sustentem em troca de nada?… E com uma equipa de filmagem atrás.’

“Faz o que amas e ama o que fazes.” A melhor lição de vida que conheço.