Andava eu a perscrutar a última ‘Bang’ (N.º 18, Julho 2015) quando me deparei com uma pergunta deveras pertinente:
“Escreves livros sobre o quê?”
Andava eu a perscrutar a última ‘Bang’ (N.º 18, Julho 2015) quando me deparei com uma pergunta deveras pertinente:
“Escreves livros sobre o quê?”
O Concurso Bulwer-Lytton Fiction, a premiar as piores frases iniciais desde 1983.
Estes 31 vencedores (que podem vislumbrar aqui) venceram o concurso que todos nós, escritores e aspirantes a escritores, desejamos nunca, jamais, sequer, ouvir falar.
“Mentimos sempre a nós próprios. “
Esta é a primeira frase deste grande livro, ‘A lista dos meus desejos’ de Grégoire Delacourt.
Recordam-se daquela coisa com as primeiras frases? Esta foi um ‘”Apanhei-te!”
Alguma vez compraram um livro apenas porque leram a primeira frase? E essa primeira frase despertou em ti algo que te cativou e que não permitiu que voltasses a pousar o dito na prateleira?
Eu já. E, é curioso porque, lembro-me da primeira frase… não me recordo do livro. Vou ali à estante, à pesca. Já volto…
Ao longo dos tempos a figura de Fernando Pessoa tornou-se uma imagem de marca tão reconhecível como os seus mais famosos escritos.
Não há muito, essa mesma imagem serviu de inspiração para um dos meus contos (que, infelizmente, não viu a luz do dia por motivos que me são desconhecidos).
Carlo Petrini convida Luis Sepúlveda a escrever sobre a felicidade. O sociólogo italiano que fundou o movimento Slow Food (sobre o qual podem ler mais aqui…) numa conversa animada com Luís Sepúlveda, o mais conhecido escritor chileno, teria sempre algo de interessante.
Mais, quando partem de uma premissa em comum: a necessidade de abrandar o ritmo, ou o conceito de equilíbrio, ou… o caracol. Este é o princípio de “Uma ideia de felicidade”.
Enchemos o tempo de coisas. Coleccionamos peças, intangíveis ou sentimentos. Enchemos estantes reais e metafísicas de coisas que já não nos servem, excepto pelos resíduos que nos deixam. Pelas influências que tardam em partir. Cenas cuja energia não nos larga.
Enchemos o tempo de coisas e chamamos-lhe inspiração. Tiramos ilações. Regamos a vida delas. Enchemos prateleiras e salas de prateleiras de coisas que já não nos servem. De cenas que já nos serviram. De roupas velhas que já vestimos e que, mesmo estando em condições para andar em público, já não são quem nós somos. Já não nos fazem sentir apresentáveis quando temos de as usar.