Recursos do Escritor: Bloqueios mentais e escritos transparentes_parte I

IMG_2799Por vezes, damos connosco à procura de inspiração nos sítios mais esquisitos. Esbarramos contra uma parede, uma barreira psicológica, uma crença, ou um obstáculo fantasiado que se recusa a sair do caminho.

Quando isso acontece, não sabemos muito bem como o contornar ou passar por cima dele. Sabemos sim que, por este ou aquele motivo, não conseguimos escrever nada ou quase nada. E, isso, altera-nos o equilíbrio… pelo menos, altera o meu. Não conseguir escrever deixa-me exasperada, duvidosa, cheia de monólogos interiores nada agradáveis, num ouroboros de vontades e fracassos.

Tentamos ter paciência. Sabemos que vai passar, que o tempo irá encarregar-se de desembrulhar o rolo de fio embaraçado que temos em nós. Mas nunca é tão rápido como gostaríamos. Preferíamos que o bloqueio fosse banido por decreto. Desaparecesse por si próprio. Ou que nos trouxesse uma epifânia e pudéssemos, por fim, compreender tudo e superá-lo. Em vez disso, sentamo-nos e forçamo-nos a escrever. Desesperamos. Declaramos as ideias absurdas, e os nossos esforços para lá de incompetentes, dignos de vergonha.

Mas, na realidade, há sempre um motivo para que tal aconteça. E, habitualmente, sabemos qual é e como o vemos resolvido. Às vezes, basta agitar um bocado as coisas. Outras, reler coisas antigas. Noutras, procurar coisas novas. Não há uma receita infalível para ultrapassar um bloqueio, qualquer que seja. Há, sim, um processo de auto-conhecimento necessário e os esforços explícitos em pensar e repensar o que aconteceu, porque aconteceu, e como superar.

Assim, há um processo que costumo utilizar nestes períodos de produção escassa (feita a tinta transparente):

  1. Aceitar que se está bloqueado e que naquele momento, como em todos, estamos a fazer o melhor que podemos.
  2. Perdoarmo-nos e não nos massacrarmos por não conseguirmos escrever (guardem o chicote no cofre. A cura não passa por aprofundar as feridas).
  3. Empenharmo-nos em reencontrar o gosto pela escrita. Fazendo aquilo que nos dá prazer e que nos faz recordar porque escrevemos.
  4. Procurar estratégias de desbloqueio. Seja através de leituras, passeios, meditação, conversar com alguém…
  5. E… dar um passo de cada vez. Não precisamos escrever ao quilo, ou começar e acabar um artigo, ou conto de uma assentada. Podemos apontar uma ideia e voltar lá quando soubermos como lhe acrescentamos algo.

Mas, acima de tudo, devemos perdoar-nos por não produzirmos aquilo que a nossa mente acredita (erroneamente) ser a quantidade certa. Não há desempenhos perfeitos. Não há nada que o seja. O que existe é muita culpa por não sermos capazes de atingir essa malfadada perfeição. Um passo de cada vez e todos os bloqueios podem ser superados. Tão certo como o nascer deste artigo depois de um longo período de bloqueio.

Este é o meu processo para desbloquear. Não funciona de forma tão rápida como eu gostaria mas… funciona.

E convosco? Qual é o processo que usam para desbloquear a vossa escrita?

Φ

Este é o primeiro artigo de três sobre o tema bloqueio de escritor. Espero que continuem a fazer-me companhia pelos meandros das estratégias de superação desta infame circunstância…

ΦΦ

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